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Às vezes um efeito colateral não atrapalha, mas
aumenta a eficácia do medicamento
Janetti Nogueira de Francischi
Um trabalho de cientistas alemães publicado
recentemente na Revista Pain devido a sua
novidade, ganhou um comentário editorial, em que
Heather Bradshaw discute uma nova possibilidade
para explicar o mecanismo de ação analgésico dos
coxibes, também conhecidos como inibidores
seletivos da ciclooxigenase tipo 2.
Apesar de
terem sido aprovados pelo FDA como
antiinflamatórios para o tratamento da artrite
reumatóide e da osteoartrite, foram relatados
casos de morte após o uso continuado do
rofecoxibe (formulado como Vioxx, pela Merck,
Sharp and Dhome), um dos mais potentes entre os
coxibes descritos. Isso levou à sua retirada do
mercado farmacêutico mundial.
Apesar disso, os
estudos sobre o mecanismo de ação dos inibidores
das ciclooxigenases continuaram, e conforme o
citado comentário, os coxibes inibem também o
metabolismo do composto 2-araquidonoil-glicerol
(2-AG), uma molécula considerada atualmente como
o mais potente canabinóide endógeno. É sabido
que os níveis de canabinóides endógenos
aumentados na substância cinzenta periaquedutal
se correlacionam com o grau de analgesia
observado em animais. A pesquisa mostrou que a
hiperexitabilidade de neurônios na medula era
bloqueada pelo tratamento de drogas antagonistas
de endocanabinóides.
O 2-AG é transformado
endogenamente pela COX-2 em um tipo especial de
prostaglandina pró-nociceptiva, denominada
PGE2-G, sem um receptor identificado ainda. A
inibição da formação da referida prostaglandina
a partir do endocanabinóide seria mais sensível
do que a própria inibição da síntese de PGE2
pela COX-2, isto é, ocorreria em concentrações
menores do coxibe utilizado, levando a crer que
tal inibição possa também colaborar para a
eficiência analgésica observada deste grupo de
medicamentos. Em outras palavras, um efeito
colateral dos coxibes redundaria no aumento de
seu efeito analgésico.
Referências
-
Heather Bradshaw.
CB1-induced side effects of
specific COX-2 inhibitors: A feature, not a bug. Pain 2010; 148:5
-
Alejandro Telleria-Diaz e cols.
Spinal
antinociceptive effects of cyclooxygenase
inhibition during inflammation: Involvement of
prostaglandins and endocannabinoids. Pain 2010;
148:26–35
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