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Alerta da edição mensal

 

 

Pesquisa adicional de mecanismos antinociceptivos e pronociceptivos de Acmella oleracea em camundongos

Letícia Menezes Rodrigues

 

Acmella oleracea, mais conhecida como Jambu, é uma espécie típica da Amazônia e é utilizada para tratamento de dor de dente, provavelmente graças à sua propriedade anestésica. Estudos anteriores demonstraram que a Fração Hexânica (FH), rica em alquilamidas (espilantol), extraída das flores do Jambu tem efeitos tanto antinociceptivos quanto pró-nociceptivos.

 

A análise fotoquímica, utilizando Cromatografia Gasosa com Espectrometria de Massa, confirmou a presença de alquilamidas, como espilantol. Foi administrado, via intraplantar, em camundongos 20 μL com 0,1 μg ou 30 μg de fração hexânica e uma solução controle. Para verificar o envolvimento do sistema opioidérgico na nocicepção induzida por glutamato, foi usado naloxona, antagonista de receptores de opioides, ou veículo seguido de veículo, morfina ou FH. A morfina, FH e a solução controle reduziram a nocicepção em 72%, 67% e 74%, respectivamente. Observaram também o comportamento de proteção e de lambedura provocado por FH através do mesmo tratamento usado para verificação do sistema opioidérgico e verificou-se uma redução de 82% por morfina no comportamento de lambedura e não houve alteração no comportamento de proteção pela morfina.

 

Foi usado cetotifeno e FH na nocicepção induzida pelo composto 48/80 para observar o envolvimento do sistema histaminérgico. Houve uma redução nos comportamentos de lambedura e proteção por cetotifeno e FH. Também houve similar redução nos comportamentos quando a indução da nocicepção foi feita por FH. Em análise histológica observou-se intensa desgranulação de mastócito por indução de FH e de componente 48/80 quando comparado ao grupo controle. O cetotifeno evita essa desgranulação induzida pelo componente 48/80, enquanto que a FH não foi eficaz na prevenção desse evento.

 

Em altas doses o FH induz nocicepção modulada pelo sistema opioide e liberação de histamina, enquanto em baixas doses os efeitos antinociceptivos da FH não envolveram estes mecanismos, o que sugere um efeito anestésico da substância.

 

Referência: Dallazen JL, Maria-Ferreira D, Luz BB, Nascimento AM, Cirpriani TR, Souza LMWerner MF. Further investigation of antinociceptive and pronociceptive mechanisms of Acmella oleracea in mice. 49º Congresso Brasileiro de Farmacologia Terapêutica Experimental. Riberão Preto. 17-20 de Outubro de 2017.


Leitura original e/ou complementar