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O efeito antinociceptivo da crotalfina
Andressa Daiane de Carvalho Zaparolli
Embora a morfina e outras drogas tipo opioides
serem consideradas a principal opção para o
tratamento da dor, efeitos indesejáveis
induzidos por esta classe de drogas limitam seu
uso. Portanto, a pesquisa de novos componentes
analgésicos tem sido constantes. Os autores do
presente trabalho demonstraram que a crotalfina,
um peptídeo de 14 aminoácidos, induz um efeito
analgésico potente e de longa duração em modelos
experimentais de dor aguda e dor crônica. Este
efeito é mediado por ativação de receptores
opioides periféricos kappa e delta. Apesar de
apresentar atividade opioide, a sequência de
aminoácidos da crotalfina não mostra
similaridade com nenhum outro peptídeo opioide
conhecido. Além disso, resultados preliminares
indicam que a crotalfina não ativa receptores
opioides diretamente, uma vez que o peptídeo não
é capaz de deslocar naloxona marcada ([3H]
naloxone) em estudos de binding (Eur
J Pharmacol 594; 84, 2008). Nesse sentido,
baseado nos dados da literatura que demonstram
uma grande interação entre os sistemas opióides
e canabinóides (Proc Natl Acad Sci USA 102;
3093, 2005), o objetivo do trabalho foi
caracterizar os mecanismos envolvidos no efeito
antinociceptivo da crotalfina, avaliando a
participação de receptores canabinoides e a
possível interação desses receptores com o
sistema opioide.
Foram usados ratos Wistar machos. A hiperalgesia
foi induzida com prostaglandina E2 (PGE2, 100 ng/pata).
O efeito antinociceptivo da crotalfina (1 μg/kg,
p.o.) foi determinado com o teste de pressão na
pata. O envolvimento de receptores canabinoides
foi investigado através do uso de antagonistas
seletivos dos receptores (CB1, AM251, 80 μg/pata
e CB2, AM630, 50 μg/pata). A participação do
sistema canabinoide endógeno foi avaliada pelo
uso do inibidor irreversível da FAAH, enzima
responsável pela hidrólise e inativação dos
endocanabinóides (MAFP, 4 μg/pata). A
contribuição dos opioides endógenos na
antinocicepção induzida por crotalfina foi
investigada com o uso de anticorpos
anti-beta-endorfina (5 μg/pata), anti-encefalina
(50 μg/pata) and anti-dinorfina-A (1 μg/pata). O
envolvimento dos opióides endógenos foi
confirmado através da quantificação de
beta-endorfina, met-encefalina e dinorfina-A
liberada do tecido pela técnica de imunoensaio
enzimático. Os resultados demonstraram que
antagonistas dos receptores CB1 e CB2 e
anticorpo anti-dinorfina-A inibiram o efeito
antinociceptivo da crotalfina. A administração
local do inibidor irreversível da FAAH, MAFP,
aumentou a antinocicepção periférica produzida
por baixas doses de crotalfina. O imunoensaio
enzimático confirma que a crotalfina induz
liberação local de dinorfina-A e este efeito é
bloqueado por antagonistas de receptores CB2.
De
acordo com os autores, esses resultados indicam
que receptores CB1 e CB2 periféricos estão
envolvidos na antinocicepção induzida por
crotalfina. Este efeito é dependente da
liberação de opióides endógenos, particularmente
dinorfina-A.
Referência: Machado, F. C.; Zambelli, V. O. ;
Fernandes, A. C. O. ; Cury, Y. ; Picolo, G.
Laboratório Especial de Dor e Sinalização,
Instituto Butantan, SP. FESBE, 2011.
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Leitura original e/ou complementar |
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