Dor na artrite
Janetti Nogueira de Francischi

 

A dor da artrite representa uma condição frequente. Há muito tempo, esse tipo de dor tem sido considerada como um protótipo de condição nociceptiva. Resultados recentes indicam alterações na abordagem fisiopatológica e tratamento dessa condição. Achados recentes relacionados com os mecanismos envolvidos na dor da artrite:

  • na periferia, o osso aparece como um componente da dor: a abordagem por imagem tem mostrado boas correlações entre anormalidades no osso e a intensidade da dor;

  • no cérebro, a artrite pode induzir mudanças e sensibilização, com alterações funcionais falsamente diagnosticadas como um componente de dor neuropática;

  • a dor da artrite não é uma condição estável: exacerbações relacionadas com o movimento e à noite poderiam estar relacionadas a mecanismos fisiopatológicos diferentes.

A partir destes fatos, novas estratégias terapêuticas apareceram, como o uso de antidepressivos, que podem ser efetivos na dor crônica das articulações, mesmo sem desordens concomitantes do humor. O uso de anti-inflamatórios não esteroides tiveram seu uso limitado, mas uso de opioides nesta condição permanece questionável.

 

Agentes biológicos podem ser usados para a dor da artrite, como novos agentes biológicos, que atuam como o NGF (Fator de Crescimento derivado do Nervo), tem apresentado eficácia significativa, mas questões relacionadas com a segurança de uso podem limitar seu desenvolvimento. Agentes biológicos desenvolvidos para o tratamento de reumatismos inflamatórios, tais como anticorpos anti-TNF ou anti-IL6, podem exibir ação periférica, mas não central.

 

Os fatos apresentados acima levam o grupo de pesquisa deste trabalho a propor estratégias a serem utilizadas no tratamento da Artrite Reumatóide (AR), como uma nova classificação para os analgésicos:

  • Analgésicos antinociceptivos para o tratamento de ataques agudos relacionados ao movimento ou com inflamação;

  • Agentes analgésicos relacionados com a modificação da dor para o tratamento de longo prazo, no componente crônico.

Referências e fontes:

  • S. Perrot. Arthritis pain – lessons from a pain in motion : from the joint to the brain, from analgesics to biologics. Clínica de Dor Reumatológica e Departamento de Medicina Interna, Hospital Santa Casa, Universidade Descartes de Paris, INSERM 987, Paris, França.

  • Congresso Pain in Europe, Alemanha, 2011. Conflito de interesse: Serge Perrot recebe emolumentos da Sanofi-Aventis, Lilly, BMS, Pfizer, Grunenthal, MSD, Therabel, Boehringer, Janssen, Cephalon.

 
Leitura original e/ou complementar
 
   

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