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Cefaléia intensa pode ser um indicativo de lesão
Rafael Poloni
Há diversos estudos
que relacionam de alguma forma dores de cabeça
de tipos variados com certos tipos de lesão
cerebral. Dados de um estudo conduzido por
pesquisadores do Institut National de la
Santé et de la Recherchéé Medical de Paris
indicam que a enxaqueca com aura está fortemente
relacionada com lesões profundas na substância
branca.
A substância branca
é a parte mais interna do encéfalo, assim
denominada devido à uma aglomeração de feixes de
axônios envolvidos por mielina, que leva a uma
coloração branca quando fixada, sendo então
responsável pela comunicação cerebral.
Um segundo estudo,
de neuro-imagem, também aponta que o histórico
de dor de cabeça intensa parece estar
intensamente relacionado a lesões profundas na
substância branca de indivíduos mais idosos. A
população estudada consistiu em 163 pacientes
(20,9%) que tinham cefaléia intensa, sendo 116
pacientes os que preenchiam os critérios para a
enxaqueca provável. Entre aqueles com enxaqueca,
17 pacientes (14,6%) relataram sintomas de aura.
Todos os participantes foram submetidos ao
procedimento de ressonância magnética (MRI)
cerebral e os pesquisadores utilizaram um
software já padronizado para calcular o volume
de lesões intensas na substância branca, assim
como sua localização.
Através de modelos
de regressão logística multinomial, os autores
verificaram uma correlação entre a ocorrência da
cefaléia e a existência de lesões. No entanto,
vale a pena ressaltar que, por enquanto, tais
estudos têm pouca relevância clínica e nenhum
motivo para desespero, pois não se sabe qual é a
interferência de medicamentos nessa lesão, nem o
que esse tipo de lesão pode acarretar, visto que
não há nenhum estudo relacionando essa lesão
profunda na substância branca com qualquer tipo
de dano por demência ou acidente vascular
encefálico.
Estudiosos também
entendem de forma bastante crítica a ausência de
maiores e melhores estudos com a população mais
idosa, visto que a maioria dos estudos foi
concentrada em populações juvenis. Além disso, o
estudo contou com um espaço amostral pequeno no
grupo com alto nível de lesão na substância
branca, o que pode ter prejudicado a
confiabilidade do estudo.
Fontes
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