Genética humana da dor e analgesia
Andreza Urba de Quadros

 

Em um tempo em que os fármacos analgésicos são promissores em modelos animais e praticamente nulos na clínica, vale pensar onde pode estar o erro? Nos modelos animais ou na avaliação clínica? O que pode estar interferindo nesse processo?

 

Esse trabalho, apresentado como resumo, discute a importância de se avaliar o paciente como um todo e o quanto a genética pode influenciar na sensação dolorosa e na eficácia de fármacos analgésicos.

 

Um mesmo estímulo desencadeia respostas de dor muito variáveis em diferentes indivíduos, e estas respostas estão ligadas a uma herança genética. Os fatores psico-ambientais em que o paciente está inserido são tão importantes quanto. Se não controlados, ambos podem ser fontes importantes de erros e vieses em ensaios clínicos. Observa-se que a influência da genética, do ambiente e da mente/emoção difere entre vários tipos de dor e são particularmente relevantes em processos persistentes e crônicos.

 

Mas a genética e o ambiente influenciam não só na sensação dolorosa como na farmacocinética e na farmacodinâmica de analgésicos. Uma mutação em uma enzima metabolizadora, a exposição a produtos químicos ou interações medicamentosas podem alterar significativamente a resposta a um fármaco.

 

Técnicas de silenciamento de genes ou sua estimulação, bem como o controle de fatores psico-ambientais, são a chave para o sucesso da terapêutica e para o controle de variáveis entre animal e humano. A execução de uma terapia individualizada, por meio da epigenética, favorece a eficácia da resposta analgésica, endógena ou do fármaco.

 

Mais uma vez, ressalta-se a relevância do direcionamento genético da farmacoterapia e da importância de se avaliar e tratar o paciente como um todo. O alívio da dor é mais que a cura de uma doença, é a devolução da paz e da vida.

 

Referência: J. Desmeules1, C.S. Nielsen2, C. Samer3, J. Lötsch4. Human genetics of pain and analgesia. Congresso Pain in Europe, Alemanha, 2011.

1Division of Pharmacology and Toxicology, Geneva University Hospital, Geneva, Switzerland, 2Department of Psychosomatics and Health Behavior, Division of Mental Health, Norwegian Institute of Public Health, Oslo, Norway, 3Division of Clinical Pharmacology and Toxicology and multidisciplinary Pain Center, Geneva University Hospitals, Geneva, Switzerland, 4Pharmazentrum Frankfurt/ZAFES, Institute of Clinical Pharmacology, Goethe-University, Frankfurt am Main, Germany

 
Leitura original e/ou complementar
 
   

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