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Divulgação Científica
1. Realidade virtual ajuda a reduzir a dor lombar crônica
Um estudo
realizado por pesquisadores espanhóis em
2025 demonstrou que a realidade virtual pode
reduzir a intensidade da dor lombar crônica
(lombalgia). Utilizando ferramentas de
realidade virtual, o estudo revelou que a
intensidade da lombalgia, que é altamente
incapacitante e limita atividades
cotidianas, não depende apenas de lesões
físicas, mas também da interpretação visual
de sinais.
O estudo foi
conduzido com 50 participantes que
utilizaram óculos de realidade virtual ao
realizar extensão lombar, o popular
“corrigir a postura”, enquanto as imagens de
um avatar virtual, simulando cada
voluntário, foram manipuladas para a
amplitude do movimento parecer menor ou
maior que o real. A intensidade da dor e
medo do movimento foram mensurados por
questionários validados antes e durante o
movimento, e o participante indicou a
amplitude em que a dor começava (pain-free
ROM). Quando o movimento parecia 10% menor,
os participantes se moveram 20% mais, sem
dor, ou seja, o corpo tolerou 20% mais
amplitude do movimento. O efeito foi mais
relevante em quem tinha medo de realizar o
movimento (cinesiofobia), ou tinha maior
incapacidade funcional.
A pesquisa
evidencia que a realidade virtual pode
ajudar a reprogramar associações entre dor e
movimento em pacientes com dor lombar
crônica. Os dados reforçam que a dor crônica
vai além da lesão tecidual, envolvendo
aprendizagem perceptiva e cognitiva, onde o
cérebro antecipa ameaças com intuito de
proteção.
Referência:
Jordán-Lopez J, Arguisuelas MD, Doménech J,
et al. Visual feedback manipulation in
virtual reality alters movement-evoked pain
perception in chronic low back pain. Sci Rep.
2025;15:20372. Published 2025 Jul 1. doi:10.1038/s41598-025-08094-z
Escrito por
Nícolas Pedro Bastos Barboza.
2. Uma intervenção mente-corpo e sua influência na melhora física de adultos com lesões ortopédicas
Uma pesquisa
realizada em 4 centros médicos diferentes
nos Estados Unidos, investigou a relação
entre a catastrofização e ansiedade da dor,
com casos de dor persistente e incapacidade
após lesões ortopédicas traumáticas. Os
resultados foram promissores, e as
descobertas apontam para novos tratamentos
que integrem uma abordagem psicossocial para
recuperação e prevenção. Evidenciando
redução dos níveis de catastrofização e
ansiedade da dor, e consequentemente, uma
melhora na função física dos participantes
ao serem submetidos a uma intervenção
mente-corpo.
Para o estudo
foram elegíveis participantes adultos,
recrutados entre outubro de 2021 e agosto de
2023, com trauma ortopédico recente e que
apresentavam pontuações elevadas nas
avaliações de catastrofização da dor e
ansiedade pela dor. Para isso foram
utilizadas a Escala de Catastrofização da
Dor (PCS) e a Escala de Sintomas de
Ansiedade da Dos (PASS). As avaliações se
deram em 3 momentos: linha de base,
pós-intervenção (4 semanas) e acompanhamento
(3 meses).
Após as
avaliações iniciais, os participantes foram
divididos em dois grupos: um recebeu os
cuidados usuais e tradicionais, enquanto o
outro foi tratado com o protocolo TOR (KIT
de ferramentas para recuperação ideal pós
lesão), um programa com 4 sessões de vídeos
ao vivo, voltado para mente e corpo. A
função física, considerada o desfecho
primário do estudo, foi avaliada por meio do
Questionário de Avaliação da Função
Musculoesquelética (SMFA). A análise dos
dados foi realizada com um modelo
estatístico moderno e robusto, a Modelagem
de Equações Estruturais Multinível (MSEM),
que permitiu investigar se as mudanças
psicológicas dos participantes ajudaram a
explicar os efeitos do tratamento na
recuperação da funcionalidade física.
Esses achados
reforçam a importância de abordagens
terapêuticas que vão além do tratamento da
lesão em si, considerando também os aspectos
emocionais e psicológicos do paciente,
destacando a relação mente-corpo. A pesquisa
destaca, assim, o valor de um cuidado
centrado na pessoa, com acolhimento e
compreensão da dor em sua dimensão
subjetiva, o que é parte essencial do
processo de reabilitação.
Referência:
Gnall KE, Jochimsen KN, Brewer JR, Bakhshaie
J, Vranceanu AM. Pain catastrophizing and
pain anxiety mediate changes in physical
function in a mind-body intervention for
adults with traumatic orthopedic injuries.
Pain. 2025 Jun 1;166(6):1418-1424. doi:
10.1097/j.pain.0000000000003477. Escrito por Carolina Andrade Gois.
3. Repercussões do TCE após acidente automobilístico
Pesquisadores
israelenses realizaram um estudo de coorte
no pronto-socorro de um hospital
universitário em Israel. Observaram que
pacientes diagnosticados com Traumatismo
Cranioencefálico leve (TCE), após acidente
automobilístico, apresentaram 83% de chance
de desenvolverem dor crônica de cabeça e
pescoço, após um ano da ocorrência do
trauma.
A amostra de
203 pacientes foi avaliada em duas fases, a
fase subaguda correspondente às primeiras 72
horas após o acidente, e a fase crônica
correspondente a 12 meses após a lesão. A
avaliação da dor foi realizada por meio de
uma escala verbal numérica de dor variando
de 0 a 100, onde menor que 30 era
considerado dor leve e maior que 30 dor
moderada a intensa. A dor foi avaliada no
início do estudo imediatamente após a lesão
e após um ano.
Foram
utilizadas variáveis clínicas, como
autorrelato de dor de cabeça e dor no
pescoço, a determinação das áreas corporais
dolorosas e sinais de TCE prevalentes como
tontura e desorientação, além de variáveis
demográficas e psicológicas. Oitenta e nove
pacientes obtiveram a classificação de dor
moderada a intensa pontuando mais de 30 após
12 meses da lesão, logo foram classificados
como portadores de dor crônica, bem como 114
participantes apresentaram dor leve
pontuando menos de 30 e foram classificados
como recuperados.
Assim, é
possível prever o risco aumentado de
pacientes desenvolverem dor crônica de
cabeça e pescoço após lesão traumática. Os
dados evidenciam a importância de uma
detecção precoce dos pacientes com risco de
desenvolverem dor crônica após um TCE,
oportunizando o melhor prognóstico do
paciente.
Referência:
Ramon-Gonen R, Granovsky Y, Shelly S.
Predicting chronic post-traumatic head and
neck pain: the role of bedside parameters.
Pain. 2025;166(5):1050-1059. doi:10.1097/j.pain.0000000000003431
Escrito por Ana Karolyne Mendes Meirelles.
4. Recurso que orienta mudança na prática da dor melhora desfechos clínicos de dor em unidades de terapia intensiva
Estudo híbrido
realizado no Canadá identificou que um
website voltado à mudança da prática da dor,
proporcionou redução de procedimentos
dolorosos, aumento da avaliação da dor e
aumento do tratamento da dor em neonatos. O
principal objetivo do estudo foi avaliar a
efetividade do recurso chamado ImPaC (Implementation
of infant pain practice change) que consiste
em uma ferramenta de 7 passos, elaborada
para guiar profissionais da saúde em
processos de mudança para melhora da
mensuração e tratamento da dor. Além disso,
a hipótese dos pesquisadores era de que
Unidades de Terapia Intensiva que aplicassem
a ferramenta obteriam melhores desfechos
clínicos comparado ao cuidado usual.
No estudo
realizaram um ensaio clínico randomizado,
com uma amostra de 354 neonatos submetidos a
intervenção e 325 em cuidados usual (grupo
Intention to Treat) e 678 neonatos
submetidos à intervenção e 325 aos cuidados
usuais (grupo lista de espera). Para a
implementação do recurso ImPaC, selecionaram
profissionais com no mínimo 3 anos de
experiência em Unidades de Terapia Neonatais
e experiência em liderança clínica e os
submeteram a treinamentos online para a
posterior aplicação da ferramenta. Além
disso, um delineamento descritivo
longitudinal foi realizado para explorar a
eficácia da implementação do ImPaC após 6
meses de uso.
Por fim, o
estudo evidenciou que a aplicação do recurso
ImPaC sugere uma melhora dos desfechos
clínicos por meio da mudança da prática da
dor que pode promover redução de
procedimentos dolorosos, aumento da
avaliação da dor e aumento do tratamento da
dor em neonatos. Além disso, os
pesquisadores destacam a importância da
aplicação da ferramenta em unidades que
considerem a individualidade de cada
neonato, já que cenários em que utilizam
padronização “one-size-fits-all” não é ideal
para a aplicação do ImPaC.
Referência:
Stevens B, Bueno M, Barwick M, et al. The
implementation of infant pain practice
change resource to improve infant procedural
pain practices: a hybrid type 1
effectiveness-implementation study. Pain.
2024;166(7):1587-1596. Published 2024 Dec 6.
doi:10.1097/j.pain.0000000000003496
Escrito por Ana Carolina Teles Marçal.
5. Lesão na ATM induz dor persistente e sensibilização neuronal com dependência sexual
Lesões na articulação temporomandibular (ATM) provocadas por abertura forçada da boca foram associadas a dor crônica e alterações nos nervos sensoriais, com diferenças entre os sexos, segundo estudo publicado em 2025. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Maryland Baltimore com o objetivo de entender melhor os mecanismos da dor associada à disfunção temporomandibular (DTM). Utilizando um modelo experimental em camundongos, os pesquisadores aplicaram a abertura forçada da boca (FMO) e analisaram os efeitos sobre a dor e a atividade dos neurônios do gânglio trigeminal. O estudo observou aumento da sensibilidade à dor, comportamentos de dor espontânea e sinais de ansiedade, além de alterações neuronais distintas entre machos e fêmeas.
Para mimetizar o trauma da ATM, o procedimento de abertura forçada da boca (FMO) foi realizado em camundongos machos e fêmeas. A dor mecânica foi avaliada pelo teste de von Frey na pele orofacial, e a dor espontânea pela escala de caretas de camundongos (MGS). Comportamentos de ansiedade foram analisados pelo teste de campo aberto (OFT). Para elucidar a sensibilização neuronal, foram empregadas técnicas de imagem de cálcio GCaMP in vivo no gânglio trigeminal e ensaios imuno-histoquímicos. O modelo de FMO é considerado clinicamente relevante para simular a hiperalgesia pós-traumática. Os resultados mostraram que, apesar de não haver diferença sexual nos comportamentos de dor, as respostas neuronais no gânglio trigeminal e as alterações neuroquímicas apresentaram clara dependência do sexo.
O estudo de Alshanqiti et al. (2025) confirmou o FMO como um modelo pré-clínico confiável para lesão da ATM, induzindo hiperalgesia profunda e duradoura, comportamentos de dor e ansiedade-like, acompanhados de sensibilização de nociceptores trigeminais. Embora as respostas comportamentais de dor não apresentassem diferenças sexuais, foram observadas distintas diferenças sexuais nas respostas neuronais, sensibilização funcional e plasticidade neuroquímica. Isso sugere mecanismos complexos e sexualmente dimórficos, com a sensibilização periférica funcional potencialmente mais proeminente em machos e alterações neuroquímicas em fêmeas, fornecendo uma base robusta para futuras investigações sobre a dor patológica na ATM e sua dependência sexual.
Referência: Alshanqiti I, Son H, Shannonhouse J, et al. Posttraumatic hyperalgesia and associated peripheral sensitization after temporomandibular joint injury in mice. Pain. 2024;166(7):1597-1609. Published 2024 Dec 17. Doi:10.1097/j.pain.0000000000003498
Escrito por Jayana Guimarães Louzeiro.
6. Um inibidor da enzima fosfodiesterase 2A reduz a dor e a inflamação após lesão medular em ratos Um estudo
demonstrou que um inibidor da enzima
fosfodiesterase 2A (PDE2A), denominado Bay
60-7550, reduz a dor e a inflamação em um
modelo de dor neuropática central induzida
por lesão medular em ratos. A PDE2A é uma
enzima que degrada AMPc e GMPc, que são
moléculas sinalizadoras intracelulares
importantes na transmissão, processamento e
cronificação da dor. As investigações foram
conduzidas em 2025 por pesquisadores
chineses, e apontaram que o aumento da
disponibilidade dessas moléculas
sinalizadoras pode representar uma
estratégia para o controle da dor pós-lesão
medular.
No estudo, os
ratos foram distribuídos entre os grupos com
indução do modelo de dor neuropática
pós-lesão medular tratados com veículo ou
com o inibidor de PDE2A, ou grupo
falso-operado (sham). Os tratamentos foram
realizados por via intratecal, uma vez ao
dia, por 6 dias após a cirurgia. Parâmetros
sugestivos de dor foram mensurados e, após
isso, os animais foram eutanasiados para
coleta dos segmentos da medula espinal
(T9–T11) para avaliar a expressão da
enzima-alvo, além dos níveis de fatores pró-
e anti-inflamatórios e das moléculas
sinalizadoras AMPc e GMPc, por diferentes
técnicas. Os resultados destas análises
indicaram que o inibidor reduziu o
comportamento nociceptivo, a expressão de
PDE2A e o consequente aumento dos níveis de
AMPc e GMPc, e marcadores anti-inflamatórios.
Dessa forma, a
administração de um inibidor da PDE2A
resulta em efeitos antinociceptivos e
anti-inflamatórios ao aumentar os níveis de
AMPc e GMPc na medula espinal. PDE2A pode
representar um alvo terapêutico promissor
para aliviar a dor neuropática e a
neuroinflamação após lesão medular.
Referência:
Yang W jie, Han J, Cao Z xin, Yang L, Wang J
nan, Sun T. Phosphodiesterase 2A as a
Therapeutic Target for Relieving Mechanical
Allodynia and Modulating Microglial
Polarization in Neuropathic Pain Models
Following Spinal Cord Injury. ACS Chem
Neurosci. 2025;16(14):2629-2638. doi:10.1021/acschemneuro.5c00169 Escrito por Sthefane Silva Santos.
7. Estudo em dor lombar crônica demonstra que a estimulação da concha e do lóbulo auricular produzem analgesia por vias neurais diferentes
Um ensaio clínico demonstrou que a estimulação transcutânea não invasiva da orelha reduz a intensidade da dor e a incapacidade em pacientes com dor lombar crônica. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Harvard no Hospital Geral de Massachusetts, investigou se o tratamento autoaplicado de estimulação do nervo vago auricular na concha, ou estimulação do nervo auricular maior no lóbulo, reduzem a dor lombar crônica e quais os mecanismos envolvidos.
O estudo incluiu 51 participantes com dor lombar e comparou os efeitos de quatro semanas de tratamento autoaplicado de 30 minutos diários, monitorado por telessaúde, sobre a intensidade da dor e a função de redes neurais envolvidas com a modulação da dor e sistemas de recompensa. Para elucidar os mecanismos, os participantes foram submetidos a exames de Ressonância Magnética Funcional antes e após o protocolo de tratamento. Os resultados de neuroimagem indicaram que, apesar da estimulação auricular nas diferentes regiões induzir analgesia clinicamente equivalente, os efeitos analgésicos foram mediados por vias neurais distintas. A estimulação auricular na concha aumentou a conectividade associada à modulação antinociceptiva. Em contraste, a estimulação auricular no lóbulo reduziu a conectividade de estruturas ligadas à função pró-nociceptiva.
O principal achado do estudo foi que a estimulação auricular tanto do nervo vago auricular na concha, quanto do nervo auricular maior no lóbulo, induz analgesia comparável, mas por mecanismos neurais distintos. A modulação diferencial dessas duas áreas sugere a possibilidade de aplicar a estimulação periférica para modular seletivamente os componentes sensoriais e afetivos da dor, aprimorando seu uso.
Referência: Li T, Wu Y, Li Y, et al. Transcutaneous auricular nerve stimulation modulates the functional connectivity of the descending pain modulation system and reward network in patients with chronic low back pain. Neurotherapeutics. 2025;22(5):e00611. doi:10.1016/j.neurot.2025.e00611
Escrito por Anna Beatriz Oliveira Cruz.
8. Índice de Fibromialgia reflete alterações da arquitetura de circuitos cerebrais da dor
Pesquisadores
da Universidade de Oxford demonstraram que o
Índice de Fibromialgia (FMI), uma pontuação
utilizada na prática clínica para
diagnosticar a fibromialgia, está associado
a alterações na conectividade estrutural do
cérebro. O estudo buscou validar se o FMI
pode refletir uma assinatura biológica
neural da dor nociplástica, e pode ser
extrapolado para outras síndromes dolorosas
fornecendo uma validação objetiva para
sintomas frequentemente vistos como
subjetivos. A dor nociplástica ocorre devido
a um processamento alterado da dor, mesmo
sem dano tecidual ou lesão nervosa
identificáveis. Como a fibromialgia é
considerada o principal arquétipo desse tipo
de dor, o estudo utilizou o FMI como
ferramenta central para investigar essa
condição. No estudo, os pesquisadores
analisaram dados de neuroimagem de mais de
40.000 pessoas do UK Biobank, coletados na
última década.
Dados de
ressonância magnética foram analisados e
correlacionados ao FMI. Os resultados
mostraram que um FMI mais alto se
correlaciona com maior conectividade entre a
substância cinzenta periaquedutal (PAG) e a
amígdala, e menor conectividade entre a PAG
e o hipotálamo. Essa associação foi
específica para a dor nociplástica,
diferindo da dor neuropática, e foi
parcialmente associada a sintomas como
fadiga e distúrbios do sono.
Portanto, o
estudo evidencia que o FMI reflete mudanças
nos circuitos cerebrais da dor, apoiando seu
uso como ferramenta clínica para facilitar a
identificação da dor nociplástica. Por outro
lado, as conclusões são limitadas por ser um
estudo transversal, que não estabelece
causalidade, e que pode ter viés de seleção
da coorte do UK Biobank.
Referência:
Kelleher EM, Lange F, Wanigasekera V, et al.
Brain signatures of nociplastic pain:
Fibromyalgia Index and descending modulation
at population level. Brain. Published online
August 17, 2025. doi:10.1093/brain/awaf307.
Escrito por Anna Beatriz Oliveira Cruz.
9. Estimulação do nervo vago na região da orelha reduz a dor da cesariana
Uma técnica
simples e não invasiva de estimulação
elétrica do nervo vago na região da orelha
reduz a dor após uma cesariana. É o que
revela um estudo realizado entre abril e
agosto de 2024 por médicos do Hospital
Afiliado da Universidade Médica de Xuzhou,
na China. O controle da dor após a cesariana
é realizado com analgésicos de uso oral,
entretanto, eles podem afetar o bebê durante
a amamentação. Considerando que a
estimulação transcutânea do nervo vago tem
mostrado resultados promissores no controle
da dor, os pesquisadores investigaram sua
eficácia na redução da dor pós-cesárea.
A pesquisa
acompanhou 156 mulheres que passaram por
parto cesáreo, divididas em dois grupos: o
grupo ativo recebeu a estimulação real no
nervo vago da orelha esquerda, e o grupo
placebo passou por um procedimento simulado,
sem aplicação da estimulação elétrica. A
aplicação durou 30 minutos por dia,
realizada no dia da cirurgia e nos dois dias
seguintes. Utilizando diferentes
questionários cientificamente validados, foi
avaliada a intensidade da dor, ansiedade
relacionada à gravidez, depressão pós-parto,
sono e recuperação da qualidade obstétrica
nessas participantes. No grupo ativo, a
estimulação reduziu a dor, a depressão e a
ansiedade, além de melhorar a recuperação e
a qualidade do sono em comparação com o
grupo placebo.
O estudo
evidenciou que a estimulação do nervo vago
na orelha é uma forma segura e eficaz de
aliviar a dor pós-cesárea, melhorar o
bem-estar e reduzir o uso de medicamentos
nos cuidados pós-parto. No entanto, os
pesquisadores ressaltam que ainda são
necessários estudos para determinar quanto
tempo os benefícios duram.
Referências:
Xiong X, Tao M, Zhao W, et al.
Transcutaneous Auricular Vagus Nerve
Stimulation for Postpartum Contraction Pain
During Elective Cesarean Delivery: A
Randomized Clinical Trial. JAMA Netw Open.
2025;8(8):e2529127. Published 2025 Aug 1.
doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.29127
Escrito por Dhara Leite Lopes.
10. Terapia Manual Osteopática reduz a dor lombar e produz mudanças imediatas na conectividade neural cerebral
Um estudo conduzido por pesquisadores italianos revelou que apenas uma sessão de Terapia Manipulativa Osteopática (TMO) reduz a dor e modula a conectividade funcional do cérebro em pacientes com dor lombar crônica. A dor lombar é um dos problemas de saúde mais prevalentes no mundo, com grande impacto social e econômico, e envolve vias complexas de processamento da dor. A TMO é uma abordagem de tratamento que envolve a manipulação de músculos e articulações, utilizada para tratar problemas musculoesqueléticos. Em busca de novas estratégias terapêuticas, cientistas da Universidade de Chieti-Pescara compararam intervenções reais e simuladas de TMO em pacientes com dor lombar crônica a fim de verificar se uma única sessão seria capaz de aliviar a dor e alterar regiões cerebrais relacionadas ao controle cognitivo e emocional da dor.
O estudo, derivado de uma coorte, incluiu 30 participantes que foram divididos em 2 grupos. O grupo TMO recebeu a técnicas manuais envolvendo pressão, tensão, alongamento e mobilização de músculos, articulações e tecidos moles; enquanto o grupo Sham recebeu um procedimento simulado sem técnicas terapêuticas específicas. Antes e após a sessão de intervenção, foram realizados exames de ressonância magnética funcional e aplicados questionários clínicos sobre dor, ansiedade e incapacidade física. O grupo submetido à TMO apresentou maior redução nos escores de dor, e aumento de conectividade em regiões pré-frontais e insulares, áreas relacionadas à avaliação e ao controle da dor. Essas mudanças se sobrepuseram a áreas ricas em receptores opioides, sugerindo que o sistema opioide endógeno pode estar envolvido na resposta cerebral de alívio da dor desencadeada pela TMO.
O estudo demonstrou que a TMO pode gerar analgesia e efeitos cerebrais imediatos, modulando regiões envolvidas no processamento da dor desde a primeira sessão, e possivelmente ativando o sistema opioide endógeno. Apesar do número reduzido de participantes, o trabalho oferece evidências sobre como a terapia osteopática pode influenciar a conectividade cerebral já na primeira sessão, incentivando pesquisas adicionais sobre tratamentos manuais para dor crônica.
Referência: Tomaiuolo F, Cerritelli F, Sestieri C, et al. Acute changes in functional connectivity associated with first osteopathic manual treatment in chronic low back pain spatially overlap with opioid receptor expression. Brain Res Bull. 2025;226:111375. doi:10.1016/j.brainresbull.2025.111375 Escrito por Maria Vitória Abreu Cardoso de Jesus. |