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Divulgação Científica
1. A sincronia da música no combate à dor
A música
alivia mais a dor quando é tocada no ritmo
natural de cada pessoa. Esse foi o principal
achado de uma pesquisa realizada por uma
equipe da Universidade McGill, no Canadá. A
pesquisa, que buscou entender se a
velocidade da música poderia influenciar a
percepção da dor, teve a participação de 60
jovens adultos saudáveis entre 2024 e 2025
em experimentos no laboratório de psicologia
da universidade. O objetivo da pesquisa foi
verificar o que acontece com a dor quando a
música é ajustada ao ritmo interno de cada
um. Os participantes, voluntários da
comunidade acadêmica, foram incluídos porque
já se sabia que a música podia aliviar a
dor, mas ainda não se entendia qual aspecto
dela gerava esse efeito.
Para chegar a
esses resultados, os cientistas mediram
primeiro o ritmo espontâneo dos
participantes pedindo que batessem no tempo
da canção infantil “Brilha, Brilha
Estrelinha”. Depois, aplicaram estímulos de
calor no antebraço, calibrados para provocar
dor leve a moderada, enquanto os voluntários
ouviam músicas em três versões: no seu ritmo
natural, 15% mais rápido ou 15% mais lento,
além de uma condição em silêncio. Ao final
de cada rodada, os participantes avaliaram a
intensidade da dor sentida. As análises
mostraram que, em média, a música reduziu
significativamente a dor em relação ao
silêncio. O maior alívio aconteceu quando a
melodia foi ajustada ao ritmo natural
individual, confirmando que a batida
sincronizada pode potencializar o efeito
analgésico da música.
Em resumo,
ouvir música no ritmo natural de cada pessoa
proporcionou a maior redução de dor. Esse
resultado pode impactar futuros tratamentos
personalizados, em que tecnologias ajustem
músicas preferidas para o “ritmo interno” do
paciente, ampliando o efeito terapêutico da
música. Apesar disso, os autores reconhecem
limitações: a redução da dor foi modesta e o
estudo incluiu apenas adultos jovens
saudáveis. Novas pesquisas com pacientes com
dor crônica e medições de atividade cerebral
estão previstas para confirmar e ampliar
esses resultados.
Referência: Yi
W, Palmer C, Serian A, Roy M.
Individualizing musical tempo to spontaneous
rates maximizes music-induced hypoalgesia.
Pain. 2025;166(8):1761-1768. Published 2025
Jan 28. doi:10.1097/j.pain.0000000000003513
Escrito por
Maria Eduarda Gonçalves Dos Santos.
2. Associação do risco de dor pélvica crônica pós-cesáreas
Estudo revela
que a cesariana dobra o risco de desenvolver
dor pélvica crônica (DPC) até dois anos após
o parto. Os pesquisadores avaliaram 2.160
mulheres pertencentes a coortes de Ribeirão
Preto - SP e São Luís - MA, acompanhadas
entre 12 e 24 meses pós-gestação. As
informações foram coletadas por meio de
questionários e analisadas por testes
estatísticos e inferência causal. Além da
cesárea, fatores como ansiedade,
discriminação, insatisfação com o
atendimento no parto e sofrimento mental
também possuem associação com a DPC. Dessa
forma, o estudo busca mostrar o impacto na
vida dessas mulheres, reforçando a
necessidade de reduzir o número de cesáreas.
Para obter os
resultados, os pesquisadores aplicaram
regressão logística e técnicas de inferência
causal com gráficos acíclicos direcionados (DAGs),
o que permitiu analisar melhor o efeito da
cesariana de outros fatores de confusão.
Também usaram imputação de dados ausentes e
testes de sensibilidade para aumentar a
confiabilidade. Com isso, o estudo não
apenas confirmou o risco aumentado, mas
indicou como fatores físicos do
procedimento, condições emocionais e sociais
das mulheres podem contribuir para o
desenvolvimento da dor pélvica crônica.
Diante disso,
a pesquisa evidencia que a cesariana aumenta
o risco de dor pélvica crônica após parto,
afetando a saúde materna. O resultado
reforça a necessidade de reduzir cesáreas
desnecessárias e ampliar políticas de parto
mais seguras. Apesar de limitações como
falta de dados, o uso de técnicas sólidas
favorece a interpretação e orienta pesquisas
futuras.
Referências:
Sousa Shimamura LK, Bettiol H, Moura da
Silva AA, Nogueira AA, Barbieri MA,
Rosa-E-Silva JC, Poli-Neto OB. Incidence of
chronic pelvic pain after childbirth and its
causal association with C-section. Pain.
2025 Jan 22;166(8):1847-1858. doi:
10.1097/j.pain.0000000000003519. PMID:
39841052. Escrito por Jéssica Juliana Quinto Lourenço.
3. Estimulação cerebral profunda da ínsula como alternativa para dor neuropática refratária
A dor
neuropática crônica afeta cerca de 7% da
população e, em até 40% dos casos, não
responde aos tratamentos medicamentosos
convencionais. O manejo da dor neuropática é
um desafio por se tratar de uma condição
aguda refratária. O estudo de fase 2 avaliou
a eficácia e segurança da estimulação
cerebral profunda (DBS) na região ínsula
posterior-superior (PSI) para dor
neuropática farmacorresistente.
Foi realizado
um ensaio clínico randomizado, duplo-cego,
controlado por placebo (sham), em modelo
cruzado, com 10 participantes entre 31 e 67
anos previamente responsivos à estimulação
magnética transcraniana profunda na mesma
região cerebral. O estudo teve três fases:
duplo-cego (6 meses), simples-cego (3 meses)
e aberto (6 meses). Os participantes tiveram
redução da intensidade média da dor, sendo
um tratamento potencial para a dor
refratária.
Os resultados
mostraram que a DBS ativa da PSI apresentou
alta probabilidade de reduzir a intensidade
da dor em comparação ao placebo, além de
melhorar qualidade de vida, sono, humor e
funcionalidade. Ao final da fase aberta, 70%
dos pacientes apresentaram alívio sustentado
da dor (≥30% de redução). Não foram
observados efeitos adversos graves, apenas
leves e transitórios, como dor no local da
incisão e cefaleia.
Conclui-se que
a estimulação da ínsula posterior-superior é
uma intervenção viável, segura e
potencialmente eficaz para o tratamento da
dor neuropática refratária. Os autores
recomendam novos estudos de fase 3 com
amostras maiores para confirmar os achados.
Referência:
Dongyang L, Cunha PHM, Lapa JDS, et al.
Insula Deep Brain Stimulation for
Neuropathic Pain: A Cross-Over, Randomized,
Sham-Controlled Trial. Neuromodulation.
Published online August 18, 2025. doi:10.1016/j.neurom.2025.07.001
Escrito por Aline Frota Brito.
4. Ergodicidade não é aplicável para pessoas com dor crônica, fibromialgia e endometriose
Pesquisadores
suecos apontam que ergodicidade (conclusões
sobre um indivíduo baseada em dados de um
grupo ao qual pertence) não é aplicável para
pessoas com dor crônica associada a
endometriose e fibromialgia. Os
pesquisadores tinham o objetivo de testar se
a hipótese de ergodicidade era válida por
meio da comparação e análise de dados
grupais e individuais sobre dor. Assim,
utilizaram o autorrelato contínuo sobre
variáveis constantemente relacionadas à dor:
intensidade da dor, interferência da dor,
sintomas depressivos, flexibilidade
psicológica, e catastrofização da dor.
O estudo era
observacional com amostra de 58 com
fibromialgia e 58 pessoas com endometriose.
Os dados analisados foram obtidos por um
formulário no software Redcap e um
aplicativo (m-path) em que coletaram dados
autorrelatados durante 42 dias. O
autorrelato era direcionado por 18 perguntas
baseadas em questionários já validados sobre
dor, em que havia perguntas sobre atividades
cotidianas, relações sociais, sono e humor.
Os questionários orientavam scores
posteriormente analisados de forma
individual.
Por fim, a
pesquisa pontua que há a necessidade de
maior cautela com o uso de dados grupais
para interpretações individuais de pessoas
com dor crônica, fibromialgia ou
endometriose. Os autores afirmam que
metodologias que capturem a dinamicidade e
individualidade da dor crônica podem ser
mais adequados para tratamentos mais
eficazes para a dor.
Referências:
Sundström FTA, Lavefjord A, Buhrman M,
McCracken LM. Are people with chronic pain
more diverse than we think? An investigation
of ergodicity. Pain. 2025;166(8):1859-1870.
Published 2025 Mar 18. doi:10.1097/j.pain.0000000000003573
Escrito por Ana Carolina Teles Marçal.
5. Dar e receber - como as trocas sociais moldam a dor
Pesquisadoras da Alemanha e do Reino Unido, no período de 2024 a 2025, propuseram um novo olhar sobre como a dor é entendida socialmente, sendo uma espécie de contrato social. Foram analisados a forma como pessoas em dor interagem com familiares, amigos e profissionais de saúde, e mostraram que tanto quem sente dor quanto quem observa precisam negociar constantemente se o pedido de ajuda é verdadeiro e se a resposta será justa. O trabalho busca explicar por que as pessoas com dor crônica relatam sentir-se desacreditadas, estigmatizadas ou injustiçadas, e como essas barreiras sociais podem agravar ainda mais o sofrimento.
O estudo revisou pesquisas anteriores e aplicou conceitos da psicologia evolutiva e da teoria dos contratos sociais para entender a comunicação da dor. A proposta mostra que, em interações sociais, a pessoa em dor precisa convencer sua necessidade, enquanto o observador tenta decodificar sinais que nem sempre são claros para decidir se deve ou não oferecer ajuda. Esse processo é influenciado por crenças, valores culturais e indisponibilidade dos recursos disponíveis, o que pode levar a desconfianças e recusa de benefícios. Situações em que a pessoa com dor é acusada de fingir, não ser levada a sério por médicos ou ter ajuda negada em casa foram descritas como exemplos de quebra do contrato social da dor.
O estudo reforça que a dor não é apenas uma experiência física, mas também social, pois quem sofre depende do reconhecimento e da resposta dos outros. A pesquisa sugere que aumentar a consciência sobre esses processos pode melhorar a relação entre pacientes e cuidadores, além do incentivo para estudos posteriores.
Referência: Kappesser J, Williams ACC. Give and take: an evolutionary framework for social transactions in pain. Pain. 2025;166(8):1723-1728. Published 2025 Feb 21. doi:10.1097/j.pain.0000000000003520
Escrito por Maria Eduarda Rodrigues de
Souza Ribeiro.
6. A melhora do sono por formulação sublingual reduz a dor em pacientes com fibromialgia Um estudo
publicado em 2025 demonstrou que uma
formulação sublingual de ciclobenzapina, um
relaxante muscular, melhorou o sono não
restaurador, reduziu a dor e a fadiga de
pacientes com fibromialgia. O estudo foi
conduzido por pesquisadores em múltiplos
centros clínicos nos Estados Unidos, entre
2022 e 2024.
A abordagem
sugerida considera que a fibromialgia é uma
síndrome dolorosa de fisiopatologia
complexa, cujo sono não restaurador consiste
num dos fatores chave que intensifica a dor,
mas que costuma ser tratado como um sintoma
secundário. Além disso, o tratamento atual
da fibromialgia é realizado por via oral e
associado a efeitos adversos limitantes,
como sedação diurna e lentidão cognitiva.
Dessa forma, a formulação sublingual testada
neste estudo foi desenvolvida para gerar
pico plasmático durante o período crítico do
sono profundo, fase tipicamente reduzida em
fibromiálgicos, e para evitar o metabolismo
de primeira passagem, reduzindo a formação
de metabólitos associados a efeitos
adversos.
O estudo
incluiu 458 adultos distribuídos em dois
grupos: tratados com formulação ou placebo,
administrados à noite por 14 semanas. A
eficácia do tratamento foi avaliada por um
diário eletrônico para registro da
intensidade da dor e questionários de
impacto global na função física, sintomas e
interferência na condição de vida, da
percepção de melhora subjetiva do paciente e
de distúrbios do sono e fadiga, aplicados em
visitas semanais. A formulação melhorou o
sono, reduziu a dor, a fadiga e melhorou a
funcionalidade no grupo intervenção desde as
primeiras semanas de tratamento. Em relação
aos eventos adversos, foram observados
efeitos leves e temporários como dormência e
mudança de sabor, esperados da via
sublingual.
A pesquisa
evidenciou que tratar o sono não restaurador
com uma formulação sublingual de
ciclobenzaprina reduz a dor e a fadiga na
fibromialgia, com melhor tolerabilidade em
relação ao tratamento convencional por via
oral.
Referência:
Lederman S, Arnold LM, Vaughn B, Engels JM,
Kelley M, Sullivan GM. Pain Relief by
Targeting Nonrestorative Sleep in
Fibromyalgia: A Phase 3 Randomized Trial of
Bedtime Sublingual Cyclobenzaprine. Pain Med.
Published online July 8, 2025. doi:10.1093/pm/pnaf089 Escrito por Nícolas Pedro Bastos Barboza.
7. Pacientes com lesão de chicote cervical sem sinais neurológicos podem exibir alterações no tecido nervoso
Uma pesquisa realizada no Reino Unido e publicada em 2025 mostrou que pessoas com lesão de chicote cervical aguda desenvolvem neuroinflamação periférica. Lesão de chicote cervical é uma lesão nos tecidos moles do pescoço causada por um movimento brusco da cabeça para frente e para trás, como um chicote, comum em acidentes de carro. A maioria dos pacientes apresentam dor no pescoço e ombros e sinais musculoesqueléticos sem sinais neurológicos, de modo que é uma síndrome dolorosa classificada e tratada como nociceptiva. Nesse estudo, os pesquisadores investigaram a presença de neuroinflamação periférica nesses pacientes, para buscar evidências do envolvimento do tecido nervoso.
O estudo recrutou 122 participantes com lesão de chicote cervical sem sinais neurológicos para investigar sinais de neuroinflamação. Os participantes com lesão foram comparados com 43 indivíduos saudáveis. Os pesquisadores usaram ressonância magnética, questionários de catastrofização da dor, de ansiedade, depressão e estresse, avaliação clínica, testes de sensibilidade e análise de citocinas inflamatórias no sangue para investigar a presença de inflamação nos nervos do plexo braquial e nos gânglios da raiz dorsal. Os achados da ressonância magnética detectaram sinais de edema intraneural associado à neuroinflamação nos nervos das raízes do plexo braquial e nos gânglios da raiz dorsal. Além disso, os participantes com lesão exibiram níveis moderados de ansiedade, depressão e estresse; 55% deles apresentaram hipersensibilidade mecânica e 47% manifestaram alterações somatossensoriais. Houve também a elevação dos níveis séricos de IFN-γ, IL-6 e IL-8 no grupo com lesão, indicando inflamação sistêmica.
Os resultados demonstram a presença de neuroinflamação periférica em indivíduos com lesão de chicote cervical sem sinais neurológicos, o que pode indicar a necessidade de reconsiderar o manejo desses pacientes, incorporando tratamentos direcionados para dor neuropática. Entretanto, mais estudos são necessários para determinar a correlação entre os achados dos exames de imagem e as manifestações clínicas da dor.
Referência: Ridehalgh C, Fundaun J, Bremner S, et al. Evidence for peripheral neuroinflammation after acute whiplash. Pain. 2025;166(10):2285-2299. doi:10.1097/j.pain.0000000000003560
Escrito por Ana Carolina Lucchese Velozo.
8. Inibidor oral seletivo do canal Nav1.8 apresenta eficácia clínica contra dor crônica periférica
Pesquisadores
relataram resultados promissores com um novo
fármaco oral seletivo para o canal de sódio
Nav1.8, testado em pacientes com neuralgia
pós-herpética. O estudo de prova de
conceito, randomizado, duplo-cego e
controlado por placebo, evidenciou que o
composto VX-548 promoveu redução
clinicamente relevante da dor, reforçando o
papel desse canal na fisiopatologia da dor
crônica periférica.
Ao longo de 28
dias, indivíduos com dor neuropática
refratária receberam doses de VX-548,
resultando em diminuição significativa na
intensidade da dor espontânea, além de
melhora na função sensorial. O fármaco atua
bloqueando seletivamente o canal Nav1.8,
expresso principalmente em neurônios
sensoriais, sem comprometer a condução
nervosa normal, fator diferencial frente a
analgésicos convencionais.
Além da
eficácia, o inibidor demonstrou perfil de
segurança favorável, com efeitos adversos
leves e bem tolerados. Essa abordagem evita
os efeitos colaterais sistêmicos de opioides
e antidepressivos, reforçando seu potencial
como terapia não opioide para dor crônica.
Os achados
validam o canal Nav1.8 como alvo terapêutico
e posicionam o VX-548 como uma promissora
estratégia farmacológica oral, segura e
eficaz, para pacientes com dor neuropática
de difícil controle.
Referência:
Lagarde MMM, Wilbraham D, Martins RF, et al.
Clinical proof-of-concept results with a
novel TRPA1 antagonist (LY3526318) in 3
chronic pain states. Pain. 2025;166(7):
1497-1518. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003487
Escrito por Letícia Amorim Utsch.
9. Aumento do estímulo nociceptivo causado por autoanticorpos em quadros de osteoartrite degenerativa
A Osteoartrite
Degenerativa (OA) é uma doença crônica das
articulações causada por diversos fatores
que têm como mecanismo lesivo a degradação
progressiva das cartilagens, com alterações
ósseas subjacentes e danos potenciais. Nesse
sentido, têm-se levantado questões quanto às
origens de dor na OA, visto que ainda
contempla pontos não explorados. Com isso,
um estudo buscou abordar a sensibilização
nociceptiva da doença utilizando Iodoacetato
Monossódico (MIA) em amostras de camundongos
com OA para induzir o desgaste das
cartilagens articulares e, assim, avaliar os
fatores imunes, bioquímicos e
comportamentais. Os resultados sugerem uma
importante contribuição do sistema imune no
desenvolvimento de dor após lesão.
O estudo
comparou camundongos machos e fêmeas
selvagens com 3 meses de idade e um grupo
controle, mas sem células B. O MIA foi
injetado unilateralmente nos joelhos dos
camundongos em cada grupo, como também se
aplicou testes comportamentais nociceptivos
e coleta de anticorpos para correlações de
transferência passiva. Para além das
amostras animais, o estudo integrou dados de
10 pacientes com AO que estavam na fila para
a operação. Após a injeção de MIA
constatou-se que os camundongos apresentaram
alodinia crônica nos membros inferiores,
hiperalgesia e perda de peso, enquanto o
grupo sem células B não desenvolveu tais
comportamentos.
Com isso, o
presente estudo possibilitou a identificação
de fatores contribuintes para comportamentos
relacionados à dor no contexto da OA
utilizando o modelo com amostras de
camundongos. A partir da análise, abordar a
sensibilização nociceptiva pode viabilizar
processos para medidas terapêuticas
eficientes voltadas ao controle da dor da OA.
Além disso, os autoanticorpos identificados
poderiam ser usados como biomarcadores para
o diagnóstico de OA, permitindo um
monitoramento mais preciso, bem como um
recurso de suporte para contribuir na
fisiopatologia do quadro, favorecendo a
construção de alvos para possíveis
tratamentos.
Referência:
Guo TZ, Shi X, Li X, et al. Autoantibodies
cause nociceptive sensitization in a mouse
model of degeneration osteoarthritis. Pain.
2024;166(7):1519-1531. Published 2024 Dec
17. Doi:10.1097/j.pain.0000000000003500.
Escrito por Pedro Henrique Rodrigues de
Souza.
10. Receptores GABAA extra sinápticos no tronco cerebral são chave para anestesia sem dor
Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém identificaram os principais alvos moleculares e celulares dos anestésicos GABAérgicos em uma região específica do tronco encefálico chamada área anestésica tegmentar mesopontina (MPTA). Utilizando técnicas farmacológicas e genéticas em ratos, o estudo revelou que os anestésicos induzem a perda de consciência e analgesia ao inibir células específicas — os chamados “neurônios-d” — que expressam receptores GABAA com subunidade delta.
No estudo, pequenas doses de agentes GABAérgicos foram injetadas diretamente na área anestésica tegmentar mesopontina de ratos anestesiados, prolongando significativamente o tempo de inconsciência. A técnica usada, chamada “tempo bônus”, permitiu medir o quanto essas substâncias estendiam o efeito anestésico. Os anestésicos eficazes ativaram exclusivamente receptores GABA, localizados em interneurônios que inibem os neurônios “efetores” da área anestésica tegmentar mesopontina — estes últimos são os responsáveis por induzir o estado anestésico. Agentes que atuam em outros receptores, como benzodiazepínicos, não tiveram efeito. A presença dos receptores foi confirmada por técnicas de imunomarcação e microscopia confocal.
O estudo conclui que os receptores GABA são os principais mediadores da ação anestésica na área anestésica tegmentar mesopontina. Esse achado pode permitir o desenvolvimento de anestésicos mais seletivos, capazes de induzir a analgesia profunda sem afetar a consciência. No entanto, por se tratar de um modelo animal, mais estudos são necessários antes de considerar aplicações clínicas em humanos.
Referências: Baron M, Vaso K, Ibraheem A, Minert A, Devor M. Molecular and cellular targets of GABAergic anesthetics in the mesopontine tegmentum that enable pain-free surgery. Pain. 2024;166(7):1549-1564. Published 2024 Dec 30. doi:10.1097/j.pain.0000000000003504 Escrito por Clara Leite Trigueiro Borges. |