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Divulgação Científica
1. Fatores biológicos e psicossociais são determinantes na evolução da Síndrome de Dor Regional Complexa
Um estudo
observacional prospectivo buscou investigar
como a Síndrome Dolorosa Complexa Regional (SDCR)
evolui pontuando os principais aspectos
prognósticos para o quadro. Para isso,
realizou-se um acompanhamento longitudinal
entre os participantes durante um ano. Os
pesquisadores identificaram fatores iniciais
que se associaram a piores desfechos, como
um maior impacto psicossocial relacionado à
dor, menor apoio social, maior índice de
massa corporal e maior sensibilidade à dor
provocada por estímulos leves. Ao final, a
análise evidenciou que tal evolução está
relacionada a fatores físicos e, também,
àqueles ligados ao bem-estar e ao contexto
biopsicossocial dos pacientes.
A pesquisa
incluiu 113 pessoas que apresentavam SDCR em
fase inicial (há seis meses). Entre os
aspectos relacionados à condição estavam: a
intensidade da dor, alterações físicas,
capacidade funcional e fatores psicossociais
relacionados à experiência da dor. Embora os
resultados mostraram uma tendência geral de
melhora em muitos participantes, o estudo
identificou que uma parte apresentava dor
persistente e limitações funcionais,
indicando que a condição pode se tornar
duradoura em parte dos casos.
O estudo
conclui que a evolução da SDCR é
influenciada por múltiplos fatores que podem
ser identificados de forma precoce e
pontual. Embora muitos pacientes apresentem
melhora ao longo do tempo, uma parcela
significativa mantém sintomas importantes
após um ano. Dessa forma, os resultados
apontam que os fatores físicos e
psicossociais contribuem para o curso da
doença e que a identificação oportuna desses
elementos pode auxiliar na compreensão da
evolução da síndrome. Assim, contribuindo
para o desenvolvimento de instrumentos de
investigação diagnóstica, tais como o
fluxograma que detalha a abordagem potencial
da gestão precoce para o quadro. A partir de
tal ferramenta, direciona intervenções desde
práticas gerais até tratamentos de segunda e
terceira linha, otimizando o cuidado em
saúde.
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Figura 1 (adaptada): Abordagem
potencial de gestão precoce,
estratificada e personalizada
com base nos perfis da SDRC
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Referências:
-
Louis,
mArc-Henria et al Complex regional
pain syndrome evolution is
determined by both biological and
psychosocial factors: a 1-year
prospective observacional study.
PAIN 167(2):p 396-413, february
2026. | DOI: 10.1097/j.pain.0000000000003815
-
https://journals.lww.com/áin/fulltext/2026/02000/complexregional
pain syndrome evolution is.20.aspx
Escrito por
Edgar Tharlindher de Souza Aquino, Lucas
Marques da Silva Araújo e Pedro Henrique
Rodrigues de Souza.
2. Dor cervical crônica em adultos
Você sabia que
a dor no pescoço pode afetar aspectos da
vida diária, interferindo no sono, no humor
e no desempenho no trabalho? Um estudo
publicado em 2025 no Brazilian Journal of
Pain analisou as características da dor
cervical crônica e suas interferências no
cotidiano de adultos. A pesquisa buscou
compreender como a intensidade da dor
impacta a qualidade de vida e a
funcionalidade desses indivíduos,
considerando aspectos físicos, emocionais e
sociais.
A dor cervical
crônica é uma condição comum, capaz de
causar limitações e comprometer a capacidade
funcional. O estudo foi realizado com
adultos acompanhados em um serviço de
atenção à saúde. Os pesquisadores aplicaram
questionários sociodemográficos e
instrumentos específicos para avaliação da
intensidade da dor e de seu impacto no
cotidiano. Os resultados indicaram
predominância do sexo feminino, maior
concentração em classes sociais mais baixas
e presença frequente de alterações no sono.
Observou-se que a dor apresentou intensidade
moderada e interferiu principalmente no
humor, no sono, no trabalho e nas atividades
gerais. Além disso, verificou-se que a dor
cervical pode irradiar para outras regiões
do corpo, como cabeça, ombros e costas,
ampliando seu impacto na vida e no
desempenho funcional diário dos
participantes.
Por fim, o
estudo destaca a importância de uma
abordagem integral no cuidado às pessoas com
dor cervical crônica. Os autores reforçam a
necessidade de ações multidisciplinares que
considerem não apenas a dor física, mas
também os aspectos emocionais, sociais e
funcionais, com foco na melhoria da
qualidade de vida.
Referência:
Toledo A de O, Fontenele TM de O, Rela M de
OV, Rodrigues CEM, Gomes JMA, Abdon APV.
Características da dor e interferências em
aspectos da vida em adultos com dor cervical
crônica. BrJP [Internet]. 2025;8:e20250015.
Available from: https://doi.org/10.63231/2595-0118.20250015-pt Escrito por Camilly Lorena da Silva Batista, Giovana Martins Alcantara, Karolina Guimarães Timóteo e Manuela Barros de Castro.
3. Pilates leve ou intenso? Estudo aponta efeitos semelhantes no alívio da dor lombar crônica
Um estudo
recente mostrou que tanto o Pilates de baixa
intensidade quanto o de alta intensidade
reduzem a dor lombar crônica de forma
semelhante, porém, a prática de baixa
intensidade apresenta menos desconforto e
menor quantidade de eventos adversos.
Publicado em 2025, pesquisadores brasileiros
avaliaram 170 pessoas de 18 a 60 anos com
dor lombar crônica inespecífica (DLCI) no
Laboratório de Pilates do Departamento de
Fisioterapia da Universidade Federal do
Ceará. A DLCI é caracterizada por uma dor na
parte baixa das costas que dura mais de três
meses e não tem uma causa específica
identificada, e atinge parte da população
sendo uma das principais condições que causa
afastamento do trabalho no mundo.
Os
participantes foram divididos em dois grupos
e foram submetidos a exercícios de Pilates
durante 6 semanas, 2 vezes por semana com
sessões de 1h com acompanhamento
profissional e reavaliações 6 e 12 meses
após as intervenções. Os pesquisadores
avaliaram o nível de dor, a dificuldade para
realizar atividades do dia a dia e a
evolução dos participantes ao longo do
tratamento, comparando os resultados entre
os dois grupos de alta e baixa intensidade.
Os resultados
mostraram que ambas as intensidades
reduziram a dor e melhoram a função. A
diferença entre os efeitos foi pequena,
considerando que apenas 12 sessões de
intervenção foram aplicadas ao longo de toda
a pesquisa, fator que pode ter limitado os
resultados. No entanto, o grupo que realizou
exercícios mais intensos apresentou mais
desconforto e maior número de eventos
adversos. Assim, os autores sugerem que o
Pilates de leve intensidade surge como uma
opção eficaz e mais confortável para iniciar
o tratamento.
Referência:
Coelho ACS, Dourado JF, Lima POP.
High-intensity and low-intensity Pilates
have similar effects on pain and disability
in people with chronic non-specific low back
pain: a randomised trial. J Physiother.
2025;71(2):100-107. doi:10.1016/j.jphys.2025.03.002
Escrito por Erick Henrique Lemes de
Sousa, Maísa Luana Félix Mendes, Pedro
Henrique Benedito Dias e Sarah Alves de
Oliveira.
4. Exercício físico reduz a dor e mantém a independência funcional em idosos com osteoartrite de joelho
Um estudo
realizado no Brasil mostrou que a prática
regular de exercício físico reduz a dor no
joelho e aumenta a independência funcional
de idosos com osteoartrite. A pesquisa
avaliou 193 idosos ativos e 25 sedentários
comparando modalidades de exercício
(aeróbico, alongamento e fortalecimento
muscular) e frequências.
O estudo foi
conduzido em instituições de prática de
atividade física para idosos e analisou a
dor articular e a capacidade de realizar
Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD).Os
pesquisadores investigaram como o tipo e a
frequência do exercício influenciam a
percepção da dor e a autonomia funcional,
fundamental para a qualidade de vida dessa
população. É um estudo observacional
transversal que utilizou o STROBE
(Fortalecendo o Relato de Estudos
Observacionais em Epidemiologia).
Os
participantes foram divididos em grupos de
treinamento aeróbico, alongamento ou
fortalecimento muscular, realizados de 1 a 3
vezes semanais, além de um grupo controle
sedentário. A dor no joelho foi avaliada
através da escala numérica de 0 a 10, e a
independência funcional foi mensurada pela
Escala de Lawton, que avalia as Atividades
Instrumentais da Vida Diária (AIVDs). Os
resultados mostraram que exercícios de
fortalecimento muscular, independentemente
da frequência semanal, e exercícios
aeróbicos ou de alongamento realizados ao
menos 2 vezes por semana foram eficazes na
redução da dor e na manutenção da
independência funcional. O estudo indica que
a prática regular de exercícios físicos está
associada à redução da dor e à melhora da
independência funcional em idosos com
osteoartrite de joelho.
O
fortalecimento muscular apresentou melhores
resultados no controle da dor, enquanto os
exercícios de alongamento e aeróbico
estiveram mais relacionados à autonomia
funcional. Dessa forma, a escolha da
modalidade e da frequência do exercício deve
considerar o objetivo terapêutico, seja na
redução da dor ou na melhora da
funcionalidade.
Referência:
Bersotti FM, Silva RPD, Alonso AC, Brech GC,
Serrão PRMDS, Ervilha UF. FREQUENCY AND
MODALITY OF EXERCISE ON PAIN AND
INDEPENDENCE IN ELDERLY INDIVIDUALS WITH
OSTEOARTHRITIS: A CROSS-SECTIONAL STUDY.
Acta Ortop Bras. 2025;33(1):e280703.
Published 2025 Feb 3. doi:10.1590/1413-785220253301e280703
Escrito por Beatriz Alves Pereira,
Isadora Coelho da Silva, Karen Jennifer
Torres Calazans e Mirela Araújo dos Santos.
5. Entre a dor e o cuidado - o papel dos opioides na analgesia cirúrgica
A administração de opioides faz se necessária no contexto cirúrgico, tendo em vista a procedência dolorosa dos procedimentos. Um estudo de revisão sistemática de escopo realizado na Austrália coletou informações de 100 pesquisas para avaliar os impactos da administração de opioides nesse ambiente, o qual evidenciou que há desafios no manejo da dor relacionados à prescrição e o cuidado individualizado ao paciente.
Esse estudo analisou 100 pesquisas realizadas entre 2017 e 2024, majoritariamente nos Estados Unidos. Os pacientes das amostras foram submetidos a diferentes tipos de cirurgias, sendo 29% ortopédicas e 23% gerais, com predominância de indivíduos não expostos previamente a opioides (63%) e nenhum deles era tolerante. Isso proporcionou uma avaliação sem influências para o uso do medicamento. Em geral, os estudos apresentaram objetivos diferentes de otimizar o uso racional deles e os resultados indicaram que a administração controlada de opioides reduziu o número de prescrições sem prejudicar os desfechos clínicos, como aumento de pontuações de dor, tempo de internação e satisfação do paciente. Dessa forma, a gestão do uso de opioides, levou a uma redução do número de prescrições, ou seja, maiores prescrições de medicamentos analgésicos não opioides também promoviam alívio da dor de maneira segura nesse contexto.
Contudo, foram identificadas barreiras importantes, como a falta de treinamento das equipes, resistência à mudança de hábitos prescritores e comunicação ineficaz entre os profissionais. Dessa forma, esse estudo recomenda a implementação de estratégias educativas e o monitoramento contínuo do uso de opioides mostram-se fundamentais para promover uma analgesia segura e eficaz. A revisão conclui que a administração racional de opioides pode aprimorar a qualidade do cuidado sem comprometer os resultados clínicos, equilibrando o controle adequado da dor e a redução de riscos associados ao uso excessivo.
Referência: Assefa DZ, Xia T, Tefera YG, Jung M, Nielsen S. Impacts of opioid stewardship in surgical settings: a scoping review. Pain. 2025;166(10):2249-2260. doi:10.1097/j.pain.0000000000003594
Escrito por Aline Frota Brito.
6. Ativação do canal TRESK reduz excitabilidade de neurônios pruriceptores Um estudo
liderado na Universidade de Barcelona revela
que o aumento da atividade do canal de
potássio TRESK diminui a excitabilidade de
neurônios sensoriais envolvidos na
transmissão da coceira, especialmente na
forma não-histamínica. Usando modelos de
ratos e técnicas de eletrofisiologia, os
pesquisadores demonstraram que a modulação
do TRESK regula a frequência de disparo de
neurônios que expressam receptores
sensoriais específicos, como MrgprA3.
Estudos in vitro e in vivo mostraram que
ativar o canal reduz respostas pruricíferas
a estímulos químicos, indicando sua
potencial aplicação terapêutica em
dermatites e outras doenças com prurido
crônico.
Para
investigar o papel do TRESK na
excitabilidade neuronal, os autores
empregaram cultura de neurônios sensoriais,
eletrofisiologia e modelos knockout. A
ausência do canal aumentou a frequência de
disparos em neurônios que expressam
receptores do prurido, como MrgprA3. A
administração de ativadores específicos do
TRESK reduziu a resposta ao estímulo
pruritogênico, promovendo hiperpolarização
da membrana. Esses procedimentos confirmaram
a coexpressão do TRESK em neurônios
envolvidos na transdução do prurido,
evidenciando sua importância na modulação da
resposta sensorial.
A evidência de
que a ativação do TRESK reduz a
excitabilidade dos neurônios pruriceptivos
apoia seu papel como alvo promissor para o
tratamento de prurido crônico. Terapias que
aumentem sua atividade podem representar uma
estratégia eficiente na mitigação de
sintomas em doenças dermatológicas, embora
seja necessário aprofundar estudos clínicos
para avaliar sua segurança, eficácia e
possível limitação na tradução para humanos.
Referência:
Llimós-Aubach J, Andres-Bilbe A, Pujol-Coma
A, et al. TRESK background potassium channel
regulates MrgprA3 + pruriceptor excitability,
acute and chronic itch. Pain.
2025;166(8):1796-1810. Published 2025 Mar 6.
doi:10.1097/j.pain.0000000000003540 Escrito por Emanuelle Lorraine Nolêto das Neves.
7. Impacto do mindfulness na disfunção temporomandibular em mulheres com dor crônica
Será que a dor está na sua cabeça? Você pode encontrar a resposta no ensaio clínico randomizado “Impacto de uma Intervenção Baseada na Atenção Plena na Dor e Fatores Psicológicos em Mulheres com Distúrbios Temporomandibulares Dolorosos Crônicos” publicado em dezembro de 2025 no Jornal de Reabilitação Oral. A Disfunção Temporomandibular (DTM) pode estar associada a várias condições de dor, comportamento e emoções disfuncionais. Assim, os autores buscam avaliar se uma estratégia psicossocial reduz a dor, o estresse e pensamentos negativos associados à dor crônica na DTM por meio da prática de atenção plena (mindfulness).
Participaram do estudo 84 mulheres com dor crônica relacionada à DTM, divididas aleatoriamente em grupo intervenção e controle no centro de terapia integrativa da USP. O grupo de intervenção participou de um programa de mindfulness por 8 semanas, enquanto o controle não recebeu tratamento. Ao decorrer do estudo, todas passaram por avaliações clínicas e responderam questionários sobre dor, estresse, pensamentos negativos relacionados à dor e atenção plena. Evidenciou-se que a prática de mindfulness reduziu o número de pontos dolorosos ao exame clínico, o estresse e pensamentos catastróficos relacionados à dor, e aumentou a tolerância à pressão dolorosa.
Conclui-se, que a prática de mindfulness pode reduzir a sensação dolorosa, o estresse e a sensibilidade a estímulos dolorosos por todo o corpo. Sendo uma estratégia válida para o manejo sensorial, cognitivo, comportamental e emocional da DTM relacionada à dor. Além de ser uma técnica não farmacológica e de baixo custo. Uma limitação é o tempo necessário para desenvolver a sua prática.
Referências: de Oliveira Melchior M, Magri LV, Díaz-Serrano KV, et al. Impacto de uma intervenção baseada em mindfulness na dor e fatores psicológicos em mulheres com distúrbios temporomandibulares dolorosos crônicos. J Reabilitação Oral. 2025; 52(12):2269-2281. doi:10.1111/joor.70028.
Escrito por Andressa Danyella Lacerda de
Oliveira, Layslla Monique Carvalho de Matos,
Maria Eduarda da Silva Lopes e Victoria
Maria Silva Candeira.
8. Assinaturas proteômicas permitem diagnóstico e prognóstico de dor crônica e generalizada
O estudo
identificou assinaturas proteômicas no
plasma que permitem diagnosticar a dor
crônica, prever sua intensidade e progressão
por até 13 anos e identificou 18 proteínas
com relevância causal que servem como novos
alvos para o tratamento da dor. Realizado no
Reino Unido juntamente com colaboração
internacional de pesquisadores de
instituições renomadas, analisou 2.920
proteínas de 29.254 participantes. Essa
pesquisa identificou proteínas no plasma
para diagnosticar e prever a progressão da
dor crônica. Foram aplicados questionários
online, nos anos de 2019 e 2022, para o
monitoramento da evolução da dor. Essa
análise foi motivada porque a dor crônica
afeta 27,5% da população mundial, sendo uma
das principais causas de incapacidade.
O estudo
analisou associação proteômica ampla,
validação cruzada, randomização mendeliana e
análise de reposicionamento de fármacos. Com
objetivo de melhorar os diagnósticos de dor
crônica, visto que é uma doença que carece
de indicadores biológicos claros. Por meio
dessas análises, buscaram entender as causas
biológicas da dor para prever sua evolução e
descobrir novas terapias. O estudo buscou
investigar biomarcadores presentes no plasma
sanguíneo que possam ajudar a diagnosticar,
prever e até tratar a dor crônica e
generalizada. Os pesquisadores utilizaram
uma abordagem proteômica em larga escala e
construíram um escore proteico capaz de
identificar pessoas com dor crônica
disseminada e prever a evolução da dor,
relacionado a intensidade e propagação da
dor. O escore foi comparado a modelos
clínicos tradicionais e demonstrou maior
precisão na distinção entre indivíduos com e
sem dor.
O principal
alvo do estudo foi a identificação de
proteínas que permitam prever a progressão,
intensidade e início da dor crônica.
Identificou proteínas com relevância causal,
o que pode revolucionar a medicina da dor e
facilitar o diagnóstico. A análise do estudo
é uma ferramenta fundamental para ampliar a
compreensão da dor. O estudo apresenta
limitações, à não diversidade étnica,
sobreposição de dados, mecanismos
biológicos, cobertura proteômica e falta de
validação externa.
Referências:
Chen L, Kelleher E, Meng R, et al. Diagnosis,
Prognosis, and Drug Target Discovery for
Chronic Widespread Pain: A Large
Proteogenomic Study. Adv Sci (Weinh).
2025;12(47):e07691. doi:10.1002/advs.202507691
Escrito por Ana Júlia Magalhães de
Queiroz Melo, Sarah Helen Pereira Sardeiro,
Jennifer Moraes de Souza e Yasmin Cristina
de Castro Rodrigues.
9. Exposição à luz verde reduz dor em modelo experimental de osteoartrite
Um estudo
publicado em junho de 2025 demonstrou que a
exposição à luz verde de baixa intensidade
reduz a dor em um modelo experimental de
osteoartrite. Conduzida na Universidade de
Dalhousie, no Canadá, a pesquisa utilizou 98
ratos Wistar, machos e fêmeas, submetidos à
indução da doença para avaliar a capacidade
da terapia luminosa de modular mecanismos
associados à dor persistente. Após o
estabelecimento do modelo, os animais
expostos apresentaram aumento do limiar
mecânico e melhora do comportamento
relacionado à dor em comparação ao grupo
controle, evidenciando efeito analgésico
consistente.
Avaliações
comportamentais, eletrofisiológicas e
moleculares foram integradas para examinar
os efeitos da terapia luminosa. Observou-se
redução da hipersensibilidade mecânica
acompanhada por aumento de mediadores
lipídicos circulantes ligados à modulação do
sistema endocanabinoide. O bloqueio
farmacológico desses receptores suprimiu o
efeito analgésico, reforçando a participação
dessa via na resposta observada. A
intervenção ocorreu após fase já
estabelecida da osteoartrite, situando os
achados em um cenário mais compatível com
dor persistente do que com processos
inflamatórios agudos.
Os resultados
indicam que a exposição à luz verde pode
reduzir a dor por mecanismos sistêmicos com
provável repercussão central, expandindo o
potencial das abordagens não farmacológicas
no manejo da dor crônica. Ainda assim, os
achados se restringem a modelo animal e a
curto período de intervenção, sendo
necessários estudos clínicos para avaliar
sua aplicabilidade clínica.
Referência: O'Brien
MS, Richter E, Woodward T, Bradshaw HB,
McDougall JJ. Visual exposure to green light
therapy reduces knee joint pain and alters
the lipidome in osteoarthritic rats. Pain.
2025;166(6):1274-1284. doi:10.1097/j.pain.0000000000003458
Escrito por Alana Luiza Nogueira da
Silva, Ana Clara Coelho Patricio Silva,
Doracy Rayanne Silva Santos e Letícia Amorim
Utsch.
10. Canabidiol reduz dor crônica ao modular células gliais e estresse oxidativo
Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (USP) demonstraram que o canabidiol (CBD) reduz a dor facial neuropática modulando células gliais e espécies reativas de oxigênio (ERO), com mecanismos distintos entre os sexos. O estudo avaliou 192 ratos com neuralgia do trigêmeo, comparando três doses de CBD (3, 10 e 30 mg/kg) à carbamazepina. O CBD aumentou o limiar mecânico de dor sem afetar a locomoção, ao contrário da carbamazepina, que causou prejuízo motor. Pela primeira vez, observou-se que o CBD diminui a proteína Fos-B, a ativação glial e o estresse oxidativo em regiões cerebrais ligadas à dor facial, com fêmeas respondendo a doses menores.
O modelo de constrição do nervo infraorbitário simulou a neuralgia humana, permitindo avaliar a alodinia facial. As análises histológicas mostraram que o CBD reduz a atividade de astrócitos e micróglia na substância cinzenta periaquedutal e no núcleo trigeminal caudal. A fluorescência indicou diminuição das ERO, correlacionada à menor ativação glial. Esses resultados revelam interação entre resposta imune e oxidativa no controle da dor, reforçando o papel das células gliais como mediadoras do efeito analgésico do canabidiol.
O CBD mostrou efeito analgésico potente e seguro, modulando vias neuronais e gliais de forma sexo-específica. O estudo reforça o potencial do canabidiol como alternativa terapêutica personalizada para dor neuropática orofacial, com base em mecanismos neuroimunes e antioxidantes.
Referência Bibliográfica: Vivanco-Estela A, da Rocha SA, Escobar-Espinal D, et al. Sex-related differences in cannabidiol's antinociceptive efficacy in a trigeminal neuralgia rodent model. Pain. 2025;166(10):e336-e350. doi:10.1097/j.pain.0000000000003616 Escrito por Letícia Amorim Utsch. |