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Divulgação Científica
1. Ensaio clínico demonstra eficácia de extrato de cannabis para dor lombar crônica
O ensaio
clínico de fase 3, conduzido de forma
multicêntrica e controlado por placebo,
avaliou a eficácia e segurança do VER-01, um
extrato de espectro completo da linhagem
Cannabis sativa DKJ127, em 820 adultos com
dor lombar crônica. A pesquisa, que buscou
alternativas seguras e eficazes aos
tratamentos farmacológicos atuais,
demonstrou que o grupo tratado com o extrato
apresentou uma redução média na intensidade
da dor de 1,9 pontos na Escala de
Classificação Numérica (NRS), em comparação
com uma redução de 1,4 pontos no grupo
placebo. O achado principal indica que o
VER-01 reduziu significativamente a dor
lombar crônica, com efeitos sustentados ao
longo de um período de acompanhamento de até
18 meses.
A metodologia
do estudo envolveu uma fase inicial de
tratamento duplo-cego de 12 semanas, seguida
por extensões abertas e de retirada
aleatória. A amostra incluiu participantes
com e sem componentes de dor neuropática,
avaliados pela ferramenta de rastreamento
PainDETECT. Os pesquisadores utilizaram
análises estatísticas rigorosas para
comparar as reduções de dor e os relatos de
eventos adversos entre os grupos. Os
resultados secundários revelaram que o
extrato foi particularmente eficaz em
participantes com dor neuropática,
demonstrando reduções substanciais no
Inventário de Sintomas de Dor Neuropática (NPSI).
Além da redução da dor, os participantes do
grupo VER-01 relataram melhorias
significativas na função física e na
qualidade do sono, fatores frequentemente
comprometidos pela condição.
As conclusões
dos autores sugerem que o VER-01 representa
uma opção terapêutica não aditiva, segura e
eficaz para o manejo a longo prazo da dor
lombar crônica, abordando uma necessidade
médica não atendida. Embora a incidência de
eventos adversos transitórios e de
intensidade leve a moderada tenha sido maior
no grupo tratado (83,3% contra 67,3% no
placebo), não foram observados sinais de
dependência ou sintomas de abstinência. As
limitações do estudo incluem a necessidade
de validação adicional em populações mais
diversas e o acompanhamento a longo prazo
para monitorar efeitos crônicos. O
desenvolvimento deste extrato padronizado
oferece uma perspectiva importante para o
tratamento multimodal da dor lombar,
especialmente diante das preocupações com o
uso prolongado de opioides e
anti-inflamatórios.
Referência:
Karst M, Meissner W, Sator S, Keßler J,
Schoder V, Häuser W. Full-spectrum extract
from Cannabis sativa DKJ127 for chronic low
back pain: a phase 3 randomized
placebo-controlled trial. Nature Medicine.
2025. https://doi.org/10.1038/s41591-025-03977-0
Escrito por
Paulo Gustavo Barboni Dantas Nascimento.
2. Perspectivas maternas sobre o contato pele a pele no manejo da dor aguda em bebês prematuros
Pesquisadores
canadenses apontam que os pais de bebês
prematuros e extremamente prematuros não têm
conhecimento ou são desencorajados a aplicar
o contato pele a pele para manejo da dor
aguda. Os pais relataram que os
profissionais de saúde não os ensinavam a
praticar esse método ou os proibiam,
justificando ser pela fragilidade do bebê.
Assim, o artigo publicado em 2026 comprova
que nas UTIs Neonatais, a maior parte dos
pais desenvolviam, quando tinham
conhecimento para poder aplicar, sentimentos
positivos em relação ao método canguru,
relatando a criação de maior vínculo e
conexão com os filhos em suas entrevistas
on-line.
O estudo
qualitativo ocorreu por meio de entrevistas
on-line, fazendo perguntas abertas e
fechadas para os pais em relação aos
desafios na estadia da UTI Neonatal, fatores
estressantes, conhecimento a respeito do
contato pele a pele no manejo da dor aguda e
informações demográficas. Os pesquisadores
analisaram o contexto de cada família e
notaram que, apesar da falta de letramento
em saúde, ambiente confortável e preparo
emocional, a maioria das mães apresentaram
sentimentos positivos e melhores vínculos
com o bebê na aplicação do método canguru,
comprovando sua eficácia em prematuros e
extremamente prematuros no manuseio da dor.
Nesse viés,
torna-se evidente que o SSC e SSCP obtiveram
impacto positivo no controle da dor aguda
nos bebês prematuros, apesar das mães não
terem recebido o correto ensinamento sobre o
assunto. Assim, destaca-se que o cuidado,
além de ser individualizado, precisa
envolver as necessidades físicas e
psicológicas do bebê e da família.
Referência:
Hashemi, H., Cohen, E., Garvey, N., Lebovic,
A., Bacchini, F., Johannsson, L., Cheng, C.,
Shah, V., Pillai Riddell, R.. Understanding
maternal perspectives of pain. PAIN 167(5):p
1084-1097, May 2026. | DOI: 10.1097/j.pain.0000000000003885 Escrito por Flávia Gabrielle de Castro Pereira.
3. ofrimento psicológico pode favorecer dor continua após COVID-19
Um estudo de
coorte realizado na Alemanha identificou que
o sofrimento psicológico durante a fase
aguda da COVID-19 pode contribuir para o
desenvolvimento de dores persistentes e
cefaleia até um ano e meio após a infecção.
Os resultados indicam que depressão,
estresse pós-traumático e maior sofrimento
emocional podem influenciar a duração e o
impacto funcional da dor, após a recuperação
da COVID-19.
Foi realizado
um estudo com 422 pessoas diagnosticadas com
COVID-19. Durante a infecção foram
realizadas triagens telefônicas em três
etapas durante o isolamento dos pacientes
para avaliação dos sintomas e problemas
emocionais, através de escalas clínicas
validadas. Após 18 meses os voluntários
foram reavaliados para identificação dos
sintomas que persistiram, especialmente
dores musculoesqueléticas e cefaleias. As
dores já existentes foram diferenciadas
daquelas que surgiram após a infecção.
Os resultados
indicam que embora o sofrimento psicológico
possa não ser a principal causa do início da
dor pós COVID-19, pode contribuir para a sua
duração ao alterar a percepção da dor, se
tornando em uma condição clinicamente
relevante.
Referência:
Tesarz, J., Buhai, D.-V., Nikendei, C.,
Dinger, U., Beiner, E., Gaul, C., Eich, W.,
Friederich, H.-C., Hermes, M., &
Zimmermann-Schlegel, V. (2025). Prevalence
and predictors of persistent post-COVID pain:
a population-based prospective cohort study
with 1.5-year follow-up. Pain, 167(4),
e54-e70. https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000003847
Escrito por Clara Leite Trigueiro, Sarah
Carvalho Silva e Wendy Cristhiny Rodrigues
da Cunha.
4. A cirurgia é a melhor escolha para todas as mulheres com endometriose?
Pesquisadores desenvolveram o Índice de Dor da Endometriose (EPI), um modelo de inteligência artificial que antecipa a persistência de baixa qualidade de vida após a cirurgia. O estudo acompanhou 650 pacientes em um centro especializado no Canadá entre 2013 e 2020. A equipe coordenada por Dwayne R. Tucker utilizou dados de um registro prospectivo para responder a uma barreira crítica: por que 20% a 38% das pacientes mantêm dores crônicas mesmo após a operação? Ao investigar 32 fatores pré-operatórios, a ferramenta busca individualizar o aconselhamento médico e diminuir cirurgias com baixo potencial de sucesso.
A metodologia utilizada foi o algoritmo de aprendizado de máquina Random Forest, que apresentou 76,6% de exatidão na validação do modelo. Entre os dez principais preditores de um resultado inferior, destacam-se fatores psicológicos, como ansiedade, depressão e catastrofização da dor, além de condições físicas não ginecológicas, como dores na parede abdominal e no assoalho pélvico. O estudo aplicou a subescala de dor do EHP-30 para medir como a doença afeta funções básicas. Esses achados sugerem que o sucesso do tratamento depende de uma abordagem multidisciplinar, e não apenas das lesões evidentes da endometriose. A principal conclusão do estudo confirma que fatores psicossociais e comorbidades dolorosas são preditores essenciais para o êxito das cirurgias de endometriose.
A principal implicação deste artigo é a criação de uma calculadora online que auxilia na tomada de decisão clínica, permitindo que tratamentos como fisioterapia e apoio psicológico sejam priorizados antes da cirurgia. Apesar de necessitar de validação em outras populações, o EPI representa um avanço na medicina de precisão direcionada à saúde da mulher.
Referência: Tucker DR, Dungate B, Chiu DS, et al. Endometriosis Pain Index: development of a model to predict poor pain-related quality of life after endometriosis surgery through machine learning analysis of registry data. Pain. 2026;167(5):1026-1039. doi:10.1097/j.pain.0000000000003915.
Escrito por Maria Eduarda Gonçalves Dos
Santos.
5. Pacientes com dor lombar crônica neuropática apresentam alterações físicas e funcionais no tálamo
Pesquisadores estadunidenses apontam que pacientes com dor lombar crônica neuropática possuem quadro clínico mais grave e mais alterações no tálamo do que pacientes com dor não neuropática. Os pacientes neuropáticos apresentaram maior intensidade de dor no questionário de dor de McGill e no PainDETECT em relação aos outros grupos, além de maior incidência de depressão, ansiedade e piora na qualidade de sono por conta das lesões nos nervos lombares. O artigo, publicado em 2026, destaca a importância de distinguir entre os fenótipos clínicos para reduzir a heterogeneidade em estudos futuros.
O estudo transversal comparou três grupos: pacientes com dor lombar crônica com e sem características neuropáticas e indivíduos saudáveis. Todos realizaram ressonância magnética funcional (fMRI), que mostra como as áreas do cérebro se comunicam. Também foram aplicados questionários para avaliar dor, humor e sono. Os pesquisadores analisaram a forma de estruturas cerebrais e a conectividade entre regiões, especialmente no tálamo. Fatores como idade, sexo e movimento durante o exame foram controlados para garantir maior precisão. Assim, foi possível identificar diferenças na organização e na comunicação cerebral relacionadas ao tipo de dor.
A população com dor crônica lombar neuropática apresenta mais alterações talâmicas relacionados ao processamento sensorial e afetivo da dor do que o grupo de pacientes não neuropáticos e controle saudável. Assim, prova a importância de diferenciar os pacientes com diagnósticos divergentes para que recebam terapias mais direcionais e individualizadas. Além disso, os autores ressaltaram que o estudo possui certas limitações, como a pequena amostra, comentando que são necessárias técnicas anatômicas mais detalhadas e uma maior amostra em estudos futuros.
Referência: Yuan R, Cole M, Gewandter J, Markman J, Zhang Z, Geha P. Clinical phenotype matters: structural and functional thalamic changes in neuropathic low-back pain. Pain. 2026;167(4):844-853. doi:10.1097/j.pain.0000000000003843
Escrito por Emanuelle Lorraine Nolêto das
Neves e Flávia Gabrielle de Castro Pereira.
6. A expressão dos receptores metabotrópicos de glutamato se correlaciona com a intensidade dos sintomas da síndrome da bexiga dolorosa Um estudo
realizado por pesquisadores coreanos
demonstrou que pacientes com cistite
intersticial/síndrome da bexiga dolorosa
(CI/SBD) apresentam um aumento de receptores
metabotrópicos de glutamato, especialmente
mGluR5, na parede da bexiga, e esse fenômeno
se correlaciona com a intensidade dos
sintomas. A CI/SBD é uma condição
inflamatória crônica de alta complexidade
que tem a dor como eixo central. Como o
glutamato e seus receptores participam dos
mecanismos de dor crônica, os pesquisadores
analisaram se a expressão desse receptor se
relaciona com a intensidade da dor e outros
sintomas.
A investigação
foi conduzida em 2026 com questionários e
amostras de biópsia da bexiga urinária de
pacientes sem a doença e outros com CI/SBD
na presença ou ausência de lesões de Hunner
(uma forma mais agressiva da condição). A
análise das biópsias vesicais revelou que os
níveis de receptores metabotrópicos de
glutamato, especialmente mGluR5, estavam
elevados nos pacientes com CI/SDV em
comparação aos controles. Os níveis de
mGluR5 foram associados com a gravidade da
dor, da fibrose e da infiltração
linfoplasmocitária. Testes com células
saudáveis da bexiga demonstraram que a
ativação do receptor mGluR5 estimula
processos inflamatórios, enquanto o bloqueio
desse receptor reverte esses efeitos.
Dessa forma, o
estudo mostra o envolvimento de receptores
metabotrópicos de glutamato nas
manifestações clínicas da CI/SBD, e sugere
que o bloqueio do receptor mGluR5 poderia
representar uma estratégia promissora para
aliviar os sintomas e melhorar a qualidade
de vida dos pacientes com CI/SBD.
Reference:
Kwak Y, Kim B, Seok J, et al. Metabotropic
glutamate receptor 5 expression associates
with pain and inflammatory pathways in
interstitial cystitis. Sci Rep.
2026;16(1):13168. Published 2026 Mar 11. doi:10.1038/s41598-026-43394-y
Escrito por Sthefane Silva Santos.
7. Os genes do relógio interno do corpo regulam a dor de forma diferente em machos e fêmeas
Um estudo recente descobriu que o relógio biológico celular controla a sensibilidade à dor de forma diferente entre os sexos, fazendo com que os machos sintam menos dor térmica durante a noite. Cientistas do Canadá e dos EUA publicaram a descoberta na revista Nature Communications em maio de 2026. O objetivo do trabalho foi desvendar por que homens e mulheres processam a dor de maneiras distintas, e a influência dos ritmos circadianos nesse processo, abrindo caminhos para tratamentos mais personalizados.
Utilizando análises genéticas e comportamentais, a equipe mapeou um mecanismo molecular que age especificamente no período noturno dos machos. Para alcançar esses resultados, os pesquisadores realizaram um estudo laboratorial utilizando camundongos geneticamente modificados e testes de comportamento que mediam o tempo de resposta dos animais ao calor. Eles descobriram que, durante a noite, o "gene do relógio" chamado Bmal1 ativa intensamente um canal iônico (o ClC-2) nos neurônios dos machos, o que reduz a atividade desses neurônios inibindo a sensação de dor. Nas fêmeas, esse canal não sofre alterações ao longo do dia, mantendo a sensibilidade ao calor constante de noite e de dia.
Em conclusão, o estudo prova que os genes do relógio biológico modulam a sensibilidade à dor em machos e fêmeas de modo diferente durante a noite. No futuro esses achados podem contribuir para personalizar a terapêutica analgésica pela escolha dos melhores horários de administração de acordo com o sexo do paciente. Entretanto, novos estudos são necessários para confirmar se esses mecanismos estão presentes também em seres humanos.
Referências: Brécier, A., Bannerman, C.A., Xie, YF. et al. Nociceptor circadian clock genes control excitability and pain perception in mice in a sex- and time-dependent manner. Nat Commun (2026). https://doi.org/10.1038/s41467-026-73772-z
Escrito por Dhara Leite Lopes.
8. Células não neuronais do sistema nervoso podem estar por trás da dor persistente na endometriose
Pesquisadores
chineses identificaram um mecanismo de
sensibilização mediado pela via
CX3CR1/P2X4R, que pode explicar por que
muitas mulheres continuam sentindo dor mesmo
após os tratamentos da endometriose. A
endometriose é uma doença inflamatória
provocada por células do endométrio que
causa dor incapacitante na mulher. Nesse
estudo, publicado em 2026, os pesquisadores
combinaram análises de amostras de
pacientes, modelos animais e culturas
celulares para entender os mecanismos dessa
dor.
Os
pesquisadores analisaram tecidos de mulheres
com endometriose e utilizaram um modelo
experimental de endometriose em camundongos.
Foram empregadas técnicas de
imunohistoquímica, imunofluorescência,
RT-qPCR e testes comportamentais para
avaliar a sensibilidade à dor.
Os resultados
mostraram aumento da inervação das lesões,
maior produção de substâncias inflamatórias,
especialmente IL-1β e TNF-α, e ativação dos
receptores CX3CR1 e P2X4R na micróglia,
células do sistema nervoso central que
contribuem para a neuroinflamação e dor
crônica. Esse processo levou à amplificação
dos sinais dolorosos na medula espinal e à
manutenção da dor crônica. O bloqueio dessas
vias reduziu significativamente a inflamação
e a sensibilidade dolorosa nos modelos
experimentais. Dessa forma, o estudo
demonstrou que alterações inflamatórias nas
lesões locais observadas na endometriose
estimulam neurônios que, por sua vez, ativam
a micróglia por meio da via CX3CR1/P2X4R,
promovendo sensibilização das vias de dor no
SNC. Esses mecanismos contribuem
coletivamente para a dor pélvica crônica (CPP)
na endometriose.
Os autores
concluíram que a dor pélvica crônica da
endometriose não depende apenas das lesões
presentes nos órgãos afetados, mas também de
processos de sensibilização no sistema
nervoso central, apontando novos alvos
terapêuticos para o tratamento da dor da
endometriose.
Referências:
Wu Q, Yang F, Yang R, Mai H, Cai H, He Y, et
al. CX3CR1/P2X4R signaling-mediated spinal
microglial M1 polarization contributes to
chronic pelvic pain in endometriosis.
International Immunopharmacology.
2026;175:116471. doi:10.1016/j.intimp.2026.116471.
Escrito por Daiane Salinas da Silva
Santos.
9. Estimulação magnética pode piorar incapacidade em pacientes com dor lombar e sensibilização central
Um estudo
recente publicado na revista The Journal of
Pain investigou como as características
clínicas individuais influenciam a eficácia
da estimulação magnética transcraniana
repetitiva (rTMS) e dos exercícios de
controle motor no tratamento da dor lombar
crônica. Os pesquisadores identificaram que
pacientes com altos escores no Inventário de
Sensibilização Central (CSI) que receberam
rTMS ativa apresentaram piora nos níveis de
incapacidade em comparação com aqueles que
receberam tratamento simulado (placebo) ou
com pacientes de baixos escores que
receberam a terapia ativa.
A pesquisa
consistiu em uma análise secundária do
ensaio clínico randomizado controlado
ExTraStim, que envolveu 140 participantes
divididos em grupos recebendo rTMS ativa ou
simulada, combinada ou não com exercícios de
controle motor. Os cientistas avaliaram seis
potenciais modificadores de efeito no início
do estudo, incluindo sexo, cinesiofobia,
autoeficácia e instabilidade lombar. Os
resultados demonstraram uma interação
significativa apenas entre a rTMS e os
escores de sensibilização central para o
desfecho de incapacidade. Não foram
identificados modificadores de efeito
significativos para a terapia por exercícios
de controle motor.
Os achados
indicam que a aplicação de rTMS pode ter
efeitos deletérios em subgrupos específicos
de pacientes com dor crônica, possivelmente
por amplificar o processamento central da
dor em indivíduos já sensibilizados. A
identificação dessa resposta divergente
ressalta a importância de abordagens
terapêuticas personalizadas na
neuromodulação. Os autores sugerem que a
triagem clínica prévia utilizando o
Inventário de Sensibilização Central pode
ser uma ferramenta útil para orientar a
seleção de pacientes e evitar potenciais
efeitos adversos da estimulação cortical no
manejo da dor lombar crônica.
Referência:
Patricio P, et al. Clinical characteristics
moderate the efficacy of repetitive
transcranial magnetic stimulation and motor
control exercise for chronic low back pain.
J Pain. 2026;45:106317. doi: 10.1016/j.jpain.2026.106317.
Escrito por Paulo Gustavo Barboni Dantas
Nascimento.
10. Envelhecimento cerebral associado à dor não impede a resposta ao placebo
O envelhecimento acelerado do cérebro pode agravar a dor crônica, mas não impede que mecanismos naturais de alívio da dor continuem funcionando. A pesquisa, publicada em 2026 na revista Pain, foi conduzida por pesquisadores do Canadá e dos Estados Unidos e comparou 84 pacientes com disfunção temporomandibular e 84 indivíduos saudáveis. Através de ressonância magnética e inteligência artificial para prever a idade cerebral, os pesquisadores constataram que cérebros mais envelhecidos estão relacionados a dores mais intensas, sem prejuízo da resposta ao efeito placebo.
Os participantes passaram por avaliações clínicas da dor, testes de sensibilidade térmica e um experimento de placebo baseado em sinais visuais e expectativa de alívio da dor. Também foram realizadas ressonâncias magnéticas para analisar a estrutura cerebral. As imagens foram processadas por modelos de inteligência artificial capazes de estimar a idade cerebral e calcular a diferença entre a idade cerebral e a idade cronológica (BAG). As análises estatísticas avaliaram associação entre a idade cerebral, gravidade da dor e os efeitos placebo, comparando o resultado entre os grupos.
O estudo concluiu que a idade cerebral influenciou no aumento da intensidade da dor, mas o efeito placebo permanece mesmo com o envelhecimento cerebral. Esses resultados viabilizam o uso da idade cerebral como biomarcador da vulnerabilidade da dor e ressaltam o potencial do placebo no manejo da dor crônica.
Referência: Cundiff-O'Sullivan RL, Wang Y, Li J, et al. Clinical pain increased with older brain age, yet placebo effects were preserved. Pain. 2026;167(5):1170-1181. doi:10.1097/j.pain.0000000000003901. Escrito por Jennifer Mendes Alexandre, Vanessa Rocha Vieira e Maria Eduarda Gonçalves. |