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Divulgação Científica
1. Minociclina não reduz inflamação cerebral nem alivia dor lombar crônica
Um ensaio
clínico randomizado de Fase II não encontrou
efeito significativo da minociclina na
redução da neuroinflamação no cérebro ou na
melhora da dor em pacientes com dor lombar
crônica. Os pesquisadores buscaram testar se
o antibiótico minociclina, já usado em
modelos pré-clínicos como inibidor glial,
poderia diminuir a inflamação cerebral, que
tem sido ligada à dor crônica. O estudo
envolveu 60 adultos diagnosticados com dor
lombar crônica, dos quais 48 completaram o
ensaio. Os participantes receberam o
tratamento (minociclina 100 mg ou placebo)
uma vez ao dia, durante duas semanas. O
estudo foi conduzido em um único centro
ligado ao Massachusetts General Hospital e
Harvard Medical School. A neuroinflamação
foi monitorada por meio de PET (tomografia
por emissão de pósitrons) antes e após o
tratamento. O objetivo era validar a
modulação neuroimune como uma estratégia
terapêutica, visto que o cérebro desses
pacientes exibe um marcador elevado de
inflamação.
O ensaio
duplo-cego, controlado por placebo, utilizou
imagens de PET em conjunto com ressonância
magnética para rastrear a Proteína
Translocadora 18 kDa (TSPO). A TSPO é
reconhecida como um marcador de ativação
glial e neuroinflamação. O principal achado
mostrou que, após as duas semanas de
tratamento, a minociclina não alterou o
sinal da TSPO na região do tálamo, uma área
que já havia sido identificada com
neuroinflamação elevada na dor lombar
crônica. Embora a dor diária autorrelatada
dos pacientes (medida pelo Brief Pain
Inventory) tenha diminuído em ambos os
grupos ao longo do tempo, essa melhora foi
comparável entre minociclina e placebo. Isso
sugere que a redução da dor ocorreu devido
ao tempo, ao efeito placebo ou à regressão à
média, e não ao efeito específico do
medicamento.
Os resultados
sugerem que a minociclina, no regime de 100
mg por 14 dias, não é eficaz para reduzir a
neuroinflamação cerebral ou dor lombar
crônica. Este achado, no entanto, não anula
o valor da modulação neuroimune como alvo
terapêutico para a dor. Os autores ressaltam
que o estudo possui limitações, como o
tamanho amostral relativamente pequeno e a
dose única e curta duração, o que pode ter
sido insuficiente para detectar um efeito.
Referência:
Mohammadian M, Morrissey EJ, Knight PC, et
al. Investigating the potential of
minocycline in reducing brain inflammation
in chronic low back pain: a randomized,
placebo-controlled mechanistic clinical
trial. Pain. 2025;166(9):2044-2053.
Published 2025 Apr 9. doi:10.1097/j.pain.0000000000003543
Escrito por
Jayana Guimarães Louzeiro.
2. O condicionamento clássico pode determinar a distribuição da dor
O estudo
realizado por pesquisadores da Polônia
demonstrou que a distribuição da dor
percebida pode ser influenciada por
mecanismos de condicionamento clássico e
sugestão verbal, com o efeito se mostrando
mais forte quando ambos são combinados. O
resultado é um achado crucial para a
compreensão e o tratamento da Dor Crônica
Generalizada (CWP), que se manifesta com dor
espalhada sem causa estrutural evidente.
A amostra
consistiu em um total de 94 voluntários
saudáveis que foram condicionados a associar
uma cor (estímulo visual) a uma sensação de
dor de grande distribuição. Na fase de
teste, mesmo recebendo apenas estímulos de
pequena distribuição, os voluntários
submetidos ao condicionamento relataram
sentir a dor em uma área mais ampla ao verem
a cor previamente associada à dor grande. Os
resultados mostraram que o efeito de ampliar
a distribuição da dor foi significativo nos
grupos com condicionamento (com ou sem
sugestão verbal) e no grupo que recebeu
apenas sugestão verbal, mas o impacto foi
mais robusto quando o condicionamento foi
acoplado à sugestão. Além disso, o estudo
constatou que o efeito de dor ampliada se
estendeu a um novo estímulo visual
(generalização), especialmente nos grupos
que receberam a sugestão verbal.
Em suma, a
pesquisa estabelece que o aprendizado
associativo e a sugestão verbal podem
modular a percepção espacial da dor. Este
mecanismo é relevante para a compreensão da
Dor Crônica Generalizada (CWP) e sugere que
terapias focadas em "desaprender" ou
reverter associações de dor poderiam ser
eficazes para limitar a sua extensão.
Referências:
Nastaj J, Skalski J, Nowak D, et al. Pain
distribution can be determined by classical
conditioning. Pain. 2025;166(10):2300-2309.
doi:10.1097/j.pain.0000000000003586 Escrito por Clara Leite Trigueiro.
3. Maior resposta ao estresse gera alterações na percepção da dor
Pesquisadores
da Universidade de Tel Aviv, Israel,
apontaram que maior medo da dor associado à
ansiedade pós estresse causa hiperalgesia,
enquanto menor medo da dor associado à
ansiedade pós estresse provoca hipoalgesia.
Por meio da provocação aguda de estresse e
mensuração de ansiedade, medo da dor (FOP) e
estresse global percebido (GPS) e avaliação
do limiar dor-calor, o estudo buscou
demonstrar padrões de alteração de
sensibilidade a dor evocada pelo estresse e
suas relações com a responsividade
individual.
A amostra
avaliada era composta por 133 pessoas
saudáveis, entre 20 e 65 anos sem doenças
crônicas, dor aguda ou crônica, gravidez,
doenças mentais ou com alguma barreira de
comunicação. Assim, realizaram mensurações
dos indicadores de resposta ao estresse:
nível de ansiedade, cortisol, Índice do
sistema adrenomedular simpático (Frequência
cardíaca, faixa de variabilidade da
frequência cardíaca e resposta galvânica da
pele). Em seguida, verificavam os limiares
de calor-dor por meio de estimuladores
térmicos (temperatura base de 35°C que
aumentava gradualmente) e após um breve
repouso, realizavam a indução ao estresse
agudo por meio de tarefas estressantes do
protocolo Montreal Imaging Stress Task.
Com isso,
verificaram que maior responsividade ao
estresse foi associada a maior alteração no
limiar calor-dor. De forma que quanto maior
a responsividade ao estresse, maior a
hipoalgesia em indivíduos com FOP baixa e
GPS alta e quanto maior a resposta ao
estresse, maior a hiperalgesia em indivíduos
com alta FOP Solicitamos não modificar este
formulário.
Referências:
Gera O, Ginzburg K, Gur N, Defrin R. Effects
of acute stress exposure on pain sensitivity:
the role of individual stress responsiveness
and orientation to pain and stress. Pain.
2025;166(10):e388-e396. doi:10.1097/j.pain.0000000000003622
Escrito por Ana Carolina Teles Marçal.
4. Traumas de infância podem agravar a fibromialgia por meio do estresse
Pesquisadores
de uma Universidade da Alemanha, descobriram
que adversidades vividas na infância, como
abuso físico, emocional ou negligência,
estão fortemente associadas à gravidade da
fibromialgia. O estudo mostrou que o efeito
desses traumas acontece por meio do estresse
percebido, ou seja, da forma como a pessoa
sente e lida com o estresse ao longo da
vida.
A pesquisa
envolveu 99 pessoas com fibromialgia e 50
indivíduos sem dor, que foram avaliados por
questionários psicológicos e exames
hormonais de cortisol. Os cientistas
concluíram que o estresse psicológico
subjetivo é o mediador entre as experiências
adversas na infância e os sintomas da
doença.
O estudo faz
parte do projeto PerPAIN, um consórcio de
pesquisa que investiga dores crônicas por
meio de análises multidimensionais. Os
participantes responderam questionários
referentes a abusos e negligências na
infância e para avaliar o estresse
percebido. Além disso, foram coletadas
amostras de saliva e cabelos para medir o
cortisol, hormônio que reflete o estresse
agudo e crônico.
Os dados foram
analisados com Modelagem de Equações
Estruturais, um método estatístico avançado
que avalia as relações entre variáveis. Os
resultados mostraram que as experiências
traumáticas não aumentam a fibromialgia
diretamente, mas indiretamente, ao elevar os
níveis de estresse percebido. Os dados
revelam que o componente psicológico é o
principal mediador, uma vez que o cortisol
salivar e capilar não teve papel
significativo nessa relação.
Os
pesquisadores concluem que compreender a
fibromialgia exige uma visão biopsicossocial,
que une corpo e mente, mostrando que o
tratamento deve ir além do controle da dor
física e incluir terapias psicológicas e
manejo do estresse, especialmente em pessoas
com histórico de traumas. Assim, mais do que
uma condição física, a fibromialgia se
revela como um reflexo da interação entre
experiências emocionais e mecanismos
corporais, ressaltando a importância de
olhar o paciente de forma integral.
Referência:
Beiner E, Hermes M, Reichert J, Kleinke K,
Vock S, Löffler A, Ader L, Sirazitdinov A,
Keil S, Schmidt T, Schick A, Löffler M, Hopp
M, Ruckes C, Hesser J, Reininghaus U, Flor
H, Eich W, Tesarz J. Early-life adversity as
a predictor of fibromyalgia syndrome: the
central role of perceived stress over
endocrine stress indicators. Pain. 2025 Jan
28;166(8):1871-1881. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003527.
PMID: 39868681.
Escrito por Carolina Andrade Gois.
5. Realidade virtual imersiva amplia tolerância e melhora a experiência da dor
Um estudo da Universidade de Maryland analisou os fatores que tornam a realidade virtual eficaz no manejo da dor experimental. Cinquenta e oito voluntários foram submetidos a estímulos térmicos em cinco condições: cenário oceânico imersivo, versão não imersiva, ambiente neutro, imaginação guiada e ausência de intervenção. O cenário oceânico tridimensional destacou-se, elevando significativamente a tolerância ao calor, reduzindo o desconforto associado à experiência dolorosa e promovendo melhora do humor.
O desenho experimental foi controlado e contrabalanceado. No cenário imersivo, os participantes suportaram temperaturas mais altas do que em qualquer outra condição. Embora a intensidade da dor relatada não tenha diminuído, a dimensão afetiva da experiência foi atenuada. Adicionalmente, houve maior engajamento, satisfação e estado emocional positivo, sugerindo que a eficácia depende da integração entre imersão tecnológica, geração externa de estímulos e conteúdos prazerosos, como ambientes naturais.
O estudo reforça que a realidade virtual imersiva, especialmente quando associada a cenários naturais e positivos, pode ser uma ferramenta promissora no manejo não farmacológico da dor. Apesar da amostra restrita a indivíduos saudáveis, os achados oferecem perspectivas relevantes para aplicações clínicas, sobretudo em pacientes com dor crônica.
Referência: Shafir R, Watson L, Felix RB, Muhammed S, Fisher JP, Hue P, Wang Y, Colloca L. Factors influencing the hypoalgesic effects of virtual reality. Pain. 2025;166(8):1836-1846. doi:10.1097/j.pain.0000000000003549
Escrito por Letícia Amorim Utsch.
6. O receptor adrenérgico α2B é um possível alvo para novos analgésicos Um estudo
experimental desenvolvido na Universidade de
Kyoto entre 2023 e 2024 evidenciou que um
bloqueador seletivo do receptor adrenérgico
α2B é um bom candidato à analgésico. O
trabalho demonstrou que o novo composto
oral, chamado ADRIANA, que age bloqueando o
receptor α2B no sistema nervoso central,
reduz diferentes tipos de dor em modelos
experimentais, sem causar efeitos colaterais
cardiovasculares e risco de dependência. O
objetivo do estudo foi contribuir para o
desenvolvimento de um novo analgésico não
opioide, considerando os impactos sociais e
econômicos crescentes da dependência opioide
observados nas últimas décadas.
Usando testes
em células, animais geneticamente
modificados e modelos de dor térmica e
mecânica, os cientistas observaram que o
bloqueio do α2B aumenta a liberação de
noradrenalina na medula espinhal, e essa
substância ativa outro receptor, o α2A, que
faz parte da via descendente de inibição da
dor. Os pesquisadores analisaram a
distribuição do receptor α2B no sistema
nervoso e descobriram que ele se concentra
em regiões como o tronco encefálico e a
medula espinal, que fazem parte das vias de
dor. Mostraram ainda que o receptor não está
diretamente ligado ao controle da pressão
arterial, e que o composto reduz o
comportamento de dor sem interferir em
outras funções do organismo.
O estudo
mostrou que o bloqueador seletivo do
receptor adrenérgico α2B ativa mecanismos
endógenos não opioides de analgesia, e pode
representar um bom candidato à analgésico.
Esse achado abre caminho para o
desenvolvimento de analgésicos orais mais
seguros e sem risco de dependência. A
principal limitação é que os resultados
ainda se baseiam em modelos animais, e ainda
não foram validados em estudos clínicos.
Referências:
Toyomoto M, Kurihara T, Nakagawa T, et al.
Discovery and development of an oral
analgesic targeting the α2B adrenoceptor.
Proc Natl Acad Sci U S A.
2025;122(32):e2500006122. doi:10.1073/pnas.2500006122
Escrito por Dhara Leite Lopes.
7. S-cetamina reduz a atividade da micróglia e preserva as redes perineurais em modelo de dor neuropática em camundongos
Um estudo conduzido por pesquisadores chineses em 2025 demonstrou que a S-cetamina reduz a dor neuropática e a inflamação em camundongos. A S-cetamina já é utilizada no controle clínico da dor neuropática, mas seu mecanismo de ação não é totalmente conhecido. Esse estudo foi conduzido para investigar se parte de seus efeitos analgésicos podem estar relacionados à inibição da micróglia, uma célula de defesa do sistema nervoso, envolvida nos mecanismos de dor neuropática.
No estudo, a dor neuropática foi induzida pela constrição crônica do nervo isquiático. A S-cetamina foi administrada por via intraperitoneal durante 7 dias. Os parâmetros indicativos de dor foram avaliados por 28 dias. Ao final do período experimental, amostras de medula espinal foram coletadas para análises complementares. Os resultados demonstraram que a S-cetamina reduziu a dor, os níveis de mediadores inflamatórios, como interleucina-6 e interleucina-1β, a atividade da micróglia e preservou as estruturas perineurais, que dão suporte aos neurônios.
Em conclusão, o estudo mostrou que o efeito analgésico da S-cetamina pode envolver como mecanismo adicional, a modulação da atividade da micróglia reduzindo a neuroinflamação e preservando estruturas perineurais.
Referência: Yang X, Wang Y, Jiang L, et al. S-ketamine relieves neuropathic pain by inhibiting microglia phagocytosis of the perineuronal nets. Sci Rep. 2025;15(1):33596. Published 2025 Sep 29. doi:10.1038/s41598-025-18834-w
Escrito por Joanna Cecilia de Santanna e
Santos.
8. Teoria eletromagnética aplicada à neuromodulação proporciona alívio completo da dor crônica
Um estudo
australiano, publicado em 2025, revelou que
aplicar a teoria eletromagnética para
definir o posicionamento dos eletrodos de
neuromodulação pode levar ao alívio completo
da dor crônica. Pesquisadores da Specialised
Pain Medicine, em Adelaide, na Austrália,
analisaram dados de pacientes tratados entre
2014 e 2020 com implantes de neuromodulação
guiados por um modelo matemático baseado nas
equações de Maxwell. O trabalho mostrou que
quando os eletrodos foram posicionados com
precisão segundo esse modelo matemático, os
pacientes relataram estado de “dor zero”,
com resultados consistentes em diferentes
tipos de dor crônica.
O estudo
analisou prontuários de 231 pacientes que
receberam implantes de neuromodulação, nos
quais os eletrodos tinham sido posicionados
com base em um modelo matemático
desenvolvido pelos autores e apoiado na
teoria eletromagnética. Esse modelo leva em
conta a anatomia, as características dos
tecidos e como os canais de sódio respondem
aos estímulos elétricos. Os resultados
mostraram que existe uma associação entre o
uso do modelo matemático para o
posicionamento dos eletrodos de
neuromodulação e a analgesia de 100%. O
alívio da dor foi mantido por anos, desde
que os eletrodos permanecem bem
posicionados.
A pesquisa
demonstrou, portanto, que a aplicação da
teoria eletromagnética para o posicionamento
dos eletrodos de neuromodulação é um método
de alta precisão, que pode proporcionar
alívio completo da dor crônica. Esse achado
tem potencial para mudar a forma como a dor
é entendida e tratada, reforçando a hipótese
de que ela é um fenômeno bioeletromagnético.
Referência:
CORNISH, Philip; CORNISH, Anne; TUKE,
Jonathan. The complete relief of chronic
pain utilizing electromagnetic theory: a
retrospective observational cohort study.
Iscience, [S.L.], v. 28, n. 7, p. 112916,
jul. 2025. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.isci.2025.112916.
Escrito por Flavia Maria Silva Rodrigues
de Souza.
9. Bloqueio de receptor em células de Schwann reduz a dor inflamatória sem reduzir a inflamação
Pesquisadores
italianos descobriram uma nova forma de
aliviar a dor inflamatória sem interferir
nos processos naturais de defesa do corpo. A
pesquisa parte de um problema clássico da
medicina: os anti-inflamatórios, usados para
controle da dor inflamatória, inibem também
respostas de defesa do organismo, como
cicatrização e reparo. Por isso, apesar de
eficazes, podem prejudicar a recuperação e
causar efeitos indesejados. O estudo,
publicado na Nature Communications em 2025,
mostrou que bloquear um alvo molecular
específico nas células de Schwann, chamado
EP2, reduz a dor em modelos experimentais de
inflamação, sem efeito anti-inflamatório.
O estudo
mostrou que o EP2, um alvo específico da
prostaglandina E2 nas células de Schwann,
responsáveis por proteger e sustentar os
neurônios, está relacionado apenas à dor,
sem interferir diretamente na inflamação.
Quando esse alvo foi bloqueado ou silenciado
geneticamente, os animais não sentiram dor
mesmo que a inflamação não tenha sido
reduzida. Diferente dos anti-inflamatórios
convencionais, que reduzem a resposta
inflamatória de modo global, essa abordagem
não reduziu o inchaço nem a resposta
imunológica, indicando um avanço importante
na descoberta de analgésicos mais seletivos
e seguros.
Em conjunto, o
trabalho identificou o EP2 como um alvo
farmacológico para o desenvolvimento de
analgésicos capazes de bloquear a dor sem
comprometer a resposta inflamatória natural.
Solicitamos não modificar este formulário.
Referência:
Nassini R, Landini L, Marini M, et al.
Targeting prostaglandin E2 receptor 2 in
Schwann cells inhibits inflammatory pain but
not inflammation. Nat Commun.
2025;16(1):8262. Published 2025 Sep 25. doi:10.1038/s41467-025-63782-8
Escrito por Flavia Maria Silva Rodrigues
de Souza.
10. O canabinoide CBG reduz dor experimental pela ativação do receptor CB2
Pesquisadores brasileiros demonstraram que um extrato de Cannabis sativa rico em canabigerol (CBG) promove efeito antinociceptivo em modelos de dor aguda e neuropática, mediado principalmente pelo receptor CB2. O estudo foi conduzido na UERJ em 2023, utilizando camundongos e ratos submetidos a modelos experimentais de nocicepção inflamatória, térmica e neuropática. O objetivo foi investigar se o CBG poderia induzir antinocicepção e elucidar seu mecanismo de ação, considerando as limitações dos tratamentos atuais para dor crônica.
O estudo utilizou o teste da formalina, teste da placa quente e o modelo de dor neuropática por lesão do nervo espinhal. O CBG reduziu o comportamento doloroso em todos os modelos. Para investigar o mecanismo, antagonistas de receptores canabinoides CB1 e CB2 foram administrados e apenas o bloqueio do CB2 impediu o efeito do CBG. Além disso, análises por imunofluorescência demonstraram que o tratamento reduziu a reatividade de células da glia na medula espinhal e restaurou a expressão do receptor CB2, sem alterar CB1.
O estudo demonstrou que o efeito antinociceptivo do CBG é mediado pela ativação do receptor CB2 e pela modulação da microglia na medula espinal. Esses achados reforçam o potencial do CBG como candidato terapêutico para a dor neuropática.
Referência: Rezende B, Fernandes GG, de Simas Gonçalves VM, et al. Cannabigerol Modulates Cannabinoid Receptor Type 2 Expression in the Spinal Dorsal Horn and Attenuates Neuropathic Pain Models. Pharmaceuticals (Basel). 2025;18(10):1508. Published 2025 Oct 8. doi:10.3390/ph18101508 Escrito por Thalita da Cruz Monteiro Santana. |