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Divulgação Científica
1. Combinação de métodos evidência alívio na dor neonatal
Uma revisão
narrativa publicada em 2025 na revista
Contemporânea analisou métodos
farmacológicos e não farmacológicos no
controle da dor em neonatos. O estudo,
baseado em pesquisas dos últimos 12 anos
realizadas em ambientes neonatais, concluiu
que a combinação dessas abordagens é mais
eficaz no manejo da dor. A análise descreveu
diferentes intervenções e buscou compreender
como elas atuam de forma integrada para
melhorar o cuidado ao recém-nascido.
Os resultados
indicam que, entre os métodos não
farmacológicos, destacam-se o método
canguru, a sucção não nutritiva, a
amamentação e o uso de soluções de sacarose.
Essas práticas demonstraram reduzir a
percepção da dor e promover maior conforto,
reforçando sua importância como primeira
linha de intervenção. Já os métodos
farmacológicos, como anestésicos locais,
paracetamol e opioides, mostraram-se
indispensáveis em procedimentos que envolvem
dor moderada a intensa.
No entanto,
devido à imaturidade metabólica do neonato,
é necessário monitoramento rigoroso durante
o uso da terapia farmacológica. Por isso,
destaca-se a importância da implementação de
protocolos específicos e da educação
contínua da equipe de saúde sobre a
farmacologia neonatal. Conclui-se que a
combinação entre métodos farmacológicos e
não farmacológicos oferece melhores
resultados no controle da dor neonatal. Essa
integração contribui para uma assistência
mais segura e eficaz, embora exija cuidados
específicos e acompanhamento adequado.
Referências:
Oliveira JGC, Costa D, Birtche LC, et al.
Abordagens Integrativas no Manejo Da Dor Em
Recém-Nascidos: Avaliação Comparativa Entre
Métodos Farmacológicos E Não Farmacológicos.
Revista Contemporânea. 2025;5(1):e7294. Doi:
https://doi.org/10.56083/rcv5n1-071
Escrito por
Ana Gabriela Siqueira de Santana, Ana Luisa
Oliveira Pereira, Heloisa Couto Marins e
Luana Bertulino Alves.
2. Contar histórias reduz dor e estresse em crianças hospitalizadas
Um estudo
publicado em 2025 com 81 crianças internadas
na UTI do Hospital da Criança da Rede D’Or
São Luiz, em São Paulo, mostrou que sessões
de contação de histórias reduzem
significativamente a dor, o estresse e a
percepção negativa do ambiente hospitalar.
Metade das
crianças participou de rodas de leitura com
livros infantis; a outra metade, de
brincadeiras de adivinhação. Ambas as
atividades duraram de 20 a 30 minutos e
foram feitas por voluntários da Associação
Viva e Deixe Viver. Antes e imediatamente
depois das intervenções, os pesquisadores
mediram os níveis de ocitocina e cortisol na
saliva, adotaram a Escala Analógica Visual
de dor, que utiliza ilustrações de
expressões faciais, e analisaram as palavras
que as crianças usavam ao descrever o
hospital a partir de cartas ilustradas. A
leitura de histórias elevou em até nove
vezes os níveis de ocitocina, reduz o
cortisol pela metade e 68% das crianças
terminaram a sessão sem qualquer queixa de
dor. Já no grupo das adivinhas, apenas 12%
atingiram alívio total da dor.
O estudo
confirma que a contação de histórias é uma
estratégia simples, de baixo custo e
altamente eficaz para humanizar a internação
infantil. Os autores destacam que o efeito
vai além da distração, a imersão na
narrativa reduz hormônios do estresse e
fortalece vínculos entre as crianças
internadas e os profissionais de saúde. Nem
todas as crianças responderam da mesma
forma, e novos estudos devem investigar
quais tipos de histórias funcionam melhor.
Referências:
Brockington G, Rodrigues V do M, Moreira AP,
Silva SG da, Fischer R, Abreu M. Contação de
histórias para crianças hospitalizadas:
efeitos sobre a dor, a linguagem e os
biomarcadores fisiológicos. Ciênc educ
(Bauru) [Internet]. 2025;31:e25061.
Available from: https://doi.org/10.1590/1516-731320250061 Escrito por Diego Rodrigues Leite, Geovanna dos Santos Lares, Maria Clara Pereira Dias e Tamires Rodrigues de Freitas.
3. Identificação e o manejo da dor em pacientes com o nível de consciência rebaixado
Um estudo
qualitativo realizado em 2025 avaliou como
enfermeiras da Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) de um hospital público no interior do
Oeste Paulista identificam e gerenciam a dor
em pacientes com rebaixamento no nível de
consciência. A pesquisa buscou compreender o
manejo da dor a partir de medidas
farmacológicas e não farmacológicas,
profissionais envolvidos e os desafios de
interpretar os sinais de dor e sofrimento
nesses pacientes.
A coleta de
dados ocorreu por meio de entrevistas
gravadas semiestruturadas com questões
norteadoras e dados de caracterização.
Participaram do estudo 14 enfermeiras, com
uma idade média de 32-38 anos, no mínimo,
com um ano de experiência na UTI. Os
resultados apontam que, as enfermeiras
reconhecem a importância na identificação e
manejo da dor em pacientes com nível de
consciência rebaixado, mas ainda assim,
apresentam lacunas com essa avaliação,
devido a limitação no uso de escalas,
análise de sinais fisiológicos e dados
observados de forma clínica.
A partir dos
resultados, interpreta-se que a avaliação da
dor em pacientes com rebaixamento do nível
de consciência concentra-se em dados
observáveis, utilizando principalmente a
Escala Comportamental de Dor (BPS) e a
Escala de Agitação e Sedação de Richmond (RASS).
No entanto, identificou-se uma lacuna
significativa: as escalas unidimensionais
não integram o nível de consciência e
sedação à percepção dolorosa. Além disso,
observou-se que, embora o manejo
medicamentoso siga as diretrizes da OMS, as
medidas não farmacológicas permanecem
defasadas. Os achados revelam que o
conhecimento dos enfermeiros sobre o tema é
limitado, com dificuldades em discernir
aspectos objetivos e subjetivos da dor, o
que compromete a autonomia profissional e a
implementação de intervenções qualificadas
para o alívio do sofrimento nesse perfil de
paciente.
Referências:
Albino Filho MA, Francioze LL, Silva SF. A
enfermagem e o manejo da dor no paciente com
rebaixamento do nível de consciência. Enferm
Foco. 2025;16:e-2025009. doi:10.21675/2357-707X.2025.v16.e-2025009
Escrito por Júlia Bispo Aragão, Lorena
Baltazar Barros Santos, Maria Clara de
Oliveira Lima e Sophia de Souza Pavão
Ferreira.
4. Acupuntura como opção no alívio da dor na endometriose
Uma revisão
sistemática com meta-análise, demonstrou o
efeito positivo da acupuntura no alívio da
dor em mulheres com endometriose. A pesquisa
analisou dados de nove estudos clínicos
envolvendo 535 mulheres diagnosticadas com
endometriose. O trabalho foi publicado em
2025 e comparou a acupuntura isolada com
terapias tradicionais como a medicamentosa e
a fitoterapia. Pesquisa conduzida por
investigadores da área da saúde, reuniu
resultados de pesquisas clínicas de
diferentes países para avaliar a eficácia da
acupuntura no controle da dor e na melhora
dos sintomas.
Trata-se de
uma revisão sistemática com meta-análise, na
qual os autores selecionaram ensaios
clínicos randomizados que compararam
mulheres tratadas com acupuntura a grupos
que receberam outros cuidados ou nenhum
tratamento. Os principais desfechos
analisados foram a intensidade da dor,
medida por escala numérica, os níveis do
marcador sanguíneo CA125, a taxa de cura e a
melhora geral das pacientes. A acupuntura
reduziu significativamente a dor e aumentou
as chances de resolução dos sintomas da
endometriose.
Os resultados
demonstram que a acupuntura é eficaz no
alívio da dor em mulheres com endometriose.
Dessa maneira, o potencial da acupuntura é
reforçado como forma de terapia complementar
no manejo da patologia. No entanto, os
estudos apresentam algumas limitações em
relação às variações de parâmetros de
tratamentos e protocolos de intervenção.
Portanto, aponta para uma maior necessidade
de novas pesquisas com amostras maiores.
Referência:
Yang F, Wang L, Wang YW, Chu LC. Acupuncture
monotherapy for endometriosis-related pain:
A systematic review and meta-analysis.
Medicine (Baltimore). 2025;104(34):e44005.
doi:10.1097/MD.0000000000044005
Escrito por Eloiza Monteiro da Silva,
Bruna da Silva Cardoso, Júlia Mendes Frazão
e Rafaella Moreira Ruas.
5. Unir terapia digital ao uso de fármacos não potencializa o alívio de dores crônicas
Um estudo clínico randomizado constatou que associar o medicamento duloxetina com terapia cognitivo-comportamental (TCC) digitalmente não oferece benefícios extras no alívio da dor crônica em comparação ao uso somente da medicação. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Wake Forest na Carolina do Norte e publicada em 2026, monitorou 281 pacientes durante 24 semanas para avaliar diferentes metodologias. Os participantes foram divididos aleatoriamente em grupos que receberam apenas o fármaco, a combinação com uma plataforma online chamada PainTRAINER, ou o tratamento combinado reforçado por sessões de apoio motivacional por telefone. O objetivo era descobrir formas mais eficientes de gerenciar a dor musculoesquelética persistente, porém os resultados demonstraram melhorias similares de intensidade e interferência da dor em ambos os grupos.
O estudo avaliou indivíduos com dores moderadas a graves utilizando o PainTRAINER, um programa interativo que guia o usuário através de exercícios de relaxamento e ajuda a reformular pensamentos pessimistas. Metade dos pacientes que utilizaram o site também recebeu apoio motivacional por telefone para incentivar o engajamento. Ainda assim, de forma inesperada, essa estratégia não resultou em maior utilização do sistema. Os pesquisadores apontaram que a ausência de benefício adicional da terapia online pode estar relacionada ao fato de que menos da metade dos participantes finalizou os módulos propostos. Por outro lado, uma análise posterior mostrou que aqueles que completaram ao menos seis sessões do programa digital apresentaram melhora significativa no alívio dos sintomas. Esses achados indicam que o principal obstáculo pode estar na adesão dos pacientes às intervenções virtuais, e não especificamente na efetividade da abordagem em si.
Conclui-se através do artigo que a junção da terapia online combinada à duloxetina não superou o tratamento isolado com o medicamento no controle da dor musculoesquelética crônica. O achado destaca a necessidade de novos métodos para motivar pacientes a finalizarem tratamentos não farmacológicos. Como limitações, os autores destacam que os resultados se aplicam apenas a quem tolera o medicamento e que faltaram medidas objetivas de atividade física.
Referência: Ang, D., Kaplan, S., Keefe, F., Rice, W., Anderson, A., Rini, C., Miles, C., Hartlieb, K., Willoughby, M., Revankar, N., & Chen, H. (2026). Duloxetine and cognitive behavioral therapy with phone-based support for the treatment of chronic musculoskeletal pain: a randomized controlled trial. Pain, 167(3), 577–588. https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000003861
Escrito por Maria Eduarda Gonçalves dos
Santos.
6. Estudo explica por que bloqueadores do canal Nav1.8 oferecem alívio parcial da dor Um estudo
recente publicado na revista Proceedings of
the National Academy of Sciences (PNAS)
investigou as limitações funcionais do
bloqueio do canal de sódio dependente de
voltagem Nav1.8, um alvo terapêutico
promissor para o tratamento da dor.
Utilizando técnicas eletrofisiológicas
avançadas, os pesquisadores demonstraram que
existe uma heterogeneidade intrínseca entre
os neurônios do gânglio da raiz dorsal (DRG).
O estudo revelou que enquanto 50% dessas
células (denominadas "respondedoras fortes")
apresentam redução significativa na
excitabilidade quando o Nav1.8 é inibido, a
outra metade ("respondedoras fracas")
permanece pouco afetada pela alteração na
condutância deste canal.
A pesquisa
empregou a técnica de pinça dinâmica (dynamic
clamp) em neurônios DRG de pequeno diâmetro
isolados de ratos. Esta abordagem permitiu
aos cientistas adicionar ou subtrair
artificialmente a condutância do canal
Nav1.8 em tempo real e observar os efeitos
sobre a geração de potenciais de ação. Para
simular a dor neuropática, a equipe
introduziu uma mutação específica do canal
Nav1.7 (L858H), conhecida por causar
eritromelalgia hereditária. Os resultados
indicaram que, nas células hiperexcitáveis
devido à mutação, a inibição parcial do
Nav1.8 restaurou a excitabilidade normal em
63% dos neurônios. Contudo, as células
"respondedoras fracas" (37% do total)
mantiveram-se hiperexcitáveis mesmo com o
bloqueio.
Estes achados
fornecem uma explicação mecanicista para os
resultados de ensaios clínicos recentes, nos
quais inibidores seletivos de Nav1.8
demonstraram eficácia apenas parcial no
alívio da dor. A identificação dessa
variabilidade funcional entre populações de
neurônios nociceptivos sugere que terapias
direcionadas a um único canal iônico podem
não ser suficientes para controlar a dor em
todos os pacientes. As conclusões indicam
que o desenvolvimento de tratamentos mais
eficazes para a dor neuropática pode
requerer abordagens multi-alvo, combinando
inibidores de diferentes canais de sódio,
como o Nav1.7 e o Nav1.8, para abranger a
totalidade das populações neuronais
envolvidas na sinalização dolorosa.
Referência:
Vasylyev DV, Zhao P, Eykamp S, et al.
Nav1.8: Intrinsic limits on the functional
effect of abrogation in DRG neurons. Proc
Natl Acad Sci U S A.
2025;122(39):e2507342122. doi: 10.1073/pnas.2507342122. Escrito por Paulo Gustavo Barboni Dantas Nascimento.
7. Inibição precoce de FKBP51 previne dor crônica e comorbidades emocionais
Um estudo recente publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) investigou o papel da proteína FKBP51, um regulador da resposta ao estresse, na mediação dos sintomas sensoriais e emocionais da dor crônica. Em modelos de camundongos com dor articular persistente, os pesquisadores demonstraram que a inibição desta proteína logo no início da doença confere alívio duradouro dos sintomas de dor e protege os animais contra o desenvolvimento de comorbidades emocionais por até seis meses. Os resultados indicam que, enquanto a intervenção precoce altera de forma persistente vias neurobiológicas críticas na medula espinhal, a inibição realizada após o estabelecimento da dor crônica proporciona apenas alívio temporário.
A pesquisa utilizou modelos animais de dor articular induzida, combinando a deleção genética e o bloqueio farmacológico da proteína FKBP51. Os cientistas realizaram testes comportamentais para avaliar a sensibilidade mecânica, bem como indicadores de comportamentos do tipo ansioso e depressivo. As análises de sequenciamento de RNA do tecido da medula espinhal revelaram que a inibição precoce reduziu de forma persistente a expressão de genes associados à transição para a dor crônica. Adicionalmente, o estudo observou que a intensidade dos sintomas de dor na fase inicial da lesão serve como preditor para a severidade dos resultados sensoriais e emocionais a longo prazo.
Estes achados fornecem informações sobre a interconexão entre os mecanismos sensoriais e emocionais na dor crônica. A identificação de uma janela terapêutica específica, durante a qual a intervenção pode prevenir a cronificação da dor e o surgimento de comorbidades psiquiátricas, apresenta implicações clínicas relevantes. O estudo sugere que o manejo proativo e direcionado nas fases iniciais de lesões articulares, possivelmente utilizando a via do FKBP51 como alvo terapêutico, pode constituir uma estratégia mais eficaz do que o tratamento focado apenas no controle dos sintomas após a condição crônica já estar estabelecida.
Referência: Hestehave S, O'Neill N, Pagani V, et al. FKBP51 inhibition at disease onset prevents chronic pain and emotional comorbidities. Proc Natl Acad Sci U S A. 2025;122(44):e2517405122. doi: 10.1073/pnas.2517405122.
Escrito por Paulo Gustavo Barboni Dantas
Nascimento.
8. Proteína moduladora MDFIC2 reduz alodinia mecânica em modelos de dor neuropática
Um estudo
recente publicado na revista Proceedings of
the National Academy of Sciences (PNAS)
descreveu o papel da proteína MDFIC2 na
modulação da dor neuropática. Pesquisadores
identificaram que a MDFIC2 atua como um
modulador dos canais iônicos
mecanossensíveis PIEZO1 e PIEZO2, que são
fundamentais para a percepção tátil. O
estudo demonstrou que a expressão dessa
proteína está reduzida em modelos animais de
dor neuropática e que a restauração de seus
níveis, por meio de terapia gênica, é capaz
de atenuar de forma significativa a alodinia
mecânica — condição em que estímulos táteis
inofensivos passam a ser percebidos como
dolorosos.
A pesquisa
envolveu análises genéticas e testes
comportamentais em camundongos, incluindo o
modelo de lesão de nervo poupado (SNI). Os
cientistas mapearam a presença da MDFIC2 no
gânglio da raiz dorsal (DRG), constatando
sua coexpressão com canais PIEZO2 em
neurônios sensoriais periféricos.
Experimentos eletrofisiológicos indicaram
que a MDFIC2 altera as propriedades
biofísicas desses canais, modificando sua
cinética de inativação e reduzindo sua
sensibilidade a estímulos mecânicos. Quando
os pesquisadores administraram vetores
virais adeno-associados (AAV) para aumentar
a expressão de MDFIC2 no sistema nervoso dos
animais com lesões nervosas, observou-se uma
reversão da hipersensibilidade mecânica.
Os resultados
indicam que a interação entre a proteína
MDFIC2 e os canais PIEZO representa um
mecanismo regulatório relevante na via de
transmissão da dor. A identificação deste
sistema modulatório fornece informações
sobre as bases moleculares da
mecanotransdução em condições patológicas. O
desenvolvimento de estratégias terapêuticas
focadas no aumento da atividade da MDFIC2 ou
na mimetização de seus efeitos sobre os
canais PIEZO pode constituir uma abordagem
potencial para o tratamento da dor
neuropática crônica, uma condição que
frequentemente apresenta resistência aos
analgésicos convencionais.
Referência:
Hao AM, Li S, Zheng C, et al. MDFIC2 is a
PIEZO channel modulator that can alleviate
mechanical allodynia associated with
neuropathic pain. Proc Natl Acad Sci U S A.
2025;122(45):e2512426122. doi: 10.1073/pnas.2512426122.
Escrito por Paulo Gustavo Barboni Dantas
Nascimento.
9. Inibição de proteína na medula aumenta efeito analgésico de opioides
Um estudo
experimental recente demonstrou que a
inibição da proteína Hsp90 na medula
espinhal aumenta o efeito analgésico da
morfina. A pesquisa, conduzida por
cientistas da Universidade do Arizona em
modelo animal, investigou como essa
modulação ocorre e identificou a
participação de células imunes do sistema
nervoso na resposta à dor. Utilizando
camundongos, os autores aplicaram um
inibidor específico da proteína e avaliaram
a resposta à dor em testes comportamentais,
buscando entender novos mecanismos para
melhorar o tratamento com opioides e reduzir
seus efeitos adversos.
Os
pesquisadores utilizaram diferentes
abordagens experimentais, incluindo testes
de dor, bloqueio farmacológico e edição
genética, para investigar os mecanismos
envolvidos. Os resultados mostraram que a
inibição da Hsp90 ativa uma via de
sinalização celular que depende da proteína
Src, especialmente em células chamadas
micróglia. Quando essa proteína foi
bloqueada ou reduzida, o efeito analgésico
aumentado desapareceu. Além disso, a
modulação da atividade da micróglia também
alterou a resposta à dor, indicando que
essas células desempenham papel importante
na regulação da analgesia induzida por
opioides.
A inibição da
Hsp90 potencializa o efeito da morfina ao
modular vias celulares na medula espinhal.
Esse achado abre perspectivas para
estratégias que permitam reduzir doses de
opioides e seus efeitos colaterais. No
entanto, como o estudo foi realizado em
animais, ainda são necessárias pesquisas em
humanos para confirmar sua aplicação
clínica.
Referências:
Bowden JL, Carr JE, Gabriel KA, Streicher JM.
Hsp90 inhibition in mouse spinal cord
enhances Src kinase signaling in microglia
to increase opioid antinociception. Pain.
2026;167(3):551-563. doi:10.1097/j.pain.0000000000003813
Escrito por Clara Leite Trigueiro.
10. Estimulação de suturas cranianas não aumenta ocorrência de cefaleia
Um estudo experimental recente investigou se a estimulação não invasiva das suturas cranianas poderia induzir cefalia com maior frequência do que em outras regiões da cabeça, mas não encontrou diferenças significativas entre os locais. A pesquisa foi conduzida na Alemanha, com 60 pessoas sem histórico de cefaleia divididos em 3 grupos. O objetivo foi testar a hipótese de que as suturas funcionariam como vias de transmissão da dor entre estruturas externas e internas do crânio, contribuindo para a geração de cefalia.
O estudo utilizou um desenho experimental com grupos paralelos e cruzados, aplicando estímulos dolorosos controlados em diferentes pontos do couro cabeludo. Foram comparadas a ocorrência, intensidade e duração da dor de cabeça após estímulos em regiões suturais e não suturais. Apesar de evidências prévias indicarem conexões entre fibras nervosas extracranianas e intracranianas, os resultados mostraram que a frequência de cefaleia foi semelhante entre os locais testados, sem diferença estatisticamente significativa. Além disso, fatores individuais, como a sensibilidade à dor, podem ter influenciado mais os resultados do que o local da estimulação.
A estimulação de suturas cranianas não aumenta a ocorrência de cefalia em comparação com outras regiões da cabeça. Os achados indicam que a chamada “via das suturas” ainda não possui relevância funcional comprovada em humanos. No entanto, o estudo apresenta limitações, como o uso de participantes que não apresentavam enxaquecas ou dores crônicas antes da realização do estudo, sendo necessárias novas pesquisas em pacientes com cefaleia para melhor compreensão desse mecanismo.
Referência: Peng KP, Thieleke A, May A. Noninvasive cranial suture stimulation: exploring the functional extracranial-intracranial trigeminal fibre connection in humans. Pain. 2026;167(3):618-626. doi:10.1097/j.pain.0000000000003856 Escrito por Clara Leite Trigueiro. |