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Divulgação Científica
1. Yoga Nidra modifica a relação com a dor e reduz o sofrimento emocional em pessoas com dor crônica
Um estudo
clínico australiano, publicado em 2025,
revelou que uma prática guiada de meditação
profunda promove benefícios emocionais e
sociais significativos em pessoas com dor
crônica persistente. A pesquisa foi
realizada em um serviço ambulatorial
especializado em tratamento da dor, com 13
voluntários com diagnóstico de dor crônica,
ansiedade e depressão. O programa,
denominado iRest Yoga Nidra, consiste em
sessões de Yoga Nidra (meditação) e reflexão
guiada. Diante das evidências crescentes
sobre os benefícios da yoga no manejo da
dor, o estudo investigou de que forma o
programa influencia a relação das
participantes com a dor.
A pesquisa
utilizou uma abordagem qualitativa, baseada
em entrevistas individuais, palestras de
orientação e suporte, para coletar as
experiências dos participantes e avaliar os
impactos do tratamento. O programa consistiu
na prática do iRest Yoga Nidra, que utiliza
um protocolo de 10 etapas para induzir um
estado de relaxamento profundo e consciência
expandida. Os resultados demonstraram que a
vivência dessa técnica foi terapêutica e
restauradora. As entrevistas revelaram
benefícios além do alívio da dor, como a
aceitação corporal, o fortalecimento da
autoconfiança e uma nova forma de se
relacionar com a dor, sem vê-la como parte
da própria identidade.
O iRest Yoga
Nidra mostrou-se uma intervenção benéfica,
capaz de melhorar o bem-estar emocional e
social de pessoas com dor crônica. Essa
prática mente-corpo tem potencial para ser
integrada a programas multidisciplinares de
manejo da dor. Apesar dos resultados
promissores, o estudo é preliminar, exigindo
investigações futuras com mais
participantes.
Escrito por
Thalita da Cruz Monteiro Santana.
2. A toxina botulínica tipo A reduz a dor neuropática proporcionalmente ao número de aplicações
Em 2025,
pesquisadores franceses do hospital
universitário La Timone demonstraram que a
aplicação de toxina botulínica tipo A, Botox,
reduz a dor neuropática em pacientes, com
efeito cumulativo durante até 1 ano de
tratamento. Os tratamentos convencionais
para dor neuropática, geralmente geram
efeito analgésico insatisfatório. Esse
estudo mostrou que o tratamento
individualizado com toxina botulínica, de
acordo com a intensidade e local da dor no
paciente, pode induzir analgesia prolongada
em pacientes com dor neuropática.
O estudo foi
conduzido com 82 participantes adultos, que
receberam uma aplicação da toxina a cada
três meses, com um máximo de cinco
aplicações por paciente em até um ano. Os
efeitos analgésicos da toxina botulínica
foram avaliados por questionários validados,
que foram aplicados antes do tratamento e
após a realização de cada ciclo. Os
resultados demonstraram que a redução da dor
neuropática foi proporcional ao número de
aplicações da toxina.
Dessa forma, a
pesquisa comprovou que o tratamento com a
toxina botulínica do tipo A reduz os níveis
da dor neuropática e aumenta a resistência à
dor persistente em longo prazo. O trabalho
fortalece as evidências do efeito benéfico e
progressivo do uso de toxina botulínica para
o tratamento da dor neuropática, embora mais
estudos sejam necessários para estabelecer o
melhor protocolo de tratamento.
Referência;
Sole-Cruz E, Van Obberghen-Blanc E, Hirtz C,
Bennour I, Lanteri-Minet M, Donnet A.
Real-World Evaluation of Botulinum Toxin A
in Focal Peripheral Neuropathic Pain:
Longitudinal Outcomes. Eur J Neurol.
2025;32(9):e70362. doi:10.1111/ene.70362
Escrito por Diego Domingues Pereira.
3. Estudo demonstra os benefícios de exercícios físicos para pessoas com estresse pós-traumático
Praticar
exercícios físicos pode melhorar
significativamente a saúde mental, física e
qualidade do sono de adultos que passaram
por eventos traumáticos. É o que revela um
estudo norte-americano publicado em 2025,
conduzido por meio de questionários online
envolvendo 500 pessoas, entre 2015 e 2016. O
estudo teve o objetivo de investigar a dose
de exercícios necessária para promover a
melhora de sintomas experenciados por
indivíduos que sofrem de transtorno de
estresse pós-traumáticos.
O estudo
consistiu em uma análise observacional
online e transversal, no qual os voluntários
foram divididos em três grupos com base em
seus hábitos de exercício: os ativos, que
cumpriam a recomendação de 150 minutos por
semana de atividade moderada a vigorosa; os
insuficientemente ativos, que se exercitavam
menos que 150 minutos semanais; e os
inativos, que não se exercitavam. Por meio
de questionários validados, que analisaram a
qualidade do sono, dor física e sofrimento
psicológico, os pesquisadores descobriram
que o grupo ativo teve os melhores
resultados em todos os aspectos analisados.
Já o grupo insuficientemente ativo também
apresentou melhoras em comparação ao grupo
de inativos em relação aos sintomas de
transtorno do estresse pós-traumático e à
qualidade do sono, indicando que mesmo uma
quantidade menor de exercício já acarreta
benefícios.
Os resultados
confirmam que a atividade física está
fortemente associada a uma menor dor física,
psicológica e melhora na qualidade do sono,
com efeitos mais intensos naqueles que que
praticam atividade física moderada a
vigorosa. Os resultados reforçam a
importância de incluir a atividade física,
mesmo que em menores intensidade e
frequência, como estratégia de tratamento
acessível e simples para pessoas com
estresse pós-traumático.
Referência:
SantaBarbara NJ, Checko ER, Pebole MM,
Whitworth JW. Cross-sectional
exercise-related differences in PTSD
symptoms, psychological distress, physical
pain, and sleep quality in trauma-exposed
adults. Front Psychol. 2025;16:1445144.
Published 2025 Jun 19. doi:10.3389/fpsyg.2025.1445144
Escrito por Ana Carolina Lucchese Velozo.
4. A dor do diabetes afeta equilíbrio e aumenta risco de quedas
Pacientes com
diabetes que sofrem de dor neuropática,
aquela causada por danos nos nervos, têm
medo de se movimentar, maior risco de perder
o equilíbrio e sofrer quedas. É o que mostra
um estudo realizado por médicos da Turquia
entre fevereiro e março de 2023. O estudo
utilizou testes de equilíbrio e
questionários sobre medo de se movimentar e
nível de atividade física, para entender
como esse tipo de dor afeta o dia a dia, a
segurança e a confiança corporal desses
pacientes.
O estudo
analisou dados de 250 pessoas com diabetes
divididas em três grupos: com dor
neuropática; com dor por movimento ou dor
que surge de danos teciduais (dor
nociceptiva); e sem dor. O equilíbrio foi
avaliado pela Escala de Equilíbrio de Berg.
O medo de se movimentar (cinesiofobia) foi
medido pela Escala Tampa de Cinesiofobia, e
o medo de cair, pela Escala Internacional de
Eficácia em Quedas. O nível de atividade
física também foi verificado por
questionário. Os resultados mostraram que
pacientes com dor neuropática têm maiores
níveis de cinesiofobia, menos equilíbrio e
praticam menos atividade física.
O estudo
concluiu que pacientes com dor neuropática
associada ao diabetes têm maior risco de
perder o equilíbrio e sofrer quedas. Esses
achados reforçam a necessidade de programas
de reabilitação e exercícios supervisionados
para esse grupo de pacientes.
Referência:
Özdemir Ç, Telli H. Pain, Physical Activity,
Kinesiophobia, Balance and Fall Risk in
Patients with Diabetic Neuropathy. Pain
Manag Nurs. 2025;26(2):e153-e158. doi:10.1016/j.pmn.2024.09.007
Escrito por Dhara Leite Lopes.
5. Dor e desigualdade - algoritmos destacam pobreza como preditor de sofrimento
A posição socioeconômica beneficia a precisão de algoritmos de inteligência artificial na identificação de indivíduos com dor crônica incapacitante. Realizado por pesquisadores norte-americanos, o estudo utilizou dados da National Health Interview Survey (NHIS) de 2019. Através de algoritmos de aprendizado de máquina, os especialistas incluíram mais de 31 mil adultos dos Estados Unidos para antecipar supostos casos de dor crônica com impacto funcional. A análise buscou reconhecer quais aspectos socioeconômicos, como trabalho, renda e moradia, são mais significativos para pressupor essa condição, com foco em ampliar a equidade em saúde.
Os resultados foram alcançados a partir de uma análise transversal que utilizou três diferentes técnicas de aprendizado de máquina: árvores de decisão por gradiente (GBDT), florestas aleatórias e redes neurais. A estratégia GBDT foi a mais pontual, com nível de acerto de 92,6%. Condições físicas e psicológicas como uso de opioides, depressão e artrite, além de fatores como renda familiar, proporção de renda em relação à linha da pobreza, estabilidade na moradia e número de adultos trabalhando, foram centrais para os modelos.
Dessa forma, a principal conclusão é que fatores socioeconômicos são fortes preditores de dor crônica incapacitante. Essa descoberta ressalta o potencial de políticas públicas voltadas para diminuir desigualdades sociais como estratégia de enfrentamento à dor. Limitações incluem o caráter transversal, que não viabiliza afirmar causa e efeito entre pobreza e dor.
Referência: Morris MC, Moradi H, Aslani M, et al. Haves and have-nots: socioeconomic position improves accuracy of machine learning algorithms for predicting high-impact chronic pain. Pain. 2025;166(5):e68-e82. doi:10.1097/j.pain.0000000000003451
Escrito por Maria Eduarda Gonçalves Dos
Santos.
6. Os efeitos do sono fragmentado e ritmos irregulares agravam a dor crônica em mulheres Estudo revela
que a interação entre interrupções no sono e
ritmos circadianos desorganizados
intensifica a dor sentida no dia seguinte. A
pesquisa analisou a relação entre qualidade
do sono e intensidade da dor em mulheres
adultas com disfunção temporomandibular e
insônia nos Estados Unidos. Realizada entre
2013 e 2018 por pesquisadores da
Universidade Estadual do Arizona, Johns
Hopkins e Universidade de Connecticut, a
investigação monitorou as participantes com
actígrafos de pulso e relatos diários por
telefone. Desta forma, o estudo buscou
entender como o desequilíbrio fisiológico
influencia a dor para aprimorar tratamentos
contra a dor crônica relacionada à disfunção
temporomandibular.
Para obter os
resultados, os pesquisadores realizaram um
estudo de coorte que acompanhou 140 mulheres
com dor crônica na face por 14 dias,
utilizando um dispositivo no pulso para
registrar a duração e qualidade do sono,
além da regularidade da rotina diária
diariamente, as participantes também
avaliavam a intensidade da dor em uma escala
de 0 a 10. Com o uso de modelos lineares de
efeitos mistos, que permitem avaliar
mudanças diárias na rotina de cada
participante. Além disso, horários
irregulares de descanso e atividade
aumentavam esse efeito, indicando que uma
rotina consistente e sono de melhor
qualidade podem reduzir a dor.
Desta forma, o
estudo aponta que interrupções no sono e
ritmos circadianos desregulados aumentam a
dor percebida no dia seguinte. Esses achados
destacam a importância de estratégias que
melhorem o sono e a regularidade biológica
no manejo da dor crônica. Porém, a
generalização é limitada pela amostra
restrita e pelo caráter observacional, sendo
necessário a realização de novos estudos
experimentais para validação desses
resultados.
Referência:
Mun CJ, Tsang S, Reid MJ, et al. Effects of
sleep and circadian rest-activity rhythms on
daily pain severity in women with
temporomandibular disorders. Pain.
2025;166(7):1487-1496. Published 2025 Mar
28. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003578 Escrito por Jéssica Juliana Quinto Lourenço.
7. Fibromialgia e genética - novas pistas para um diagnóstico mais preciso
A síndrome da fibromialgia (SFM) possui fisiopatologia desconhecida. Isso é um impasse para o diagnóstico, tratamento e prognóstico dos pacientes. Além da dor intensa generalizada pelo corpo, alterações no padrão de sono e depressão estão associados ao quadro de fibromialgia. Um estudo realizado entre 2014 e 2017 no Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Würzburg, na Alemanha evidenciou alterações genéticas em mulheres com fibromialgia, o que pode explicar a origem da patologia e ajudar no manejo clínico.
O sequenciamento genético de RNA de pequeno calibre (microRNAs) foi utilizado para diferenciar as mulheres com SFM (53) das saudáveis (34) e pacientes com depressão grave e dor física crônica (15). Isso foi possível através da coleta de exames laboratoriais e uma biópsia de pele em regiões da perna para avaliar a densidade de fibras nervosas intraepidérmicas. Com o resultado das biópsias, a amostra foi pontuada se a inervação estava normal, se apresentava redução distal, redução proximal ou redução generalizada. Uma outra parte das biópsias foi submetida a culturas de queratinócitos (células de queratina que protegem a pele e está associado a resposta imunológica). Os resultados dos exames foram comparados e evidenciou que o microRNAs e tRFs (fragmentos de RNA de transferência) do sangue e dos queratinócitos estão desregulados em mulheres com SFM: os queratinócitos são reduzidos devido a diminuição na transcrição reversa e tRFs é elevado em pacientes com SFM. Sugere então, que a fibromialgia deprime sistema imune e, conclui-se que esses sejam biomarcadores da patologia.
Os sintomas da depressão e da SFM podem se sobrepor, para isso a expressão de dois micros RNA, em específico, são pilares para diagnóstico, diferenciação e monitoramento dessas duas condições. Para melhor prosseguimento, o estudo sugere padronização de protocolos para avaliação desses biomarcadores. Trata-se de uma revelação promissora na ciência para a avaliação e desenvolvimento da dor, tendo em vista que a SFM impacta na funcionalidade e provoca alterações morfológicas no sistema nervoso central.
Referência: Erbacher C, Vaknine-Treidel S, Madrer N, et al. Altered blood and keratinocyte microRNA/transfer RNA fragment profiles related to fibromyalgia syndrome and its severity. Pain. 2024;166(7):1641-1652. Published 2024 Dec 6. doi:10.1097/j.pain.0000000000003499
Escrito por Aline Frota Brito.
8. Relação entre a dor e a Síndrome de Christianson
A Síndrome de Christianson (SC) é um
distúrbio do neurodesenvolvimento ligado ao
cromossomo X causado por mutações de perda
de função no trocador de cátions/prótons
alcalinos SLC9A6/NHE6, em que portadores
apresentam graves deficiências cognitivas,
mutismo e perda da função motora. Para
compreender a percepção da dor nessa
síndrome, foi realizado um estudo misto nos
EUA e Canadá, sendo observacional clínico e
pré-clínico em modelo murino da doença, onde
observaram que crianças com Síndrome de
Christianson apresentam hipossensibilidade à
dor, em contrapartida demonstram aversão á
estímulos inofensivos.
Participaram deste estudo 14 meninos com SC,
onde responderam aos seguintes
questionários, Perfil de Dor Pediátrica (PPP),
Lista de Verificação de Dor não comunicativa
para Crianças - revisada (NCCPC-R0) e o
Questionário de Situações Sensoriais e
Dolorosas (PQS). Os camundongos machos
(Scl9a6 KO) foram utilizados nos testes
comportamentais para avaliar a dor em
resposta a estímulos térmicos, nocivos,
químicos e mecânicos, o uso desse modelo
murino de SC permite entender melhor os
mecanismos subjacentes à hipossensibilidade
à dor. Os resultados mostraram que, na
ausência de Slc9a6, camundongos apresentam
hipossensibilidade à dor, o que contribui
para a redução da dor inflamatória aguda e
para uma hipersensibilidade a estímulos
inócuos, além disso foi possível observar
que 50 % das crianças apresentam déficits na
sensibilidade à dor e aversão a estímulos
inócuos.
Enquanto a dor passa despercebida em
crianças com SC, sensações leves como toques
e roçar em superfícies lisas podem ser
extremamente incômodas, tornando-as
vulneráveis ao desenvolvimento de
complicações decorrentes de ferimentos não
relatados. Esse estudo ajuda a compreender
como a síndrome afeta o sistema sensorial e
podem influenciar futuras abordagens
clínicas sobre a necessidade de exames
adequados de lesões.
Referência: Premachandran S, Ocay DD,
Beaulieu C, et al. Pain experience of
children with Christianson syndrome. Pain.
2025;166(7):1610-1621. Published 2025 Feb
19. doi:10.1097/j.pain.0000000000003522
Escrito por Ana Karolyne Mendes
Meirelles.
9. Dor crônica e o cérebro - estudo revela desequilíbrio químico em pacientes com lombalgia persistente
Pesquisadores
da Universidade de Zurique e instituições
parceiras investigaram por que a dor lombar
crônica persiste mesmo sem causa aparente. O
estudo, realizado na Suíça, teve como
objetivo entender alterações nos
neurotransmissores do cérebro que poderiam
explicar a dificuldade desses pacientes em
inibir a dor.
A equipe
examinou o funcionamento da substância
cinzenta periaquedutal (PAG), uma região
cerebral envolvida na modulação da dor, em
41 pacientes com dor lombar crônica e 29
controles saudáveis, entre dezembro de 2019
e abril de 2022. Usando espectroscopia por
ressonância magnética, descobriram um
desequilíbrio entre neurotransmissores
excitatórios e inibitórios, sendo possível
quantificar os níveis de dois
neurotransmissores na substância cinzenta
periaquedutal (PAG), uma região do tronco
cerebral que atua como centro de controle da
dor. Os pacientes com dor lombar crônica
apresentaram níveis reduzidos de glutamato e
aumentados de GABA, o que sugere uma falha
no sistema natural do corpo de inibir a dor.
Logo, essa
descoberta é relevante porque reforça
teorias anteriores sobre o papel do cérebro
na manutenção da dor crônica, mesmo quando
não há mais lesão no corpo. Além disso, pode
abrir caminhos para novos tratamentos, que
levem em conta a química cerebral e não
apenas abordagens físicas ou medicamentosas
tradicionais.
Referência:
Sirucek L, De Schoenmacker I, Gorrell LM, et
al. The periaqueductal gray in chronic low
back pain: dysregulated neurotransmitters
and function. Pain. 2025;166(7):1690-1705.
Published 2025 May 15. doi:10.1097/j.pain.0000000000003617
Escrito por Carolina Andrade Gois.
10. Revisão sistemática sugere fármacos moduladores da glia como ferramenta eficaz para tratamento e prevenção de dor
Estudo realizado no Canadá aponta que fármacos que atuam na glia do sistema nervoso podem representar uma estratégia eficaz para o tratamento ou prevenção da dor. Os resultados apontaram que entre os estudos avaliados, apenas 6 relataram um efeito positivo do tratamento com fármacos moduladores de glia, 9 não apontaram nenhum efeito e 11 apontaram efeitos mistos. Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática com o objetivo de avaliar as evidências atuais de eficácia e segurança de fármacos moduladores da glia relevantes para o tratamento da dor. Compararam estudos que avaliavam fármacos moduladores da glia versus placebo ou outros comparadores.
O estudo se tratava de uma revisão sistemática composta por uma amostra de 26 ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos que totalizavam 2132 participantes. Selecionaram estudos que incluíam como desfecho primário medidas avaliadas relatadas pelos pacientes de intensidade ou alívio de dor ou (no caso dos estudos com opioides) efeitos adversos relacionados a opioides. Os estudos foram agrupados se avaliassem os mesmos fármacos usando os mesmos parâmetros de mensuração de resultados. Dos 26 estudos, 12 avaliaram a minociclina, 11 a pentoxifilina e 3 o ibudilast.
Dentre os estudos analisados as condições clínicas associadas a dor incluíram: dor na artrite reumatoide, isquemia crônica dos membros, neuropatia diabética, síndrome do intestino irritável, dor na úlcera venosa de pena, radilucopatia lombar, câncer pancreático, cancroide, enxaqueca crônica. Cinco estudos avaliavam a eficácia dos moduladores de glia em casos de dor pós-operatória e três avaliaram para prevenção de dor relacionada ao tratamento de câncer.
Por fim, o estudo aponta que fármacos que atuam na glia do sistema nervoso podem representar uma estratégia eficaz para o tratamento ou prevenção da dor, já que os resultados apontaram que as evidências encontradas ainda não são suficientes para afirmar a hipótese da eficácia dos moduladores da glia como eficazes para tratamento e prevenção da dor. Entretanto, os autores pontuam a importância da continuidade da pesquisa em humanos para identificar possíveis benefícios dos moduladores da glia para o tratamento e prevenção da dor.
Referências: Gilron I, Xiao MZX, Carley M, et al. Glial-modulating agents for the treatment of pain: a systematic review. Pain. 2025;166(5):1030-1049. doi:10.1097/j.pain.0000000000003447 Escrito por Ana Carolina Teles Marçal. |