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Divulgação Científica
1. A estimulação cerebral reduz a dor em mulheres com fibromialgia
Pesquisadores
brasileiros demonstraram que a estimulação
transcraniana por corrente contínua (ETCC),
aplicada em casa, reduz o impacto da dor em
mulheres com fibromialgia. O estudo,
realizado em 2025 na cidade de Porto Alegre,
Brasil, utilizou uma técnica que aplica uma
corrente elétrica de baixa intensidade no
couro cabeludo, de forma controlada,
combinando-a com exercícios físicos e
educação em dor. A estimulação transcraniana
atua diretamente nas áreas do cérebro
envolvidas na sensação de dor, ajudando a
regular sua atividade e a melhorar como o
corpo percebe e reage à dor, o que se
reflete em maior bem-estar e melhor
funcionalidade das participantes.
O estudo
envolveu 112 participantes em um ensaio
clínico randomizado e duplo-cego. Os efeitos
da estimulação transcraniana foram avaliados
por meio do índice de interferência da dor,
de escalas de intensidade, qualidade de vida
e autopercepção de melhora, durante quatro
semanas de tratamento e três meses de
acompanhamento. O grupo experimental recebeu
sessões de 20 minutos de ETCC de 2 mA, cinco
vezes por semana, ao longo de quatro
semanas, enquanto o grupo de estimulação
simulada recebeu apenas um breve estímulo
inicial de trinta segundos, para simular o
tratamento. Ambos os grupos realizaram
exercícios leves e assistiram aos mesmos
vídeos educativos sobre dor. Os resultados
mostraram que no grupo ETCC houve redução de
39% do impacto da dor, enquanto no grupo de
estimulação simulada a redução foi de 16%
após quatro semanas de tratamento. Também
foi observada melhora na qualidade de vida
das participantes do grupo tratado, que
relataram sentir menos dor ao realizar
pequenos esforços do dia a dia.
Portanto, a
ETCC combinada com exercícios e educação em
saúde diminui o impacto da dor em mulheres
com fibromialgia. Esse achado aponta uma
nova abordagem para tratar a dor crônica
atuando em sua origem neural. Contudo, o
estudo incluiu teve duração limitada,
exigindo novas investigações.
Referência:
Sotero RC, DaSilva AF, Fregni F, et al.
Home-based transcranial direct current
stimulation combined with exercise and pain
neuroscience education for fibromyalgia: a
randomized clinical trial. JAMA Netw Open.
2025;8(9):e2339725. Published 2025 Sep 3.
doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.39725
Escrito por
Daiane Salinas da Silva Santos.
2. Dor cervical crônica intensifica sintomas depressivos
Um estudo
longitudinal revelou que a dor cervical
crônica aumenta os sintomas depressivos em
pessoas com depressão. Conduzida entre 2020
e 2021 na Coreia do Sul, a pesquisa utilizou
dados do estudo nacional Circannual Change
in Headache and Sleep, com 1551
participantes avaliados por meio de
questionários online validados. A relação
bidirecional entre a dor cervical crônica e
depressão têm sido demonstradas. Esse estudo
avaliou como a dor influencia a progressão
dos sintomas depressivos ao longo do tempo,
buscando fornecer evidências que orientem
estratégias integradas de manejo da dor e
saúde mental.
Os
participantes foram divididos em dois grupos
- depressão leve e depressão moderada a
grave - e foram acompanhados por um ano com
avaliações online realizadas a cada três
meses. Foram aplicados questionários
validados para medir sintomas depressivos,
ansiedade, insônia, qualidade do sono e dor
generalizada. Os resultados mostraram que
19% dos pacientes com depressão leve e 36%
dos com depressão moderada a grave relataram
dor cervical crônica em todas as avaliações.
Ao longo do acompanhamento, esses pacientes
apresentaram maior insônia, pior qualidade
do sono, dor mais intensa e níveis elevados
de ansiedade, além de piora significativa
nos sintomas depressivos em comparação aos
que não tinham dor cervical.
O estudo
mostrou que a dor cervical crônica agrava os
sintomas depressivos e dificulta a
recuperação emocional. Esse achado reafirma
o impacto da dor persistente na saúde mental
e a importância de estratégias terapêuticas
integradas que abordem simultaneamente dor e
depressão.
Referência:
Song S, Jeong J, Yum J, Kim KM, Chu MK.
Chronic neck pain as an exacerbating factor
for depressive symptoms in a 1-Year
longitudinal population study. Sci Rep.
2025;15(1):33425. Published 2025 Sep 29. doi:10.1038/s41598-025-18868-0 Escrito por Thalita da Cruz Monteiro Santana.
3. Dor pélvica crônica pode acelerar o envelhecimento do cérebro?
Um estudo
publicado em 2025 por cientistas dos Estados
Unidos concluiu que a dor em pessoas com a
síndrome da dor pélvica crônica urológica (SDUPC)
pode estar associada a um envelhecimento
cerebral acelerado, especialmente em
mulheres. A pesquisa foi conduzida pela Rede
MAPP (Abordagem Multidisciplinar para o
Estudo da Dor Pélvica Crônica), que envolve
diversos centros acadêmicos dos EUA. O
objetivo foi entender como essa condição
impacta o envelhecimento cerebral e quais
variáveis contribuem para esse efeito.
Os cientistas
utilizaram exames de ressonância magnética
estrutural e um programa computacional
chamado “brainageR” para estimar a idade
biológica do cérebro. A partir da análise
das imagens, contando com 564 participantes,
compararam 492 pessoas com dor pélvica
crônica a 72 controles saudáveis. Diversos
aspectos clínicos foram integrados à
análise, incluindo tempo de duração da dor,
indicadores inflamatórios, presença de dor
em outras regiões do corpo e sintomas de
ansiedade e depressão. Entre esses fatores,
apenas os marcadores inflamatórios,
especialmente TNF-α e MCP-1, apresentaram
associação estatística com o envelhecimento
cerebral, sugerindo o papel da inflamação
nesse processo.
O achado
sugere que a dor crônica pode impactar a
saúde do cérebro, influenciada por fatores
como inflamação. Embora promissor, o achado
precisa ser aprofundado por novos estudos
que explorem melhor o papel da inflamação e
a diferença entre os sexos no envelhecimento
cerebral.
Referência:
Leech KA, Kettlety SA, Mack WJ, Kreder KJ,
Schrepf A, Kutch JJ. Brain predicted age in
chronic pelvic pain: a study by the
Multidisciplinary Approach to the Study of
Chronic Pelvic Pain Research Network. Pain.
2025;166(5):1060-1069. doi:10.1097/j.pain.0000000000003424
Escrito por Eduarda Gomes Saldanha.
4. A baixa representatividade compromete a validação de pesquisas sobre dor crônica infantil
Pesquisas
sobre dor crônica pós-cirúrgica pediátrica
negligenciam determinantes sociais da saúde,
comprometendo a representatividade das
amostras. Os pesquisadores publicaram em
junho de 2025 na revista Pain Journal, o
resultado de uma revisão sistemática. Foram
analisados 15 estudos prospectivos
realizados nos últimos dez anos, com
crianças de 6 a 18 anos submetidas a
cirurgias de grande porte. Considerou-se
variáveis na execução e análise, com base no
referencial do Instituto Nacional sobre
Saúde de Minorias e Disparidades em Saúde.
Desta forma, o estudo buscou responder como
os determinantes sociais da saúde têm sido
abordados em pesquisas de dor crônica
pós-cirúrgica pediátrica.
Para obter os
resultados, os pesquisadores realizaram uma
análise detalhada dos métodos dos estudos
selecionados. Utilizaram a ferramenta do
NIMHD, que identificou se os estudos
incluíram variáveis sociais como raça,
renda, escolaridade e idioma durante o
planejamento, coleta e análise dos dados.
Essa abordagem permitiu avaliar a presença
ou ausência desses fatores em cada estudo e
verificar a exclusão frequente de crianças
em grupos vulneráveis, explicando as
limitações encontradas.
Dessa forma, a
pesquisa aponta a negligência dos
determinantes sociais em saúde, que
compromete a representatividade das amostras
em estudos sobre dor crônica pós-cirúrgica
pediátrica. A insuficiente representação de
grupos vulneráveis que restringe a
generalização dos resultados e as limitações
da revisão decorrem de sua dependência de
estudos que, em sua maioria, não
incorporaram variáveis sociais relevantes
para a pesquisa.
Referência:
Gaultney W, Jimenez N, Correa-Medina A,
Campbell CM, Rabbitts JA. Social
determinants of health in pediatric chronic
postsurgical pain research. Pain.
2025;166(6):1223-1229. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003510
Escrito por Jéssica Juliana Quinto
Lourenço.
5. A raiva e a tendência a sentir raiva aumentam o risco de desenvolver dor crônica
Em 2025, um estudo longitudinal realizado por pesquisadores franceses identificou que a raiva sentida no momento da admissão em um pronto-socorro, somada à tendência do indivíduo a sentir raiva com frequência, aumenta em até quatro vezes o risco de desenvolver dor crônica. Este foi o primeiro estudo a avaliar o impacto das emoções no ambiente do pronto-socorro sobre o desenvolvimento de dor crônica. A identificação da influência das emoções negativas nos diferentes níveis de cuidado em saúde sobre o desenvolvimento da dor crônica, permite o planejamento de medidas que possam minimizar essas emoções.
Foram incluídos 914 pacientes que não tinham diagnóstico de dor crônica. Os pesquisadores analisaram a presença e a intensidade de oito emoções, classificadas como positivas (alívio, contentamento, alegria e interesse) ou negativas (raiva, medo, arrependimento e tristeza), além da intensidade da dor no momento da admissão. Ao identificar as emoções com maior intensidade, também investigaram a frequência com que cada emoção era sentida antes da emergência. Após quatro meses, os pacientes que relataram sentir dor persistente ou recorrente foram considerados com dor crônica. Foi avaliada a influência desses fatores individualmente e em conjunto sobre o desenvolvimento da dor crônica. Cerca de 30% dos pacientes atendidos na urgência por um problema de saúde agudo, e que sentiram raiva e tinham uma tendência a sentir raiva, desenvolveram dor crônica quatro meses depois. Nas avaliações realizadas por questionários no momento da admissão, esses pacientes também relataram sentir tristeza, tendência a sentir tristeza com frequência, e apresentaram dor moderada, os quais também foram associados ao desenvolvimento da dor crônica, embora com menor impacto.
Dessa forma, o estudo mostrou que pacientes com raiva e tendência à raiva na admissão em uma emergência têm um risco maior de desenvolver dor crônica após esse evento agudo. Esses achados contribuem para o planejamento de estratégias para minimizar fatores que possam provocar sentimentos de raiva nos pacientes, já no ambiente de pré-atendimento.
Referência: Pilet C, Gil-Jardiné C, Tortes Saint Jammes J, Lagarde E, Lafont S, Galinski M. The role of emotions reported in the emergency department in four-month chronic pain development: Effects of sadness and anger. The American Journal of Emergency Medicine. 2025;92:52-59. doi:10.1016/j.ajem.2025.02.044
Escrito por Sthefane Silva Santos .
6. Neurônios espinais que expressam Urocortina 3 modulam a prurido Neurônios da
medula lombar que expressam Urocortina 3
(Ucn3) desempenham papel fundamental na
regulação de respostas sensoriais associadas
ao prurido. Pesquisadores da Universidade de
Gotemburgo, na Suécia, realizaram
investigação utilizando camundongos
geneticamente modificados, possibilitando a
visualização e a manipulação funcional
dessas estruturas. A estimulação provocou
comportamentos típicos, enquanto sua
inibição reduziu significativamente as
respostas, evidenciando a importância dessas
células no processamento espinal do prurido.
O cruzamento
de camundongos Ucn3::Cre com a linhagem
tdTomato permitiu identificar e monitorar
essas unidades especializadas por meio de
técnicas de fluorescência. O prurido foi
induzido com injeções subcutâneas de
Composto 48/80, associado à liberação de
histamina, além de arranhão artificial. A
manipulação quimiogenética confirmou que os
neurônios Ucn3 são necessários e suficientes
para desencadear comportamentos
pruriginosos. Adicionalmente, a análise
molecular revelou dois subgrupos funcionais:
um associado a prurido e dor inflamatória
(CALB2+) e outro relacionado à dor
neuropática (PKCγ+).
Em síntese, os
neurônios Ucn3 exercem um papel central na
integração e modulação de sinais sensoriais.
Dessa forma, eles se destacam como
potenciais alvos terapêuticos no tratamento
de prurido crônico e para o avanço na
compreensão de mecanismos relacionados à dor
neuropática.
Referência:
Franck MCM, Weman HM, Ceder MM, et al.
Spinal lumbar Urocortin 3-expressing neurons
are associated with both scratching and
Compound 48/80-induced sensations. Pain.
2025;166(5):1070-1087. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003435 Escrito por Letícia Amorim Utsch.
7. Competição entre regiões do Sistema Nervoso Central no controle da dor por estímulos frios
Um estudo experimental realizado no Instituto Indiano de Ciência revelou que as diferentes informações que chegam no Sistema Nervoso Central competem entre si em uma região denominada Núcleo Parabraquial Lateral (NPBL), e essa define como o corpo e as emoções reagiram à dor causada pelo frio. Segundo os autores, os neurônios do NPBL se tornam hipersensíveis ao frio em camundongos com neuropatia periférica induzida por quimioterapia.
Para o estudo, foram utilizados camundongos de linhagens específicas que tinham entre 2 e 4 meses de idade, e neles foi injetado fibras de fotometria para medir em tempo real o comportamento neural dos animais quando expostos ao frio. Os pesquisadores observaram que quanto menor a temperatura, maior era o número de lambidas nas patas como forma de alívio da dor, ou seja, o resultado da competição de estímulos que ocorre no NPBL define o comportamento do roedor, podendo ser emotivo como o lamber as patas ou pode ser uma resposta reflexa.
Desse modo, o estudo sugere um mecanismo importante que permite o entendimento de respostas afetivo motivacionais ao frio em modelo de dor crônica induzida por quimioterapia.
Referência: Reddy P, Narayan Prajapati J, Chaterji S, Varughese A, Chaudhary Y, Sathyamurthy A, Barik A. Converging inputs compete at the lateral parabrachial nuclei to dictate the affective-motivational responses to cold pain. Pain. 2025 May 1;166(5):1105-1117. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003468. Epub 2024 Nov 12. PMID: 39715193.
Escrito por Maria Eduarda De Lima
Pereira.
8. Malha ao redor dos neurônios pode estar por trás da dor crônica
O estudo
evidenciou que estruturas denominadas redes
perineuronais, formadas por componentes da
matriz extracelular envolvendo certos
neurônios, aumentam em regiões do cérebro de
camundongos com dor crônica causada por
lesão nervosa. A pesquisa realizada por
cientistas italianos da Universidade de Roma
“La Sapienza”, mostrou que a presença maior
dessas redes em áreas ligadas à percepção e
ao controle da dor está associada à maior
sensibilidade ao toque e ao calor. Quando
essas redes foram destruídas, os animais
sentiram menos dor e quando sua degradação
foi bloqueada, até camundongos saudáveis
ficaram mais sensíveis.
O estudo
contou com o uso de camundongos que
continham lesão no nervo ciático e avaliou a
dor com testes de toque e calor. Após tratar
o cérebro dos animais com uma enzima que
dissolve as redes perineuronais, a
sensibilidade à dor diminuiu. Por outro
lado, ao impedir que essas redes fossem
quebradas naturalmente, mesmo animais sem
lesão passaram a sentir mais dor. As redes
se formaram principalmente no córtex
somatossensorial, no córtex pré-frontal e em
regiões do tálamo e da ínsula — todas
ligadas à experiência da dor.
O acúmulo
dessas redes parece tornar os neurônios mais
sensíveis, o que pode piorar ou até causar
dor crônica. A pesquisa abre caminho para
novos tratamentos que atuem diretamente
sobre essas estruturas, mas ainda são
necessárias abordagens mais específicas para
uso clínico.
Referência:
Mascio G, Notartomaso S, Ginerete RP, et al.
Formation of perineuronal nets within a
thalamocortical circuit shapes mechanical
and thermal pain thresholds in mice with
neuropathic pain. Pain.
2025;166(5):1128-1142. doi:10.1097/j.pain.0000000000003563
Escrito por Clara Leite Trigueiro.
9. Manipulação experimental induz hipoalgesia placebo e hiperalgesia nocebo
Pesquisadores
da Itália e do Reino Unido evidenciaram que
modular a expectativa dolorosa induz
respostas previsíveis. A intensidade de dor
esperada dos 60 voluntários saudáveis e a
confiança em suas expectativas foram
mensuradas antes e após estímulos elétricos
nocivos. A coleta de dados ocorreu entre os
anos de 2022 e 2023. Sugestões verbais
hipoálgicas, hiperálgicas ou neutras foram
feitas a depender da alocação do grupo. A
hipótese de que quanto maior a precisão da
expectativa, menor seria a discrepância
entre o que é esperado e o que é percebido
foi conferida no âmbito metacognitivo.
Os
participantes foram randomizados,
sentaram-se em frente a uma tela de
computador e receberam fones de ouvido para
isolar os ruídos externos. Com a mão
dominante seguraram um teclado externo para
atribuir classificações, enquanto a mão não
dominante tinha 4 elétrodos conectados para
induzir 8 estímulos nocivos de intensidade
fixa. As principais análises investigaram se
a dor segue regras inferenciais bayesianas,
nas quais resultam da integração entre dados
sensoriais, a percepção anterior (metacognitiva)
e seu nível de certeza do resultado.
Percepção
tendenciosa da dor resulta em aumento ou
redução da mesma em estudo experimental com
estímulos nocivos. A introdução de
princípios bayesianos no nível metacognitivo
representa um avanço inovador na pesquisa
placebo e nocebo, o que amplia o campo de
investigação de mecanismos adjacentes à
manutenção da dor crônica.
Referência:
Camerone EM, Tosi G, Romano D. The role of
pain expectancy and its confidence in
placebo hypoalgesia and nocebo hyperalgesia.
Pain. 2025;166(7):1577-1586. Published 2025
Jan 9. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003495
Escrito por Emanuelle Lorraine Nolêto das
Neves.
10. Cérebro revela sinais de dor crônica em pacientes com esclerose múltipla
Um estudo canadense utilizando a inteligência artificial conseguiu identificar, por meio de imagens cerebrais, marcadores da dor crônica em pessoas com esclerose múltipla (EM). Os pesquisadores compararam indivíduos com EM que sofrem de neuralgia do trigêmeo com aqueles sem dor, alcançando uma precisão de 93,4% ao distinguir os grupos por alterações específicas na substância cinzenta do cérebro. O estudo foi conduzido entre 2010 e 2023, envolvendo 152 pacientes em hospitais de Toronto buscando compreender por que a dor em pacientes com EM é tão prevalente e pouco reconhecida.
Utilizando dados de ressonância magnética e algoritmos de aprendizado de máquina, o estudo identificou 17 regiões do cérebro associadas à dor crônica em pacientes com EM. As alterações envolvem áreas ligadas à percepção sensorial, memória e processamento emocional da dor, como o hipocampo, o tálamo e o córtex somatossensorial. Além disso, a metodologia incluiu técnicas avançadas de imagem e análise estatística para extrair métricas cerebrais de mais de 400 regiões e aplicou modelos preditivos capazes de distinguir com alta precisão os pacientes com e sem dor.
A principal descoberta do estudo foi a identificação de assinaturas cerebrais da dor crônica em pacientes com EM, com alta precisão. Isso abre caminho para diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados. Contudo, como o estudo foi retrospectivo e os pacientes usavam medicamentos para dor, novos estudos longitudinais são necessários para validar esses achados e entender sua evolução ao longo do tempo.
Referência: Latypov TH, Wolfensohn A, Yakubov R, et al. Signatures of chronic pain in multiple sclerosis: a machine learning approach to investigate trigeminal neuralgia. Pain. 2024;166(7):1622-1630. Published 2024 Dec 13. Doi:10.1097/j.pain.0000000000003497. Escrito por Maria Eduarda Rodrigues de Souza Ribeiro. |