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Alerta da edição mensal

 

 

COVID-19 e o desafio da telessaúde

Giovanna França Alves
 

A pandemia da COVID- 19 levou à mudança repentina dos centros de saúde em todo o mundo. A assistência em Saúde antes universal, agora se concentra no manejo dos infectados e nos casos emergenciais. O desvio dos recursos planejado, como cancelamento de cirurgias, e o não planejado, como falta de medicamentos e colapso dos sistemas de saúde, impactam na vida de milhões de pessoas que sofrem com a dor crônica.

 

Essa inacessibilidade ao tratamento leva o paciente com dor ao maior risco de desenvolver depressão e pensamentos suicidas acarretando em aumento do índice de morbidade no mundo. Além disso, pessoas que sofrem com dor apresentam maior probabilidade de desenvolver a infecção por COVID-19, ademais os problemas posteriores causados pelo falta das terapias vivenciadas atualmente.

 

A fim de minimizar os dados e prover aos pacientes o tratamento, observa-se o crescimento do uso da telemedicina, que até então era conduzida de forma gradual, em nível de teste, debatendo-se suas barreiras e qualidades. Várias são as modalidades desta ferramenta, como por exemplo, a Ehealth que objetiva a pesquisa e estudos contando com literatura e vigilância em saúde. A mHealth que é caracterizada pelo uso de aplicativos de assistência em Saúde que os próprios pacientes usam em seus dispositivos eletrônicos, e diversas outras medidas como realidade virtual e aumentada.

 

A fim de alcançar mais pessoas, busca-se primeiro o meio mais difundido e menos oneroso, o telefone. Por meio de mensagens, telefonemas ou videoconferência, pacientes e profissionais da saúde podem compartilhar experiências e dados que auxiliam no gerenciamento da dor. Sistemas como o PAINOUT da Europa já utilizam desta estratégia para avaliações e revisões de consulta possibilitando até mesmo a aplicação de autoexame aos pacientes, embora este possua suas limitações.

 

Algumas evidências já demonstram otimismo quanto à aplicação da telemedicina, como por exemplo, crianças e adolescentes relataram melhora da dor decorrente de artrite, doença falciforme e outras formas, por meio de terapias remotas ou aplicativos. Outros estudos revelam a diminuição da intensidade da dor e da angústia através da telessaúde. Ainda assim, este método deve ser visto com cautela, haja vista o crescimento desenfreado do desenvolvimento de softwares com qualidade e segurança questionáveis.

 

Embora promissora, esta técnica ainda possui pouca evidência na literatura acerca dos danos que podem ser provocados pela mesma. Além disso, a telemedicina enfrenta outro paradigma: a acessibilidade, principalmente a idosos e pessoas portadoras de deficiência. Estudos também demonstram que esta técnica é inferior quando comparada a consultas presenciais com o profissional de saúde.

 

Assim, conclui-se que a interrupção do tratamento da dor terá consequências futuras significativas à vida dos pacientes. A telessaúde pode auxiliar na prestação de serviços em saúde e no manejo do estresse emocional desenvolvido em tempos de pandemia. Ao término desta crise, será possível visualizar melhor as informações colhidas nesta experiência como uma maneira de entender o que de fato funciona ou não.

 

Referência: Managing patients with chronic pain during the COVID-19 outbreak: considerations for the rapid introduction of remotely supported (eHealth) pain management services. Eccleston C, Blyth FM, Dear BF, Fisher EA, Keefe FJ, Lynch ME, Palermo TM, Reid MC, Williams ACC. Pain. 2020; 161(5):889-893.

 

Alerta submetido em 13/05/2020 e aceito em 01/06/2020.