Nícolas Pedro Bastos Barboza
Um estudo
realizado por pesquisadores espanhóis em
2025 demonstrou que a realidade virtual pode
reduzir a intensidade da dor lombar crônica
(lombalgia). Utilizando ferramentas de
realidade virtual, o estudo revelou que a
intensidade da lombalgia, que é altamente
incapacitante e limita atividades
cotidianas, não depende apenas de lesões
físicas, mas também da interpretação visual
de sinais.
O estudo foi
conduzido com 50 participantes que
utilizaram óculos de realidade virtual ao
realizar extensão lombar, o popular
“corrigir a postura”, enquanto as imagens de
um avatar virtual, simulando cada
voluntário, foram manipuladas para a
amplitude do movimento parecer menor ou
maior que o real. A intensidade da dor e
medo do movimento foram mensurados por
questionários validados antes e durante o
movimento, e o participante indicou a
amplitude em que a dor começava (pain-free
ROM). Quando o movimento parecia 10% menor,
os participantes se moveram 20% mais, sem
dor, ou seja, o corpo tolerou 20% mais
amplitude do movimento. O efeito foi mais
relevante em quem tinha medo de realizar o
movimento (cinesiofobia), ou tinha maior
incapacidade funcional.
A pesquisa
evidencia que a realidade virtual pode
ajudar a reprogramar associações entre dor e
movimento em pacientes com dor lombar
crônica. Os dados reforçam que a dor crônica
vai além da lesão tecidual, envolvendo
aprendizagem perceptiva e cognitiva, onde o
cérebro antecipa ameaças com intuito de
proteção.
Referência:
Jordán-Lopez J, Arguisuelas MD, Doménech J,
et al. Visual feedback manipulation in
virtual reality alters movement-evoked pain
perception in chronic low back pain. Sci Rep.
2025;15:20372. Published 2025 Jul 1. doi:10.1038/s41598-025-08094-z