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Alerta da edição mensal

 

 

Prescrição odontológica de opioides nos Estados Unidos

Jessica Correia de Oliveira Souza
 

Estudo feito a partir da análise transversal de adultos com consulta odontológica e prescrição de opioides nos Estados Unidos demonstra que a prescrição de opioides por dentistas está associada a resultados adversos e uso persistente de opioides, mesmo quando prescritos conforme o recomendado. Os dados para realizar a coorte retrospectiva foram obtidos através de bancos de dados comerciais em todo o país. Foram selecionados 531.305 pacientes com 18 anos ou mais que tiveram, de 2011 a 2018, a prescrição de analgésicos opioides na mesma data de uma consulta odontológica, sendo essa data considerada a data índice. Dessa forma, também se avaliou as mudanças nos resultados de 2011 a 2016 e de 2017 a 2018, demonstrando que houve uma queda significativa no uso persistente de opioides. Por outro lado, o risco de resultados adversos aumentou após a publicação das diretrizes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para o manejo da dor crônica com recomendações para dor aguda em 2016.

 

Os diferentes agentes opioides foram padronizados usando equivalentes de miligramas de morfina (EMMs), sendo que, de acordo com as diretrizes do CDC, prescrições com mais de 120 EMMs eram consideradas excessivas para o manejo da dor aguda. Assim, foi realizada a análise de resultados adversos relacionados a opioides dentro de 30 dias da data do índice, ou seja, qualquer ocorrência de hospitalização, visitas ao pronto socorro, transtornos por uso de substâncias (TUS), prescrição ou administração de naloxona ou mortalidade hospitalar, além de análise do uso persistente de opioides, considerando o preenchimento de opioide uma vez ou mais após 4 a 90 dias da data índice.

 

Por mais que evidências sustentem a eficácia dos anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) no tratamento da dor odontológica, os dentistas encontram-se entre os principais prescritores de opioides nos EUA e essas prescrições estão associadas a desfechos adversos e uso persistente de opioides. Logo, é necessário que sejam criadas intervenções direcionadas e personalizadas para abordar a prescrição de opioides nessa área, especialmente para grupos com alto risco de resultados adversos e TUS anterior. Além da elaboração de diretrizes especificamente para o tratamento da dor odontológica aguda que recomendem AINEs como tratamento de primeira linha e que especifiquem a quantidade de opioides a serem prescritos quando necessário.

 

Referências: Khouja T, Zhou J, Gellad WF, et al. Serious opioid-related adverse outcomes associated with opioids prescribed by dentists. Pain. 2022;163(8):1571-1580. doi:10.1097/j.pain.0000000000002545

 

Alerta submetido em 02/08/2022 e aceito em 12/08/2022.