Ana Carolina Lucchese Velozo
Um estudo de
coorte britânico, publicado em 2026, revelou
que a presença de dor crônica aumenta o
risco de desenvolvimento de hipertensão
arterial ao longo do tempo, com influência
da depressão e inflamação no processo. A
pesquisa foi realizada com participantes do
UK Biobank sem diagnóstico prévio de
hipertensão no início do acompanhamento.
Diante da alta prevalência global de
hipertensão e de dor crônica, o estudo
investigou como diferentes características
da dor, como o tipo, a localização e a sua
distribuição pelo corpo, podem influenciar o
surgimento da hipertensão.
A pesquisa
realizou um acompanhamento de 206.963
participantes durante 13 anos, coletando
dados por meio de questionários eletrônicos,
exames físicos e registros de saúde
hospitalares. Os resultados evidenciaram que
quanto maior o tempo e a extensão da dor,
maior a chance de desenvolvimento de
hipertensão. Sendo a dor crônica
generalizada o maior fator de risco, com um
aumento de 75% na predisposição, em
comparação a quem não sente dor. A depressão
foi o principal fator causal da associação
entre dor crônica e hipertensão. Já o uso de
medicamentos, como anti-inflamatórios,
antidepressivos, opioides e aspirina, não
demonstrou relação causal significativa.
O estudo
concluiu que a dor crônica é um fator de
risco independente para a hipertensão,
sugerindo que o manejo da dor e da saúde
mental deve ser integrado às estratégias de
prevenção cardiovascular. Esses achados
reforçam a necessidade de monitoramento
precoce e regular da pressão arterial em
indivíduos que sofrem de dores crônicas.
Referências:
Qin, P., Ho, F. K., Celis-Morales, C. A., &
Pell, J. P. (2026). Chronic Pain and
Hypertension and Mediation Role of
Inflammation and Depression. Hypertension
(Dallas, Tex. : 1979), 83(1), 146–156. https://doi.org/10.1161/HYPERTENSIONAHA.125.25544