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Revisão sistemática sugere fármacos
moduladores da glia como ferramenta eficaz para
tratamento e prevenção de dor
Ana Carolina Teles Marçal
Estudo realizado no Canadá aponta que fármacos que atuam na glia do sistema nervoso podem representar uma estratégia eficaz para o tratamento ou prevenção da dor. Os resultados apontaram que entre os estudos avaliados, apenas 6 relataram um efeito positivo do tratamento com fármacos moduladores de glia, 9 não apontaram nenhum efeito e 11 apontaram efeitos mistos. Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática com o objetivo de avaliar as evidências atuais de eficácia e segurança de fármacos moduladores da glia relevantes para o tratamento da dor. Compararam estudos que avaliavam fármacos moduladores da glia versus placebo ou outros comparadores.
O estudo se tratava de uma revisão sistemática composta por uma amostra de 26 ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos que totalizavam 2132 participantes. Selecionaram estudos que incluíam como desfecho primário medidas avaliadas relatadas pelos pacientes de intensidade ou alívio de dor ou (no caso dos estudos com opioides) efeitos adversos relacionados a opioides. Os estudos foram agrupados se avaliassem os mesmos fármacos usando os mesmos parâmetros de mensuração de resultados. Dos 26 estudos, 12 avaliaram a minociclina, 11 a pentoxifilina e 3 o ibudilast.
Dentre os estudos analisados as condições clínicas associadas a dor incluíram: dor na artrite reumatoide, isquemia crônica dos membros, neuropatia diabética, síndrome do intestino irritável, dor na úlcera venosa de pena, radilucopatia lombar, câncer pancreático, cancroide, enxaqueca crônica. Cinco estudos avaliavam a eficácia dos moduladores de glia em casos de dor pós-operatória e três avaliaram para prevenção de dor relacionada ao tratamento de câncer.
Por fim, o estudo aponta que fármacos que atuam na glia do sistema nervoso podem representar uma estratégia eficaz para o tratamento ou prevenção da dor, já que os resultados apontaram que as evidências encontradas ainda não são suficientes para afirmar a hipótese da eficácia dos moduladores da glia como eficazes para tratamento e prevenção da dor. Entretanto, os autores pontuam a importância da continuidade da pesquisa em humanos para identificar possíveis benefícios dos moduladores da glia para o tratamento e prevenção da dor.
Referências: Gilron I, Xiao MZX, Carley M, et al. Glial-modulating agents for the treatment of pain: a systematic review. Pain. 2025;166(5):1030-1049. doi:10.1097/j.pain.0000000000003447 |