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Envelhecimento cerebral associado à dor não
impede a resposta ao placebo
Jennifer Mendes Alexandre, Vanessa Rocha Vieira e Maria Eduarda Gonçalves
O envelhecimento acelerado do cérebro pode agravar a dor crônica, mas não impede que mecanismos naturais de alívio da dor continuem funcionando. A pesquisa, publicada em 2026 na revista Pain, foi conduzida por pesquisadores do Canadá e dos Estados Unidos e comparou 84 pacientes com disfunção temporomandibular e 84 indivíduos saudáveis. Através de ressonância magnética e inteligência artificial para prever a idade cerebral, os pesquisadores constataram que cérebros mais envelhecidos estão relacionados a dores mais intensas, sem prejuízo da resposta ao efeito placebo.
Os participantes passaram por avaliações clínicas da dor, testes de sensibilidade térmica e um experimento de placebo baseado em sinais visuais e expectativa de alívio da dor. Também foram realizadas ressonâncias magnéticas para analisar a estrutura cerebral. As imagens foram processadas por modelos de inteligência artificial capazes de estimar a idade cerebral e calcular a diferença entre a idade cerebral e a idade cronológica (BAG). As análises estatísticas avaliaram associação entre a idade cerebral, gravidade da dor e os efeitos placebo, comparando o resultado entre os grupos.
O estudo concluiu que a idade cerebral influenciou no aumento da intensidade da dor, mas o efeito placebo permanece mesmo com o envelhecimento cerebral. Esses resultados viabilizam o uso da idade cerebral como biomarcador da vulnerabilidade da dor e ressaltam o potencial do placebo no manejo da dor crônica.
Referência: Cundiff-O'Sullivan RL, Wang Y, Li J, et al. Clinical pain increased with older brain age, yet placebo effects were preserved. Pain. 2026;167(5):1170-1181. doi:10.1097/j.pain.0000000000003901. |