| |
Correlação neural da alodinia mecânica e da
hiperalgesia no cérebro humano na saúde e na
doença - uma revisão sistemática e análise de
estimativa de probabilidade de ativação
Isabele Duarte de Almeida
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Morgan State University, nos Estados Unidos, juntamente com a University of Western Ontario, no Canadá, e analisou os padrões de respostas do cérebro durante a percepção de diferentes tipos de dor. A revisão juntou dados de 82 pesquisas de neuroimagem publicadas entre 1999 e setembro de 2023 buscando entender as redes neuronais ativadas por estímulos mecânicos dolorosos e não dolorosos, alodinia ao toque e hiperalgesia. Os resultados mostraram que indivíduos saudáveis ativam a ínsula direita e o giro do cíngulo bilateral diante da dor mecânica e que pacientes com dor crônica apresentam maior ativação do giro do cíngulo esquerdo e da ínsula direita, com uma maior atividade no núcleo lentiforme e tálamo direitos. A alodinia ao toque e os estímulos em zonas hiperalgésicas ativaram essas mesmas regiões, mas em menor proporção.
Foi realizada uma revisão sistemática seguida de metanálise de exames de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI) e tomografia por emissão de pósitrons (PET). Seguindo as diretrizes PRISMA, os autores buscaram estudos nas bases PubMed e Web of Science e aplicaram a técnica de estimativa de probabilidade de ativação (ALE) através do software GingerALE. Esse método permitiu sintetizar as coordenadas espaciais das respostas cerebrais de centenas de participantes em mapas estatísticos unificados. A equipe também utilizou limites estatísticos e correções de cluster para garantir a certeza dos resultados e evitar achados falso-positivos.
Os achados reforçam o envolvimento de uma rede complexa no processamento da dor e evidenciam como a sensibilização central altera a resposta cerebral em pacientes crônicos, gerando uma "assinatura" de hiperativação. Os autores apontaram limitações na literatura, como a falta de estudos focados de maneira específica nos mecanismos da alodinia ao toque e da hiperalgesia mecânica. O mapeamento detalhado dessas áreas, incluindo regiões menos associadas à dor, fornece uma base para o futuro, abrindo portas para o desenvolvimento e aprimoramento de estratégias direcionadas de manejo da dor, como técnicas de estimulação cerebral não invasiva focadas nessas regiões.
Referência: Mullins, R. J., Tulloch, I. K., Seminowicz, D. A., & Meeker, T. J. (2026). Neural correlates of mechanical allodynia and hyperalgesia in the human brain in health and disease: a systematic review and activation-likelihood estimation analysis. Pain, 167(7), 1538–1548. https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000003986 |