Diego Rodrigues Leite, Geovanna dos Santos
Lares, Maria Clara Pereira Dias e Tamires
Rodrigues de Freitas
Um estudo
publicado em 2025 com 81 crianças internadas
na UTI do Hospital da Criança da Rede D’Or
São Luiz, em São Paulo, mostrou que sessões
de contação de histórias reduzem
significativamente a dor, o estresse e a
percepção negativa do ambiente hospitalar.
Metade das
crianças participou de rodas de leitura com
livros infantis; a outra metade, de
brincadeiras de adivinhação. Ambas as
atividades duraram de 20 a 30 minutos e
foram feitas por voluntários da Associação
Viva e Deixe Viver. Antes e imediatamente
depois das intervenções, os pesquisadores
mediram os níveis de ocitocina e cortisol na
saliva, adotaram a Escala Analógica Visual
de dor, que utiliza ilustrações de
expressões faciais, e analisaram as palavras
que as crianças usavam ao descrever o
hospital a partir de cartas ilustradas. A
leitura de histórias elevou em até nove
vezes os níveis de ocitocina, reduz o
cortisol pela metade e 68% das crianças
terminaram a sessão sem qualquer queixa de
dor. Já no grupo das adivinhas, apenas 12%
atingiram alívio total da dor.
O estudo
confirma que a contação de histórias é uma
estratégia simples, de baixo custo e
altamente eficaz para humanizar a internação
infantil. Os autores destacam que o efeito
vai além da distração, a imersão na
narrativa reduz hormônios do estresse e
fortalece vínculos entre as crianças
internadas e os profissionais de saúde. Nem
todas as crianças responderam da mesma
forma, e novos estudos devem investigar
quais tipos de histórias funcionam melhor.
Referências:
Brockington G, Rodrigues V do M, Moreira AP,
Silva SG da, Fischer R, Abreu M. Contação de
histórias para crianças hospitalizadas:
efeitos sobre a dor, a linguagem e os
biomarcadores fisiológicos. Ciênc educ
(Bauru) [Internet]. 2025;31:e25061.
Available from: https://doi.org/10.1590/1516-731320250061