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Alerta da edição mensal

 

 

Avaliação da sensibilidade à dor à pressão não pélvica na Síndrome da Dor Pélvica Crônica Urológica

Ana Patrícia de L. Rodrigues

 

A síndrome da dor pélvica crônica urológica (SDPCU) é caracterizada por dor persistente na região pélvica e sintomas no trato urinário inferior. O objetivo do estudo foi avaliar a sensibilidade à dor à pressão em uma amostra de homens e mulheres com a síndrome, determinar se a sensibilidade à dor em um local remoto e assintomático diferiria entre os participantes com SDPCU, controles saudáveis e um grupo com uma mistura de condições de dor crônica sobrepostas (CDCS), e explorar relações entre sensibilidade à dor e sintomas da SDPCU transversalmente, durante as crises, e durante um período de um ano. A hipótese dos pesquisadores era que os participantes com SDPCU exibiriam hiperalgesia consistente com sensibilização central.

 

Os critérios de inclusão para a SDPCU foram o diagnóstico clínico de prostatite crônica/síndrome da dor pélvica crônica, sintomas urinários a maior parte do tempo nos últimos três meses, entre outros. Os participantes do grupo de dor mista preencheram os critérios para pelo menos 1 CDCS. Os controles saudáveis não poderiam, por exemplo, apresentar sintomas da SDPCU ou condição de dor crônica. Os participantes com SDPCU foram avaliados clinicamente no inicio do estudo, aos seis meses e um ano, e realizaram avaliações quinzenais on-line; controles e participantes com dor mista foram avaliados apenas no início do estudo. A amostra foi submetida ao Teste Sensorial Quantitativo, Inventário Breve de Dor, Questionário de Estratégias de Coping, MAST etc.

 

Os resultados mostraram que os participantes com SDPCU eram hipersensíveis a estímulos de pressão dolorosa realizados no leito ungueal do polegar. O aumento da sensibilidade da dor à pressão na SDPCU foi associado com maior dor clínica, mais áreas corporais não pélvicas endossadas como dolorosas e níveis aumentados de sensibilidade sensorial generalizada. Análises exploratórias revelaram que a sensibilidade à dor aumentou durante os períodos de exacerbação dos sintomas da SDPCU e que a menor sensibilidade à dor na pressão no início do estudo foi associada a uma maior probabilidade de melhora da dor geniturinária um ano depois. Estes achados suportam um papel para a sensibilização central na SDPCU, medida através do teste de sensibilidade à dor à pressão. Assim, este estudo soluciona os achados discordantes em favor da hiperalgesia não pélvica como uma característica comum na SDPCU.

 

Referência: Harte SE, Schrepf A, Gallop R, Kruger GH, Lai HHH, Sutcliffe S, Halvorson M, Ichesco E, Naliboff BD, Afari N, Harris RE, Farrar JT, Tu F, Landis JR, Clauw DJ; MAPP Research Network. Quantitative assessment of nonpelvic pressure pain sensitivity in urologic chronic pelvic pain syndrome: a MAPP Research Network study. Pain. 2019; 160(6):1270-1280

 

Alerta submetido em 14/06/2019 e aceito em 14/06/2019.

 


Leitura original e/ou complementar