Emanuelle Lorraine Nolêto das Neves e Flávia
Gabrielle de Castro Pereira
Pacientes com
dor crônica e cérebro biologicamente mais
envelhecido apresentam quadros mais intensos
e incapacitantes de dor. O achado foi
descrito em um estudo publicado em 2026 por
pesquisadores dos Estados Unidos e Canadá,
que avaliaram 84 pessoas com disfunção
temporomandibular e as compararam com 84
indivíduos saudáveis. Utilizando exames de
ressonância magnética e modelos
computacionais capazes de estimar a idade
biológica do cérebro, os pesquisadores
investigaram a relação entre envelhecimento
cerebral, gravidade da dor e resposta ao
efeito placebo. Os resultados mostraram que
quanto maior a idade cerebral estimada,
maior a intensidade e o impacto da dor
relatada pelos participantes.
O estudo teve
desenho transversal e combinou avaliação
clínica, testes experimentais de dor e
análise de imagens cerebrais. Os
participantes foram submetidos a um
protocolo de placebo baseado em expectativas
de alívio da dor e tiveram seus cérebros
avaliados por ferramentas de inteligência
artificial treinadas para estimar a idade
biológica cerebral. Os pesquisadores
observaram que indivíduos com cérebros
considerados mais envelhecidos apresentavam
maior interferência da dor nas atividades
diárias e maior probabilidade de desenvolver
dor de alto impacto. Em contrapartida, a
resposta ao placebo permaneceu semelhante
entre participantes com diferentes idades
cerebrais.
O
envelhecimento cerebral esteve associado ao
agravamento da dor crônica, reforçando seu
potencial como marcador de vulnerabilidade
clínica. Os resultados sugerem que
mecanismos relacionados ao efeito placebo
permanecem preservados mesmo diante de
alterações cerebrais associadas à idade.
Entretanto, a ausência de avaliação do
placebo em indivíduos saudáveis limita a
generalização dos achados e indica a
necessidade de novos estudos.
Referência:
Cundiff-O'Sullivan RL, Wang Y, Li J, et al.
Clinical pain increased with older brain
age, yet placebo effects were preserved.
Pain. 2026;167(5):1170-1181. doi:10.1097/j.pain.0000000000003901