DOL - Dor On Line

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Universidade de Brasília - Campus de Ceilândia
Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP
Faculdade de Farmácia - Universidade Federal da Bahia

Principal    |    Editoriais    |    Edições    |    Sobre a Dor    |    Glossário    |    Projeto DOL    |    Publicações    |    Contato

   
 

Alerta da edição mensal

 

 

Efeitos da dor neuropática na qualidade de vida das pessoas portadoras do HIV

Kamila Gonçalves Tortorelli

 

Atualmente é utilizada a Terapia Antirretroviral Combinada (cART) no tratamento de pessoas portadoras do vírus da imunodeficiência humana (HIV), a fim de controlar os efeitos deste. Sendo assim, a expectativa de vida pessoas que convivem com HIV é próxima da população geral.

 

Por outro lado, a qualidade de vida dos indivíduos infectados pelo HIV é influenciada e reduzida pela a dor. Destes, 54% a 83% apresentam dores de diversas causas. Em relação à dor neuropática, esta provocada por lesões em nervos sensitivos, foco do artigo em questão, de 22% a 44% da população soropositivo relata sentir este tipo de dor, enquanto nas pessoas que não possuem o vírus a incidência desta é menor, cerca de 8%. Esta diferença ocorre devido os efeitos do HIV e de antirretrovirais neurotóxicos utilizados na cART, que tornam os pacientes mais suscetíveis a dor neuropática.

 

A principal dificuldade para lidar com a dor neuropática relacionada ao HIV, identificada através dos relatos dos participantes, é por conta de limitações terapêuticas, tendo em vista a baixa eficácia dos medicamentos utilizados nesta população. Além disto, a dor neuropática ocasiona dificuldade para andar, dormir, ansiedade, depressão, frustrações e prejudica a inclusão social dessas pessoas. Entretanto, devido uma amostra diversificada, esta pesquisa produziu dados importantes que podem ser usados para elaborar um cuidado holístico, mais eficiente, da dor neuropática, não somente associada ao HIV, mas também a outras enfermidades infecciosas. O artigo também indica que a assistência psicológica, como a terapia cognitiva comportamental, fundamentada na população geral, pode ser considerável para pessoas com HIV.

 

Referência: Scott W, Garcia Calderon Mendoza Del Solar M, Kemp H, McCracken LM, C de C Williams A, Rice ASC. A qualitative study of the experience and impact of neuropathic pain in people living with HIV. Pain. 2020;161(5):970‐978.

 

Alerta submetido em 12/06/2020 e aceito em 30/06/2020.