Aline Frota Brito
A dor
neuropática crônica afeta cerca de 7% da
população e, em até 40% dos casos, não
responde aos tratamentos medicamentosos
convencionais. O manejo da dor neuropática é
um desafio por se tratar de uma condição
aguda refratária. O estudo de fase 2 avaliou
a eficácia e segurança da estimulação
cerebral profunda (DBS) na região ínsula
posterior-superior (PSI) para dor
neuropática farmacorresistente.
Foi realizado
um ensaio clínico randomizado, duplo-cego,
controlado por placebo (sham), em modelo
cruzado, com 10 participantes entre 31 e 67
anos previamente responsivos à estimulação
magnética transcraniana profunda na mesma
região cerebral. O estudo teve três fases:
duplo-cego (6 meses), simples-cego (3 meses)
e aberto (6 meses). Os participantes tiveram
redução da intensidade média da dor, sendo
um tratamento potencial para a dor
refratária.
Os resultados
mostraram que a DBS ativa da PSI apresentou
alta probabilidade de reduzir a intensidade
da dor em comparação ao placebo, além de
melhorar qualidade de vida, sono, humor e
funcionalidade. Ao final da fase aberta, 70%
dos pacientes apresentaram alívio sustentado
da dor (≥30% de redução). Não foram
observados efeitos adversos graves, apenas
leves e transitórios, como dor no local da
incisão e cefaleia.
Conclui-se que
a estimulação da ínsula posterior-superior é
uma intervenção viável, segura e
potencialmente eficaz para o tratamento da
dor neuropática refratária. Os autores
recomendam novos estudos de fase 3 com
amostras maiores para confirmar os achados.
Referência:
Dongyang L, Cunha PHM, Lapa JDS, et al.
Insula Deep Brain Stimulation for
Neuropathic Pain: A Cross-Over, Randomized,
Sham-Controlled Trial. Neuromodulation.
Published online August 18, 2025. doi:10.1016/j.neurom.2025.07.001