DOL - Dor On Line

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Universidade de Brasília - Campus de Ceilândia

Principal    |    Editoriais    |    Edições    |    Sobre a Dor    |    Glossário    |    Projeto DOL    |    Publicações    |    Contato

   
 

Alerta da edição mensal

 

 

Fármacos utilizados para o tratamento da neuropatia

Gisela de Martins Souza Pina*

Mani Indiana Funez

 

O tratamento da dor neuropática é desafiador porque menos de 50% dos pacientes tem alívio com fármacos de primeira linha. Uma das hipóteses é a heterogeneidade dos pacientes estudados e a resposta específica aos mecanismos da dor. Um estudo publicado por pesquisadores da Dinamarca, avaliou dados de sete ensaios clínicos baseados no comportamento de quatro fármacos antidepressivos e quatro fármacos anticonvulsivantes sobre diferentes sintomas da dor neuropática. O objetivo foi analisar se havia algum sinal específico da dor (fenótipo) frente aos diferentes medicamentos.

 

Os sintomas foram determinados por testes quantitativos sensoriais com posterior subdivisão de acordo com o fenótipo em sintomas dolorosos, sinais sensoriais testes quantitativos sensoriais, ou a combinação deles.

 

Os resultados sugerem melhor resposta à imipramina e pregabalina em fenótipos como alodinia mecânica, térmica e hiperalgesia, enquanto uma melhor resposta ao escitalopram foi observada para detecção anormal de limites térmicos, hipoestesia e vibração.

 

Porém não foi definido um fenótipo específico que atingiu uma resposta melhor a determinado fármaco; somente fortes tendências foram demonstradas sobre sua eficácia específica. Os autores discutem que os resultados inespecíficos dos fármacos em relação às características da dor não surpreendem devido à diversidade nos seus mecanismos de ação. Cinco fármacos mostraram redução total da dor neuropática quando comparados a placebos. Esse dado sugere que uma menor especificidade com amplos resultados pode ser eficaz para pacientes com vários sintomas.

 

Apesar dos fármacos atualmente mais utilizados demonstrarem ausência de efeitos fenótipo-específico marcantes, possuem ação satisfatória na redução da dor neuropática.

 

Referência: Holbech JV, Bach FW, Finnerup NB, Jensen TS, Sindrup SH. Pain phenotype as a predictor for drug response in painful polyneuropathy-a retrospective analysis of data from controlled clinical trials. Pain. 2016, 157(6):1305-13.

 

*Graduação em Odontologia pela Universidade de Ribeirão Preto e Especialização em Prótese Dentária pela AORP. Material gerado a partir da Disciplina Mecanismos do Processo Saúde-Doença do Programa de Pós-graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde da Faculdade UnB Ceilândia.

 

Alerta submetido em 14/08/2017 e aceito em 14/08/2017.

 


Leitura original e/ou complementar