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Alerta da edição mensal

 

 

Incerteza diagnóstica percebida na dor crônica pediátrica

Mariane Aparecida da Silva Marques

 

A incerteza diagnóstica é complexa, definida como “percepção subjetiva de uma incapacidade de fornecer uma explicação precisa do problema de saúde do paciente”, referida também à situação em que as percepções dos pacientes de que um rótulo e explicações estão faltando, algo está errado. Sabe-se pouco sobre as influências que geram essas percepções, mas geram consequências para os pacientes, resultando em preocupação, desamparo e uma busca evasiva e implacável por uma cura. Na ausência do diagnóstico claro e causa biológica da dor, pacientes sentem que sua dor não é legítima, sentindo-se culpados, associando a incerteza diagnóstica com o sofrimento emocional, depressão/ansiedade, incapacidade, aumento da intensidade da dor. Evidências em adultos apoiam que a incerteza diagnóstica percebida está associada a pior prognóstico, portanto o impacto da incerteza diagnóstica percebida em crianças com dor crônica idiopática e seus pais merece investigação.

 

Receber, compreender e aceitar explicações para a dor em diferentes momentos do desenvolvimento cognitivo e social é um fator de complexidade para as interações com os médicos em situações pediátricas. Crianças e adolescentes relataram uma sensação de que os médicos não conseguiam identificar e fornecer uma explicação para sua dor e sintomas associados. Observou-se em estudos que necessidade de um rótulo e uma explicação era, para alguns pais, tão importante que eles desejavam que os sintomas fossem devido a uma patologia, pois para eles isso ofereceria opções de cuidados mais específicos e, para os adolescentes, forneceria justificativa. Os autores sugerem que as interações que crianças, adolescentes e pais têm com os profissionais são o evento indicador para ajuste na compreensão da incerteza diagnóstica. Na presença desta, a comunicação pode se caracterizar em muitas situações como ambígua e confusa, pois os pacientes acham que as explicações claras sobre causa e prognóstico são mais tranquilizantes. As consequências dessa incerteza diagnóstica percebida podem, então, repercutir em todos os aspectos da vida da criança e definir como as pessoas ao seu redor respondem a seu problema.

 

Os autores propõem como tratamento intervenções psicoeducacionais, destinadas a aumentar a compreensão e o envolvimento de pais e filhos no diagnóstico de dor crônica, conseguindo, tanto a criança/adolescente conseguir conviver com a incerteza diagnóstica quanto às pessoas do seu convívio social.

 

Referência: Pincus T, Noel M, Jordan A, Serbic D. Perceived diagnostic uncertainty in pediatric chronic pain. Pain. 2018, 159(7):1198-1201.

 

Alerta submetido em 19/07/2018 e aceito em 19/07/2018.

 


Leitura original e/ou complementar