Ana Karolyne Mendes Meirelles
Pesquisadores
israelenses realizaram um estudo de coorte
no pronto-socorro de um hospital
universitário em Israel. Observaram que
pacientes diagnosticados com Traumatismo
Cranioencefálico leve (TCE), após acidente
automobilístico, apresentaram 83% de chance
de desenvolverem dor crônica de cabeça e
pescoço, após um ano da ocorrência do
trauma.
A amostra de
203 pacientes foi avaliada em duas fases, a
fase subaguda correspondente às primeiras 72
horas após o acidente, e a fase crônica
correspondente a 12 meses após a lesão. A
avaliação da dor foi realizada por meio de
uma escala verbal numérica de dor variando
de 0 a 100, onde menor que 30 era
considerado dor leve e maior que 30 dor
moderada a intensa. A dor foi avaliada no
início do estudo imediatamente após a lesão
e após um ano.
Foram
utilizadas variáveis clínicas, como
autorrelato de dor de cabeça e dor no
pescoço, a determinação das áreas corporais
dolorosas e sinais de TCE prevalentes como
tontura e desorientação, além de variáveis
demográficas e psicológicas. Oitenta e nove
pacientes obtiveram a classificação de dor
moderada a intensa pontuando mais de 30 após
12 meses da lesão, logo foram classificados
como portadores de dor crônica, bem como 114
participantes apresentaram dor leve
pontuando menos de 30 e foram classificados
como recuperados.
Assim, é
possível prever o risco aumentado de
pacientes desenvolverem dor crônica de
cabeça e pescoço após lesão traumática. Os
dados evidenciam a importância de uma
detecção precoce dos pacientes com risco de
desenvolverem dor crônica após um TCE,
oportunizando o melhor prognóstico do
paciente.
Referência:
Ramon-Gonen R, Granovsky Y, Shelly S.
Predicting chronic post-traumatic head and
neck pain: the role of bedside parameters.
Pain. 2025;166(5):1050-1059. doi:10.1097/j.pain.0000000000003431