Júlia Bispo Aragão, Lorena Baltazar Barros
Santos, Maria Clara de Oliveira Lima e
Sophia de Souza Pavão Ferreira
Um estudo
qualitativo realizado em 2025 avaliou como
enfermeiras da Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) de um hospital público no interior do
Oeste Paulista identificam e gerenciam a dor
em pacientes com rebaixamento no nível de
consciência. A pesquisa buscou compreender o
manejo da dor a partir de medidas
farmacológicas e não farmacológicas,
profissionais envolvidos e os desafios de
interpretar os sinais de dor e sofrimento
nesses pacientes.
A coleta de
dados ocorreu por meio de entrevistas
gravadas semiestruturadas com questões
norteadoras e dados de caracterização.
Participaram do estudo 14 enfermeiras, com
uma idade média de 32-38 anos, no mínimo,
com um ano de experiência na UTI. Os
resultados apontam que, as enfermeiras
reconhecem a importância na identificação e
manejo da dor em pacientes com nível de
consciência rebaixado, mas ainda assim,
apresentam lacunas com essa avaliação,
devido a limitação no uso de escalas,
análise de sinais fisiológicos e dados
observados de forma clínica.
A partir dos
resultados, interpreta-se que a avaliação da
dor em pacientes com rebaixamento do nível
de consciência concentra-se em dados
observáveis, utilizando principalmente a
Escala Comportamental de Dor (BPS) e a
Escala de Agitação e Sedação de Richmond (RASS).
No entanto, identificou-se uma lacuna
significativa: as escalas unidimensionais
não integram o nível de consciência e
sedação à percepção dolorosa. Além disso,
observou-se que, embora o manejo
medicamentoso siga as diretrizes da OMS, as
medidas não farmacológicas permanecem
defasadas. Os achados revelam que o
conhecimento dos enfermeiros sobre o tema é
limitado, com dificuldades em discernir
aspectos objetivos e subjetivos da dor, o
que compromete a autonomia profissional e a
implementação de intervenções qualificadas
para o alívio do sofrimento nesse perfil de
paciente.
Referências:
Albino Filho MA, Francioze LL, Silva SF. A
enfermagem e o manejo da dor no paciente com
rebaixamento do nível de consciência. Enferm
Foco. 2025;16:e-2025009. doi:10.21675/2357-707X.2025.v16.e-2025009