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Estudo revela efeito duplo da cafeína -
consumo crônico reduz risco, mas picos agudos
desencadeiam enxaqueca
Paulo Gustavo Barboni Dantas Nascimento
Um estudo recente publicado na revista BMC Neurology esclareceu a complexa relação entre o consumo de café ou cafeína e a ocorrência de enxaqueca. Integrando dados observacionais e de randomização mendeliana (análise genética populacional), os pesquisadores identificaram que a exposição crônica e vitalícia à cafeína está associada a um risco reduzido de enxaqueca, especialmente na variante com aura. Em contrapartida, os dados observacionais confirmaram que mudanças abruptas nos hábitos — como a retirada repentina ou o consumo excessivo (três ou mais bebidas em um único dia) — podem desencadear ataques em indivíduos suscetíveis.
A pesquisa consistiu em uma revisão sistemática abrangente que sintetizou evidências de múltiplas abordagens metodológicas. Os estudos de randomização mendeliana, que avaliaram mais de um milhão de participantes, permitiram investigar o impacto da exposição prolongada e contínua, indicando uma redução de risco com odds ratio geral entre 0.53 e 0.71. Simultaneamente, estudos observacionais envolvendo mais de 43.000 indivíduos forneceram dados sobre os efeitos de curto prazo. As análises demonstraram que o uso moderado e habitual de cafeína geralmente não se associa a uma maior carga ou frequência média de crises de enxaqueca.
Os achados resolvem inconsistências presentes na literatura médica anterior ao diferenciar os efeitos agudos dos crônicos. A pesquisa indica que a cafeína possui um perfil de ação duplo: atua como um fator protetor em longo prazo quando consumida de forma regular, mas funciona como um gatilho de curto prazo quando há flutuações bruscas na dosagem. Estes resultados ressaltam a importância da manutenção de hábitos consistentes de consumo para pacientes com enxaqueca e fornecem uma base para recomendações clínicas mais precisas sobre o manejo dietético da condição.
Referência: Makhlouf HA, et al. Coffee and caffeine consumption and migraine: a systematic review and Mendelian randomization study. BMC Neurol. 2026;26:326. doi: 10.1186/s12883-026-02854-x. |