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Alerta da edição mensal

 

 

Compreendendo a prescrição de opioides

Alexandre Gomes de Macedo Maganin

 

A dor crônica é classificada como uma dor com persistência superior a 3 meses, e sua incidência aumenta conforme a idade, chegando a 62% em pessoas com mais de 70 anos. Devido a isso, o uso de opioides vem aumentando para o alívio da dor. Entretanto seu uso ao longo do tempo se torna limitado e de alto risco, pois seu uso gera diversos efeitos colaterais e até riscos de vida. Isto se torna um problema mundial, já que atualmente enfrentamos um aumento global da população de idosos, sendo assim importante aprender mais sobre as tendências e padrões nos quais os opioides são atualmente prescritos para pacientes idosos de diferentes faixas etárias.

 

Devido a isso, o objetivo do grupo de pesquisa do Dr. van Dijk na Holanda foi compreender o aumento da prescrição de opioides a idosos e a diferença de resposta entre os diferentes pacientes. Para isso foram usados dados de pacientes entre 2005 a 2017, obtidos no banco de dados de atenção primária, já que pacientes com dor crônica são tratados por médicos do atendimento primário. Os pacientes foram separados em três faixas etárias (65-74, 75-84 e ≥85 anos) e depois de foram feitas análises descritivas para compreender a tendência das prescrições de opioides, a duração do uso e também os efeitos obtidos com o tratamento. No estudo foram avaliados mais de 280.000 pacientes.

 

O estudo deste grupo holandês demonstrou primeiramente que mais de 50% dos pacientes que tiveram prescrição de opioides eram do sexo feminino. Além disso, só em 2017 o uso de opioides foi de 32.287, mostrando um aumento em comparação aos outros anos. O aumento de idosos que receberam pelo menos uma prescrição para uso de opioides aumentou gradualmente de 2005 a 2017, sendo que quanto mais velho o paciente, maior a chance dele receber uma prescrição de uso de opioides, principalmente quando se tratava de opioides considerados fortes. Dentro deste grupo, em 40% dos pacientes o uso acabava se tornando crônico.

 

O trabalho conseguiu fazer uma correlação entre os tipos de dor e a prescrição de opioides, demonstrando que os opioides considerados fortes são prescritos principalmente quando se é diagnosticado dor musculoesquelética (os três principais diagnósticos específicos foram sintomas nas costas, lombalgia e síndrome das costas com dor irradiante). Entretanto, em segundo lugar de prescrição há diferença entre grupos mais novos e mais velhos de pacientes. Em grupos mais novos, a prescrição se dá quando há relação com a dor relacionada ao câncer; já para grupos mais velhos, o segundo lugar de prescrição de opioides está relacionado a diagnósticos menos específicos de dor. A prescrição de dois ou mais opioides é muito mais recorrente em grupos mais velhos de pacientes comparado aos mais novos, chegando a 70% dos pacientes com mais de 85 anos com prescrição de opioides fortes. Mais de 30% de todos os idosos usam opioides fortes cronicamente (mais de 3 meses). Entretanto de 2012 a 2017 houve uma redução da prescrição para pacientes com mais de 80 anos.

 

Em resumo, o trabalho demonstrou que as taxas de prescrição de opioides fortes aumentaram na última década, mas que existem diferenças entre as faixas etárias no que se refere à prescrição de opioides. Além do aumento da frequência de prescrição de opioides com o aumento da idade, há também maior prescrição de opioides fortes e maior duração do tratamento em pacientes idosos, apesar dos maiores riscos de danos entre estes pacientes. Devido à alta prevalência de uso crônico, é importante monitorar o paciente durante todo o tratamento e avaliar criticamente o início e a continuação das prescrições de opioides.

 

Referência: Weesie YM, Hek K, Schermer TRJ, Schellevis FG, Leufkens HGM, Rook EJ, van Dijk L. Use of Opioids Increases With Age in Older Adults: An Observational Study (2005-2017). Front Pharmacol. 2020; 11:648.

 

Alerta submetido em 10/06/2020 e aceito em 16/06/2020.