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Realidade virtual imersiva amplia
tolerância e melhora a experiência da dor
Letícia Amorim Utsch
Um estudo da Universidade de Maryland analisou os fatores que tornam a realidade virtual eficaz no manejo da dor experimental. Cinquenta e oito voluntários foram submetidos a estímulos térmicos em cinco condições: cenário oceânico imersivo, versão não imersiva, ambiente neutro, imaginação guiada e ausência de intervenção. O cenário oceânico tridimensional destacou-se, elevando significativamente a tolerância ao calor, reduzindo o desconforto associado à experiência dolorosa e promovendo melhora do humor.
O desenho experimental foi controlado e contrabalanceado. No cenário imersivo, os participantes suportaram temperaturas mais altas do que em qualquer outra condição. Embora a intensidade da dor relatada não tenha diminuído, a dimensão afetiva da experiência foi atenuada. Adicionalmente, houve maior engajamento, satisfação e estado emocional positivo, sugerindo que a eficácia depende da integração entre imersão tecnológica, geração externa de estímulos e conteúdos prazerosos, como ambientes naturais.
O estudo reforça que a realidade virtual imersiva, especialmente quando associada a cenários naturais e positivos, pode ser uma ferramenta promissora no manejo não farmacológico da dor. Apesar da amostra restrita a indivíduos saudáveis, os achados oferecem perspectivas relevantes para aplicações clínicas, sobretudo em pacientes com dor crônica.
Referência: Shafir R, Watson L, Felix RB, Muhammed S, Fisher JP, Hue P, Wang Y, Colloca L. Factors influencing the hypoalgesic effects of virtual reality. Pain. 2025;166(8):1836-1846. doi:10.1097/j.pain.0000000000003549 |