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Falha na limpeza de células mortas por
macrófagos agrava a dor neuropática
Paulo Gustavo Barboni Dantas Nascimento
Pesquisadores do MD Anderson Cancer Center revelaram um novo mecanismo neuroimune que contribui para o desenvolvimento da dor neuropática após lesão de nervos periféricos. O estudo, publicado na revista PNAS, demonstrou que a lesão nervosa induz a quebra (clivagem proteolítica) do MERTK, um receptor de superfície presente em macrófagos. A redução deste receptor prejudica a eferocitose — o processo pelo qual os macrófagos limpam células mortas (apoptóticas e necroptóticas) do local da lesão. O achado principal indica que o acúmulo desses detritos celulares não removidos desencadeia uma sinalização pró-inflamatória prolongada que exacerba o dano aos axônios e aumenta a excitabilidade dos neurônios sensoriais, facilitando a dor crônica.
Para investigar esse processo, a equipe utilizou camundongos geneticamente modificados para expressar uma versão do receptor MERTK resistente à clivagem. Após a indução de lesão no nervo ciático, os animais com a mutação protetora apresentaram menor acúmulo de células mortas no local da lesão, redução na polarização de macrófagos para um perfil inflamatório e menor dano à bainha de mielina dos nervos. Consequentemente, esses camundongos demonstraram atenuação significativa nos comportamentos associados à dor neuropática, como a alodinia mecânica (dor causada por estímulos leves) e a hiperalgesia térmica. A análise celular revelou ainda que a preservação do MERTK evitou a hiperatividade de neurônios sensoriais específicos (TRPV1+) no gânglio da raiz dorsal.
Os resultados explicam por que os processos imunológicos de resolução, que normalmente encerram a inflamação e promovem o reparo tecidual, falham no contexto da dor neuropática. A incapacidade de limpar os corpos celulares resulta na liberação de moléculas associadas a dano (DAMPs) e na produção de autoanticorpos (IgG), que mantêm a sensibilização do sistema nervoso. Ao identificar a clivagem do MERTK em macrófagos como um regulador central da sinalização neuroimune prejudicial, o estudo destaca a eferocitose como um alvo terapêutico inexplorado. Intervenções capazes de restaurar a capacidade de limpeza dos macrófagos podem acelerar a recuperação após lesões nervosas e oferecer novas abordagens para o tratamento da dor crônica debilitante.
Referência: Pandey, V. K., Acharya, T. K., Wilcox, K. F., Dembla, S., Ramanujan, A., Grieco, A. R., Zuberi, Y. A., Mahalingam, R., Shepherd, A. J., Heijnen, C. J., & Grace, P. M. Peripheral nerve injury reduces macrophage efferocytosis to facilitate neuropathic pain. PNAS. 2026;123(1):e2511401122. DOI: https://doi.org/10.1073/pnas.2511401122 |