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Dar e receber - como as trocas sociais
moldam a dor
Maria Eduarda Rodrigues de Souza Ribeiro
Pesquisadoras da Alemanha e do Reino Unido, no período de 2024 a 2025, propuseram um novo olhar sobre como a dor é entendida socialmente, sendo uma espécie de contrato social. Foram analisados a forma como pessoas em dor interagem com familiares, amigos e profissionais de saúde, e mostraram que tanto quem sente dor quanto quem observa precisam negociar constantemente se o pedido de ajuda é verdadeiro e se a resposta será justa. O trabalho busca explicar por que as pessoas com dor crônica relatam sentir-se desacreditadas, estigmatizadas ou injustiçadas, e como essas barreiras sociais podem agravar ainda mais o sofrimento.
O estudo revisou pesquisas anteriores e aplicou conceitos da psicologia evolutiva e da teoria dos contratos sociais para entender a comunicação da dor. A proposta mostra que, em interações sociais, a pessoa em dor precisa convencer sua necessidade, enquanto o observador tenta decodificar sinais que nem sempre são claros para decidir se deve ou não oferecer ajuda. Esse processo é influenciado por crenças, valores culturais e indisponibilidade dos recursos disponíveis, o que pode levar a desconfianças e recusa de benefícios. Situações em que a pessoa com dor é acusada de fingir, não ser levada a sério por médicos ou ter ajuda negada em casa foram descritas como exemplos de quebra do contrato social da dor.
O estudo reforça que a dor não é apenas uma experiência física, mas também social, pois quem sofre depende do reconhecimento e da resposta dos outros. A pesquisa sugere que aumentar a consciência sobre esses processos pode melhorar a relação entre pacientes e cuidadores, além do incentivo para estudos posteriores.
Referência: Kappesser J, Williams ACC. Give and take: an evolutionary framework for social transactions in pain. Pain. 2025;166(8):1723-1728. Published 2025 Feb 21. doi:10.1097/j.pain.0000000000003520 |