DOL - Dor On Line

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Universidade de Brasília - Campus de Ceilândia

Principal    |    Editoriais    |    Edições    |    Sobre a Dor    |    Glossário    |    Projeto DOL    |    Publicações    |    Contato

   
 

Alerta da edição mensal

 

 

O paciente visto além da dor

Letícia Menezes Rodrigues

 

Esse foi o estudo pioneiro no Brasil sobre a opinião e visão de fisioterapeutas sobre o modelo biopsicossocial em pacientes com dor lombar não especifica e foi realizado na Universidade de Brasília (UnB) uma das casas do DOL. Por não ter uma causa patogênica especifica, a dor lombar não específica é um desafio para os fisioterapeutas do mundo inteiro. O tratamento desses pacientes é algo delicado, pois as crenças negativas são relevantes no processo de melhora. O modelo biomédico não tem contribuído para uma visão mais otimista da dor lombar não especifica. Em 1977, o modelo biopsicossocial foi desenvolvido por Engel, e desafiava o modelo vigente argumentando que não somente os sintomas devem ser levados em consideração, mas também o contexto social e o paciente como um todo. Pesquisas recentes o qualificam como o melhor modelo para a prática de fisioterapeutas e profissionais de saúde que cuidam de pessoas com dor lombar não específica. Apesar de ser um modelo que garante uma melhor assistência ao paciente, sua prática ainda é um desafio. No estudo, muitos entrevistados, que eram fisioterapeutas formados entre 2012 e 2018, relataram que se sentem despreparados para adotar o modelo biopsicossocial em sua prática clínica. A justificativa muitas vezes foi que em sua formação acadêmica conheceram a teoria do modelo, porém sua prática ainda foi baseada no modelo biomédico, o que gera um déficit na clínica. A sugestão dos próprios autores é que se iniciem discussões abordando essa questão, buscando a implementação desse conteúdo nos currículos dos fisioterapeutas além da participação de outros profissionais, como psicólogos, para esclarecer como se deve abordar os fatores biopsicossociais em pacientes com dor lombar crônica.

 

Os profissionais entrevistados são capazes de identificar a influência dos fatores sociais e psicológicos no desenvolvimento da dor lombar não especifica, porém, o tratamento proposto não tinha relação com essa análise. Foi identificado que muitas vezes a responsabilidade foi passada a psicólogos ou outros profissionais.

 

Com essa lenta inserção na prática clínica, o modelo biopsicossocial ainda é desconhecido, mesmo que em partes, pelos fisioterapeutas brasileiros. É necessário que se proponha o desafio da prática desde a graduação para que o profissional possa se entender seu papel e suas responsabilidades no tratamento do paciente com dor lombar não específica.

 

Referência: França, AA, Santos V, Lordelo Filho R, Pires KF, Lagoa KF, Martins WR. ‘It's very complicated’: Perspectives and beliefs of newly graduated physiotherapists about the biopsychosocial model for treating people experiencing non-specific low back pain in Brazil. Musculoskeletal Science and Practice, April 25; 42:84-89.

 

Alerta submetido em 20/05/2019 e aceito em 20/05/2019.

 


Leitura original e/ou complementar