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Alerta da edição mensal

 

 

Estudo revela que imagens mentais intrusivas e expectativas negativas intensificam a dor crônica em jovens

Isabele Duarte de Almeida

 

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Sydney e instituições parceiras na Austrália e no Reino Unido investigou a relação temporal entre imagens mentais, construtos psicológicos e desfechos de dor em jovens com dor crônica. A pesquisa foi publicada em 2026 na revista PAIN e revelou que a presença de imagens intrusivas e involuntárias sobre a dor atua como um preditor robusto para o agravamento dos sintomas e para a limitação funcional no cotidiano. O estudo acompanhou os participantes em tempo real ao longo de uma semana por meio de um protocolo de avaliação ecológica momentânea via aplicativo de celular. O objetivo central foi avaliar como as flutuações diárias dessas representações mentais influenciam a experiência dolorosa, identificando que a frequência dessas intrusões e a valência afetiva negativa são mecanismos fundamentais para a manutenção e cronicidade dos sintomas nessa população.

 

O estudo foi realizado com 121 estudantes universitários com histórico de dor persistente por pelo menos três meses. No início da pesquisa, os participantes passaram por avaliações clínicas e psicológicas completas para mapear traços gerais de imaginação, ansiedade e medo da progressão da doença. Posteriormente, durante o período de uma semana, eles responderam a questionários breves três vezes ao dia, disparados em intervalos pseudoaleatórios, reportando a intensidade atual da dor, o nível de interferência nas atividades e as características das imagens mentais vivenciadas no momento. Os dados foram analisados por meio de modelos estatísticos multiníveis e de painel defasado cruzado (cross-lagged), que investigaram o peso preditivo dessas variáveis cognitivas tanto no mesmo instante de tempo quanto nos momentos subsequentes.

 

De forma geral, o estudo mostra que imagens mentais focadas na dor (involuntárias, vívidas e negativas) aumentam a intensidade física do sintoma e prejudicam a rotina dos jovens, enquanto a imaginação geral para assuntos cotidianos atua como um fator protetor. Esses achados confirmam que a dor crônica é moldada por fatores psicológicos dinâmicos, como o medo da progressão e as expectativas do paciente. Diante disso, os autores destacam a importância do monitoramento em tempo real e a necessidade de intervenções clínicas inovadoras, como a reestruturação de imagens mentais, para modificar esses padrões de pensamento prejudiciais.

 

Referência: TODD, Jemma et al. Momentary assessment of mental imagery and pain-related psychological factors in youth with chronic pain. PAIN, v. 167, n. 5, p. 1110-1119, 2026 maio. DOI: 10.1097/j.pain.0000000000003902.