Um grupo de
pesquisadores da Universidade de Sydney e
instituições parceiras na Austrália e no
Reino Unido investigou a relação temporal
entre imagens mentais, construtos
psicológicos e desfechos de dor em jovens
com dor crônica. A pesquisa foi publicada em
2026 na revista PAIN e revelou que a
presença de imagens intrusivas e
involuntárias sobre a dor atua como um
preditor robusto para o agravamento dos
sintomas e para a limitação funcional no
cotidiano. O estudo acompanhou os
participantes em tempo real ao longo de uma
semana por meio de um protocolo de avaliação
ecológica momentânea via aplicativo de
celular. O objetivo central foi avaliar como
as flutuações diárias dessas representações
mentais influenciam a experiência dolorosa,
identificando que a frequência dessas
intrusões e a valência afetiva negativa são
mecanismos fundamentais para a manutenção e
cronicidade dos sintomas nessa população.
O estudo foi
realizado com 121 estudantes universitários
com histórico de dor persistente por pelo
menos três meses. No início da pesquisa, os
participantes passaram por avaliações
clínicas e psicológicas completas para
mapear traços gerais de imaginação,
ansiedade e medo da progressão da doença.
Posteriormente, durante o período de uma
semana, eles responderam a questionários
breves três vezes ao dia, disparados em
intervalos pseudoaleatórios, reportando a
intensidade atual da dor, o nível de
interferência nas atividades e as
características das imagens mentais
vivenciadas no momento. Os dados foram
analisados por meio de modelos estatísticos
multiníveis e de painel defasado cruzado (cross-lagged),
que investigaram o peso preditivo dessas
variáveis cognitivas tanto no mesmo instante
de tempo quanto nos momentos subsequentes.
De forma
geral, o estudo mostra que imagens mentais
focadas na dor (involuntárias, vívidas e
negativas) aumentam a intensidade física do
sintoma e prejudicam a rotina dos jovens,
enquanto a imaginação geral para assuntos
cotidianos atua como um fator protetor.
Esses achados confirmam que a dor crônica é
moldada por fatores psicológicos dinâmicos,
como o medo da progressão e as expectativas
do paciente. Diante disso, os autores
destacam a importância do monitoramento em
tempo real e a necessidade de intervenções
clínicas inovadoras, como a reestruturação
de imagens mentais, para modificar esses
padrões de pensamento prejudiciais.
Referência:
TODD, Jemma et al. Momentary assessment of
mental imagery and pain-related
psychological factors in youth with chronic
pain. PAIN, v. 167, n. 5, p. 1110-1119, 2026
maio. DOI: 10.1097/j.pain.0000000000003902.