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Alerta da edição mensal

 

 

Avanços na busca por novos biomarcadores para o diagnóstico e conduta clinica da osteoartrite

Conceição Elidianne Aníbal Silva

 

A Osteoartrite é uma doença degenerativa crônica que acomete as articulações e causa dor intensa. Estima-se-que só nos EUA existam 185 milhões de pessoas com a doença. A Osteoartrite era classicamente considerada uma doença do envelhecimento, no entanto, pesquisas atuais indicam que a Osteoartrite é uma doença inflamatória e está intimamente associada a alterações bioquímicas e moleculares. Entre os sintomas mais relatados na Osteoartrite, a dor se faz presente em todos os pacientes. Essa doença é caracterizada pela incapacidade de condrócitos (células de cartilagem) produzirem matriz viável. Isso resulta em perda de cartilagem articular protetora, resultando no atrito de ossos nas articulações, causando intensa dor e grande comprometimento da mobilidade dos pacientes. O diagnostico e prognostico da doença se dão basicamente exames radiológicos e o exame físico, pode ser usado para determinar quanta dor está presente e em que grau a mobilidade foi comprometida. Entretanto esses métodos são reativos e não preditivos. A escassez de métodos eficazes para um melhor diagnostico e consequentemente conduta clinica nesses pacientes levou pesquisadores do Departamento de Ortopedia na Universidade de Augusta-Geórgia/EUA, a pesquisarem biomarcadores moleculares que podem auxiliar nessa função. Segundo a Organização Mundial da Saúde, um biomarcador é “qualquer substância, estrutura ou processo que possa ser medido no corpo ou em seus produtos e que influencie ou preveja a incidência do resultado ou da doença”. Os biomarcadores podem ser encontrados em diversos fluidos biológicos, incluindo soro, urina, linfa, líquido sinovial, entre outros. Sabe-se que o biomarcador ideal seria aquele que poderia ser coletado de forma não invasiva, ser preditivo na doença e fornecer potenciais e importantes alvos terapêuticos.

 

Na literatura dados sugerem, o uso de várias interleucinas séricas como biomarcadores para a Osteoartrite, entre elas a IL-21 e a IL-17 são citocinas secretadas pelas células e medeiam algumas respostas imunes. Essas citocinas estão presentes em paciente com Osteoartrite e parecem promissoras como biomarcadores. Outra sugestão dos pesquisadores é o uso do IFN-γ, que está presente em níveis elevados na doença, no entanto, o IFN-γ está aumentado em outras patologias, inclusive em infecções virais. Outras proteínas séricas foram estudadas, incluindo a Fibulin-3, uma importante proteína que pode fornecer valor prognóstico e conduta clinica do paciente. Embora nos últimos anos avanços significativos tenham sido alcançados, no entendimento da doença, existe ainda uma imensa necessidade de novos marcadores moleculares que possam ser usados para o diagnostico como no prognostico da Osteoartrite.

 

Referência: Munjal A, Bapat S, Hubbard D, Hunter M, Kolhe R, Fulzele S. Advances in Molecular biomarker for early diagnosis of Osteoarthritis. Biomol Concepts. 2019; 10(1):111-119.

 

Alerta submetido em 14/08/2019 e aceito em 14/08/2019.

 


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