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Pacientes com lesão de chicote cervical
sem sinais neurológicos podem exibir alterações
no tecido nervoso
Ana Carolina Lucchese Velozo
Uma pesquisa realizada no Reino Unido e publicada em 2025 mostrou que pessoas com lesão de chicote cervical aguda desenvolvem neuroinflamação periférica. Lesão de chicote cervical é uma lesão nos tecidos moles do pescoço causada por um movimento brusco da cabeça para frente e para trás, como um chicote, comum em acidentes de carro. A maioria dos pacientes apresentam dor no pescoço e ombros e sinais musculoesqueléticos sem sinais neurológicos, de modo que é uma síndrome dolorosa classificada e tratada como nociceptiva. Nesse estudo, os pesquisadores investigaram a presença de neuroinflamação periférica nesses pacientes, para buscar evidências do envolvimento do tecido nervoso.
O estudo recrutou 122 participantes com lesão de chicote cervical sem sinais neurológicos para investigar sinais de neuroinflamação. Os participantes com lesão foram comparados com 43 indivíduos saudáveis. Os pesquisadores usaram ressonância magnética, questionários de catastrofização da dor, de ansiedade, depressão e estresse, avaliação clínica, testes de sensibilidade e análise de citocinas inflamatórias no sangue para investigar a presença de inflamação nos nervos do plexo braquial e nos gânglios da raiz dorsal. Os achados da ressonância magnética detectaram sinais de edema intraneural associado à neuroinflamação nos nervos das raízes do plexo braquial e nos gânglios da raiz dorsal. Além disso, os participantes com lesão exibiram níveis moderados de ansiedade, depressão e estresse; 55% deles apresentaram hipersensibilidade mecânica e 47% manifestaram alterações somatossensoriais. Houve também a elevação dos níveis séricos de IFN-γ, IL-6 e IL-8 no grupo com lesão, indicando inflamação sistêmica.
Os resultados demonstram a presença de neuroinflamação periférica em indivíduos com lesão de chicote cervical sem sinais neurológicos, o que pode indicar a necessidade de reconsiderar o manejo desses pacientes, incorporando tratamentos direcionados para dor neuropática. Entretanto, mais estudos são necessários para determinar a correlação entre os achados dos exames de imagem e as manifestações clínicas da dor.
Referência: Ridehalgh C, Fundaun J, Bremner S, et al. Evidence for peripheral neuroinflammation after acute whiplash. Pain. 2025;166(10):2285-2299. doi:10.1097/j.pain.0000000000003560 |