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Estudo em dor lombar crônica demonstra
que a estimulação da concha e do lóbulo
auricular produzem analgesia por vias neurais
diferentes
Anna Beatriz Oliveira Cruz
Um ensaio clínico demonstrou que a estimulação transcutânea não invasiva da orelha reduz a intensidade da dor e a incapacidade em pacientes com dor lombar crônica. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Harvard no Hospital Geral de Massachusetts, investigou se o tratamento autoaplicado de estimulação do nervo vago auricular na concha, ou estimulação do nervo auricular maior no lóbulo, reduzem a dor lombar crônica e quais os mecanismos envolvidos.
O estudo incluiu 51 participantes com dor lombar e comparou os efeitos de quatro semanas de tratamento autoaplicado de 30 minutos diários, monitorado por telessaúde, sobre a intensidade da dor e a função de redes neurais envolvidas com a modulação da dor e sistemas de recompensa. Para elucidar os mecanismos, os participantes foram submetidos a exames de Ressonância Magnética Funcional antes e após o protocolo de tratamento. Os resultados de neuroimagem indicaram que, apesar da estimulação auricular nas diferentes regiões induzir analgesia clinicamente equivalente, os efeitos analgésicos foram mediados por vias neurais distintas. A estimulação auricular na concha aumentou a conectividade associada à modulação antinociceptiva. Em contraste, a estimulação auricular no lóbulo reduziu a conectividade de estruturas ligadas à função pró-nociceptiva.
O principal achado do estudo foi que a estimulação auricular tanto do nervo vago auricular na concha, quanto do nervo auricular maior no lóbulo, induz analgesia comparável, mas por mecanismos neurais distintos. A modulação diferencial dessas duas áreas sugere a possibilidade de aplicar a estimulação periférica para modular seletivamente os componentes sensoriais e afetivos da dor, aprimorando seu uso.
Referência: Li T, Wu Y, Li Y, et al. Transcutaneous auricular nerve stimulation modulates the functional connectivity of the descending pain modulation system and reward network in patients with chronic low back pain. Neurotherapeutics. 2025;22(5):e00611. doi:10.1016/j.neurot.2025.e00611 |