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Alerta da edição mensal

 

 

A síndrome de Guillain–Barré associada com o novo coronavírus

Luíza Beatriz Carvalho Cunha


O estudo foi realizado com base em 3 hospitais do norte da Itália, onde foram examinados cinco pacientes com a síndrome de Guillain–Barré após o início do Covid-19. Durante esse período, passaram de 1000 a 1200 pessoas com Covid-19 nesses hospitais. Quatro dos pacientes em série testaram positivo com o swab para o SARS-CoV-2 no começo da síndrome neurológica e um teve o teste swab negativo, broncoalveolar negativo, mas subsequentemente teve o exame sorológico para o vírus positivo.

 

Entre 5 e 10 dias depois do início dos sintomas de Covid-19, os primeiros sintomas da síndrome de Guillain-Barré começaram. Entre eles, fraqueza dos membros inferiores, parestesia em quatro pacientes e diplegia facial acompanhada por ataxia e parestesia em um paciente. Tetraparesia flácida ou tetraplagia evoluíram em um período de 36 horas a quatro dias em quatro dos pacientes; três receberam ventilação mecânica.

 

A análise do Líquido Cefalorraquidiano de 2 pacientes deram um nível normal de proteína e todos os pacientes testaram menos de 5 células brancas por milímetros cúbicos. Anticorpos antiglicosídeos foram ausentes em três pacientes testados. Em todos os pacientes a PCR quantitativa em tempo real do líquido cefalorraquidiano foi negativa para SARS-CoV-2. Nos estudos eletrofisiológicos, amplitudes dos potenciais de ação muscular compostos foram baixos, mas podiam ser obtidos; dois pacientes tiveram latências distais motoras prolongadas. Na eletromiografia, os potenciais de fibrilação estavam presentes em 3 pacientes inicialmente; Em outro paciente, não estava no começo, mas se fez presente no 12º dia. As descobertas foram consistentes com uma variante axonal da síndrome de Guillain–Barré em 3 pacientes e com um processo de desmielinização em 2 pacientes. A ressonância magnética realizada com administração de contraste mostrou destaque das raízes nervosas caudais de dois pacientes, do nervo facial de um paciente e não mostrou sinais de mudanças nervais em dois pacientes.

 

Todos os pacientes foram tratados com imunoglobina intravenosa; dois receberam uma segunda rodada de imunoglobina e um iniciou troca de plasma. Depois de quatro semanas de tratamento, dois pacientes continuaram em unidade de tratamento intensiva e foram recebendo ventilação mecânica, dois ficaram na fisioterapia por conta da paraplegia flácida e pouco movimento dos membros superiores, e um recebeu alta e saiu andado independentemente.

 

O intervalo de 5 a 10 dias entre o começo da doença viral e aparecimento dos primeiros sintomas da síndrome de Guillain–Barré é similar ao que ocorre durante ou depois de outras infecções. Muitos agentes infecciosos já foram associados com a síndrome de Guillain–Barré, e infecções prévias por Campylobacter jejuni, o vírus Epstein–Barr, citalomegalovírus e zika vírus podem ser fator de propensão. Existem inclusive relatos de associação entre infecção por coronavírus e Guillain-Barré.

 

Com base nas observações envolvendo os cinco pacientes, não é possível determinar se as deficiências severas e envolvimentos axonal observados são características típicas da síndrome de Guillain–Barré associada ao coronavírus. A síndrome de Guillain–Barré na COVID-19 deve ser diferenciada de neuropatia e miopatia por doenças graves, que tendem a aparecer mais tarde no curso de doenças graves do que a síndrome de Guillain–Barré.

 

Referência: Toscano G, Palmerini F, Ravaglia S, et al. Guillain-Barré Syndrome Associated with SARS-CoV-2 [published online ahead of print, 2020 Apr 17]. N Engl J Med. 2020;NEJMc2009191. doi:10.1056/NEJMc2009191.

 

Alerta submetido em 28/04/2020 e aceito em 30/04/2020.