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Alerta da edição mensal

 

 

Os genes do relógio interno do corpo regulam a dor de forma diferente em machos e fêmeas

Dhara Leite Lopes

 

Um estudo recente descobriu que o relógio biológico celular controla a sensibilidade à dor de forma diferente entre os sexos, fazendo com que os machos sintam menos dor térmica durante a noite. Cientistas do Canadá e dos EUA publicaram a descoberta na revista Nature Communications em maio de 2026. O objetivo do trabalho foi desvendar por que homens e mulheres processam a dor de maneiras distintas, e a influência dos ritmos circadianos nesse processo, abrindo caminhos para tratamentos mais personalizados.

 

Utilizando análises genéticas e comportamentais, a equipe mapeou um mecanismo molecular que age especificamente no período noturno dos machos. Para alcançar esses resultados, os pesquisadores realizaram um estudo laboratorial utilizando camundongos geneticamente modificados e testes de comportamento que mediam o tempo de resposta dos animais ao calor. Eles descobriram que, durante a noite, o "gene do relógio" chamado Bmal1 ativa intensamente um canal iônico (o ClC-2) nos neurônios dos machos, o que reduz a atividade desses neurônios inibindo a sensação de dor. Nas fêmeas, esse canal não sofre alterações ao longo do dia, mantendo a sensibilidade ao calor constante de noite e de dia.

 

Em conclusão, o estudo prova que os genes do relógio biológico modulam a sensibilidade à dor em machos e fêmeas de modo diferente durante a noite. No futuro esses achados podem contribuir para personalizar a terapêutica analgésica pela escolha dos melhores horários de administração de acordo com o sexo do paciente. Entretanto, novos estudos são necessários para confirmar se esses mecanismos estão presentes também em seres humanos.

 

Referências: Brécier, A., Bannerman, C.A., Xie, YF. et al. Nociceptor circadian clock genes control excitability and pain perception in mice in a sex- and time-dependent manner. Nat Commun (2026). https://doi.org/10.1038/s41467-026-73772-z