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Alerta da edição mensal

 


Linaclotida reduz a constipação intestinal induzida pelo uso de opioides em pacientes com dor crônica

Eduardo Lima Wândega, Cristiane Flora Villarreal

 

A constipação intestinal induzida por opioides (CIO) é o efeito adverso mais comum do tratamento com esses analgésicos, com grande relevância clínica, sobretudo para pacientes em uso crônico. O manejo da CIO é baseado em medidas profiláticas, como maior consumo de água e fibras, e uso de laxativos, mas a resposta clínica é frequentemente insatisfatória. Atualmente, o uso de medicamentos mais específicos para o controle da CIO, como os antagonistas µ-opioides de ação periférica, tem sido proposto. Um recente estudo clínico multicêntrico avaliou a eficácia e segurança da linaclotida, um medicamento com mecanismo de ação diferente dos laxativos usuais e já utilizado para o tratamento da constipação crônica grave, no tratamento da CIO em pacientes com dor crônica não oncológica.

 

Foram incluídos no estudo 254 pacientes com CIO crônica, que faziam uso de opioides há pelo menos oito semanas. Após aleatorização, três grupos foram formados: pacientes que receberam linaclotida na dose de 195 µg/dia, os que receberam linaclotida na dose de 290 µg/dia e um grupo placebo. A frequência de movimentos intestinais espontâneos, ou seja, que não estavam relacionados com o uso de laxativos, enemas ou supositórios, foi quantificada antes e ao longo de oito semanas em todos os pacientes do estudo. Mudanças na consistência das fezes, distensão abdominal e o esforço associado à evacuação também foram parâmetros avaliados. Os resultados demonstraram que ambas as doses da linaclotida aumentaram a frequência de movimentos intestinais espontâneos nos pacientes no decorrer do tratamento. Os outros parâmetros de eficácia também obtiveram melhora nos grupos tratados em relação ao grupo placebo, com maior eficácia na dose de 290 µg/dia. Ademais, os pacientes toleraram bem o tratamento com a linaclotida, sendo que poucos pacientes relataram a ocorrência de diarreia leve, que foi mais frequente com o uso da dose mais elevada. Em resumo, o estudo demonstrou que a linaclotida é segura e eficaz no tratamento da CIO.

 

A linaclotida é um agonista da guanilato ciclase, e eleva, portanto, os níveis intra e extracelulares de GMPc. Esse mecanismo pode trazer duplo benefício para pacientes com CIO, pois é associado ao aumento do trânsito intestinal e à redução da dor abdominal. Dessa forma, a linaclotida pode representar uma boa opção para o controle da CIO em pacientes com dor crônica não oncológica.

 

Referências: Brenner DM, Argoff CE, Fox SM, et al. Efficacy and safety of linaclotide for opioid-induced constipation in patients with chronic noncancer pain syndromes from a phase 2 randomized study. Pain. 2020;161(5):1027-1036.

 

Alerta submetido em 13/07/2020 e aceito em 13/07/2020.