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Alerta da edição mensal

 


Como se comportar diante da dor que acompanha o câncer de mama?

Gustavo Lee Minari

 

Diversos pacientes oncológicos relatam dor crônica após tratamento, podendo atingir quase 40%. Com isso, é recomendado intervenção integrando-se o uso de fármacos combinado a estratégias de abordagem psicossocial, além também intervenções comportamentais de lidar com a dor. Assim, pesquisadores dos Estados Unidos estudaram Treinamento de Habilidades para Lidar com a Dor (PCST/Pain Coping Skills Training), uma forma de intervenção comportamental, e se diferentes dosagens desse treino influenciam no manejo da dor em mulheres com câncer de mama. Demonstrou-se redução da dor em todos os grupos de intervenção de, pelo menos, 30%.

 

Este estudo baseou-se em um ensaio clínico randomizado sequencial múltiplo, que contou com 327 participantes iniciais, que eram pacientes com câncer de mama do estágio I-IIIC. Elas foram aleatorizadas inicialmente em 2 grupos principais, o PCST-Full, que consistia em 5 sessões individualizadas de 60 minutos para a intervenção comportamental, enquanto no grupo PCST-Brief era realizado apenas 1 sessão de treinamento. Essa pesquisa foi realizada em 4 etapas, com duração total de 6 meses de estudos, em que os indivíduos poderiam ser realocados de forma aleatória para um dentre 8 grupos secundários, como o grupo sem intervenção. As intervenções e coletas eram feitas com um intervalo de 5 a 8 semanas entre elas. Após as intervenções realizadas, foi relatado uma redução na percepção da dor em ambos os grupos (PCST-Full e PCST-Brief). Entretanto, o grupo PCST-Full apresentou um melhor resultado em que 51% dos pacientes que completaram o treinamento relataram redução da dor de, pelo menos, 30%; enquanto no PCST-Brief foram 42,3% das participantes.

 

Ainda que os resultados do PCST-Full tenham sido melhores, o PCST-Brief também demonstrou bons resultados, o que mostra o valor terapêutico desse tipo de intervenção uma vez que foi capaz de diminuir a dor de quase metade da população estudada. Diante disso, nota-se a importância da realização de protocolos de manejo com a dor que envolvam não somente aspectos psicossociais e farmacológicos, mas também comportamentais.

 

Referências: Somers TJ, Winger JG, Fisher HM, et al. Behavioral cancer pain intervention dosing: results of a Sequential Multiple Assignment Randomized Trial. Pain. 2023;164(9):1935-1941. doi:10.1097/j.pain.0000000000002915

 

Alerta submetido em 10/11/2023 e aceito em 20/12/2023.