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Alerta da edição mensal

 


O efeito da cetamina na intensidade da dor crônica refratária

Jessica Correia de Oliveira Souza

 

Pesquisadores franceses, por meio de um estudo clínico observacional prospectivo, identificaram redução significativa na intensidade da dor crônica refratária em pacientes que fizeram uso de cetamina. Esse estudo foi realizado em 30 clínicas francesas de dor onde a cetamina é comumente prescrita, sendo selecionados 256 pacientes que tiveram apenas um procedimento de entrega do fármaco e estes foram acompanhados mensalmente, via telefone, por um ano, para coletar dados sobre a intensidade da avaliação da dor, ansiedade, depressão, qualidade de vida, tratamentos concomitantes e eventos adversos.

 

Além da redução significativa na intensidade da dor, também foram identificadas três trajetórias de dor ao longo dos 12 meses, onde 16% dos pacientes foram classificados em “dor leve”, principalmente dor neuropática, 35,3% em “dor moderada” e 45,7% em “dor intensa”, principalmente fibromialgia. Essas trajetórias foram associadas a fatores como sexo, idade, tipo de dor, ansiedade, depressão e níveis de qualidade de vida, de forma que a intensidade da dor estava diretamente relacionada à ansiedade, depressão e pior qualidade de vida, e os níveis mais intensos de dor relacionados ao sexo feminino e idades mais avançadas.

 

Assim, os achados nesse estudo podem lançar luz sobre os resultados controversos do efeito analgésico da cetamina descritos na literatura, porém é necessário que novos estudos se concentrem na análise da dose-resposta com administrações repetidas do fármaco e na otimização da divisão dos grupos de dor.

 

Referências: Corriger A, Voute M, Lambert C, Pereira B, Pickering G; OKAPI Consortium. Ketamine for refractory chronic pain: a 1-year follow-up study. Pain. 2022;163(4):690-701. doi:10.1097/j.pain.0000000000002403

 

Alerta submetido em 04/04/2022 e aceito em 18/04/2022.