Pesquisadores
da Universidade de Oxford demonstraram que o
Índice de Fibromialgia (FMI), uma pontuação
utilizada na prática clínica para
diagnosticar a fibromialgia, está associado
a alterações na conectividade estrutural do
cérebro. O estudo buscou validar se o FMI
pode refletir uma assinatura biológica
neural da dor nociplástica, e pode ser
extrapolado para outras síndromes dolorosas
fornecendo uma validação objetiva para
sintomas frequentemente vistos como
subjetivos. A dor nociplástica ocorre devido
a um processamento alterado da dor, mesmo
sem dano tecidual ou lesão nervosa
identificáveis. Como a fibromialgia é
considerada o principal arquétipo desse tipo
de dor, o estudo utilizou o FMI como
ferramenta central para investigar essa
condição. No estudo, os pesquisadores
analisaram dados de neuroimagem de mais de
40.000 pessoas do UK Biobank, coletados na
última década.
Dados de
ressonância magnética foram analisados e
correlacionados ao FMI. Os resultados
mostraram que um FMI mais alto se
correlaciona com maior conectividade entre a
substância cinzenta periaquedutal (PAG) e a
amígdala, e menor conectividade entre a PAG
e o hipotálamo. Essa associação foi
específica para a dor nociplástica,
diferindo da dor neuropática, e foi
parcialmente associada a sintomas como
fadiga e distúrbios do sono.
Portanto, o
estudo evidencia que o FMI reflete mudanças
nos circuitos cerebrais da dor, apoiando seu
uso como ferramenta clínica para facilitar a
identificação da dor nociplástica. Por outro
lado, as conclusões são limitadas por ser um
estudo transversal, que não estabelece
causalidade, e que pode ter viés de seleção
da coorte do UK Biobank.
Referência:
Kelleher EM, Lange F, Wanigasekera V, et al.
Brain signatures of nociplastic pain:
Fibromyalgia Index and descending modulation
at population level. Brain. Published online
August 17, 2025. doi:10.1093/brain/awaf307.