Um estudo
publicado recentemente na revista Nature
identificou o circuito neural completo que
mantém a dor crônica ativa. Em modelos de
camundongos, os cientistas mapearam uma rota
multi-sináptica que se estende da medula
espinhal até regiões específicas do cérebro
— incluindo o tálamo e o córtex
somatossensorial — e retorna à medula
espinhal. Os resultados mostram que
silenciar qualquer "nó" ao longo desse
circuito foi suficiente para eliminar a
hipersensibilidade mecânica causada por
lesões, restaurando a resposta normal à dor
sem comprometer os reflexos de proteção.
Para mapear
esse circuito, a equipe utilizou ferramentas
genéticas e virais para rastrear e manipular
neurônios específicos no bulbo
rostroventromedial (RVM) que expressam o
receptor opioide μ, o mesmo alvo da morfina.
Quando o circuito foi ativado repetidamente
em animais saudáveis, os pesquisadores
observaram o desenvolvimento de dor crônica
mecânica, indicando que essa via é
responsável pela cronificação da dor. Em
contraste, quando o circuito foi desligado
em animais com lesões nervosas, a
hipersensibilidade foi eliminada.
Esta
descoberta fornece informações sobre os
mecanismos neurais que diferenciam a dor
aguda da dor crônica. A identificação deste
circuito medula-cérebro-medula pode
contribuir para o desenvolvimento de novas
estratégias terapêuticas. Em vez de utilizar
analgésicos sistêmicos com efeitos
generalizados, abordagens futuras poderão
focar em alvos celulares específicos ao
longo deste circuito, potencialmente
oferecendo alternativas para o tratamento de
dores crônicas.
Referência:
Wang Q, Lee JH, Nachtrab G, Yuan Y, Yuan L,
Qi W, Mohr MA, Xiong J, Horowitz MA, Chen X.
Deconstruction of a spino-brain-spinal cord
circuit that drives chronic pain. Nature.
2026 Apr 1;632. doi:
10.1038/s41586-026-10296-y.