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Alerta da edição mensal

 

 

Atividade elétrica cerebral no sono e dor

Milena Dias Oliveira

 

O Eletroencefalograma (EEG) do sono pode fornecer informações neurofisiológicas associadas à insônia e à dor crônica. Os distúrbios do sono são uma característica comum da dor crônica, sendo que o principal distúrbio é a insônia, a qual acomete cerca de 30% da população em geral e cerca de 50% dos pacientes com dor crônica. Desta forma, o seguinte estudo traz uma breve revisão acerca dos avanços atuais nas avaliações do EEG do sono para dor, a fim de fornecer recomendações de pesquisa para progredir no campo em direção a uma compreensão mais profunda de sua utilidade e potenciais aplicações futuras na prática clínica, especificamente no que diz respeito a adultos com dor crônica.

 

Estudos demonstram que a insônia é um fator modificável, que resulta em melhores resultados no tratamento da dor, como o sono interage com a dor através de vias diretas (por exemplo, fisiologia) e indiretas (por exemplo, melhoria da qualidade de vida e bem-estar emocional), os efeitos da melhoria do sono podem potencializar intervenções para o controle da dor. Contudo, ainda que estudos demonstrem potencialidade no assunto, a redução dos sintomas de insônia gerados pelo tratamento padrão-ouro para a insônia, terapia cognitivo-comportamental para insônia, ainda não está consistentemente associada a melhorias nos desfechos de dor crônica.

 

A polissonografia é o padrão ouro na avaliação clínica do sono. A polissonografia é uma avaliação multimodal que inclui EEG, além de fornecer o “quadro completo” do sono necessário para diagnosticar uma variedade de distúrbios do sono e fornecer marcadores para o estadiamento do sono, a qual também fornece informações sobre esses distúrbios na dor crônica. Os cálculos decompõem o sinal EEG bruto em frequências componentes de delta (0,5– 4,5 Hz), teta (4,5–8 Hz), alfa (8–12 Hz), sigma (12–16 Hz), beta (16–32 Hz), e gama (32–100 Hz).

 

Com o avanço da tecnologia, variações de ECG têm surgido, como o ECG sem fio, além do uso de abordagens de detecção de EEG “seco” versus “úmido. O EEG do sono tradicional depende de pasta de eletrodo condutora para otimizar a condução do sinal do couro cabeludo até o sensor. Essa abordagem “úmida” é refletida em vários dispositivos por meio do uso de eletrodos proprietários e descartáveis que maximizam a facilidade de uso. A abordagem alternativa “seca” depende de sensores revestidos de nano carbono ou silício que são posicionados para manter contato com a pele ou couro cabeludo.

 

Logo, o EEG do sono pode ajudar a identificar prováveis respostas ao tratamento entre pacientes com dor crônica e insônia. Trabalhos preliminares sugerem que a potência das frequências beta, gama, alfa e delta do espectro EEG, bem como características da arquitetura do sono (por exemplo, tempo total de sono definido objetivamente) poderiam ser aplicadas para identificar assinaturas neurofisiológicas relevantes para a dor. De forma que são necessários mais estudos para uma melhor compreensão de todos esses fatores.

 

Referência: Reid, Matthew J.; Quigg, Mark; Finan, Patrick H. Sleep-EEG in comorbid pain and insomnia: implications for the treatment of pain disorders. PAIN Reports 8(6):p e1101, December 2023. | DOI: 10.1097/PR9.0000000000001101

 

Alerta submetido em 10/11/2023 e aceito em 20/12/2023.