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Editorial do mês

 

 

Fibromialgia - a dor que anda e ninguém vê, e suas consequências
Déborah Hevelyn de Assis Macêdo(1), Diêgo Madureira de Oliveira(1), Eliana Fortes Gris(1), Tales Henrique Andrade da Mota(1)

 

 

A fibromialgia (FM) é descrita como uma síndrome reumática, não inflamatória de etiologia desconhecida. É caracterizada por apresentar dores crônicas generalizadas e difusas na musculatura esquelética em pontos específicos, chamados de tender points [1]. Os relatos sobre a fibromialgia começaram em 1592, entretanto o termo fibromialgia foi descrito pela primeira vez em 1976 por Hench e reconhecido como síndrome em 1981 após a publicação do estudo de Wolfe et.al [2]. No Brasil, cerca de 2,5% da população possuem a síndrome e as mulheres, entre 35 e 60 anos, são as mais atingidas. A doença também afeta crianças, adolescentes e idosos [3].

 

Não é possível fazer o diagnóstico por meio de exames laboratoriais ou exames de imagem, por isso é tão difícil identificar e aceitar a doença [4]. Com isso, algumas pessoas chamam a FM de “dor invisível”. Para concluir o diagnóstico o médico deve basear-se no relato do paciente. Esse deve apresentar pelo menos 11 dos 18 tender points preconizados pelo Colégio Americano de Reumatologia (ACR). Esses pontos são localizados nos quadrantes esquerdo e direito do corpo e abaixo e acima da cintura. Por conta da quantidade e do local dos tender points, os pacientes relatam terem a sensação de que a dor “anda” pelo corpo [5]. Depois de diagnosticada a fibromialgia se apresenta como fator de risco em cirurgia de artroplastia total do joelho [6]e com o maior entendimento dessa patologia é possível que exista relação com outros fatores.

 

Além disso, os portadores da síndrome apresentam sintomas secundários. Os mais comuns são: síndrome do intestino irritável, sono não reparador, rigidez matinal, fadiga, ansiedade, depressão, formigamento, excessivos despertares durante a noite, cefaleia, irritabilidades na bexiga, alterações cognitivas, desordens de humor, hipotireoidismo, boca seca, déficit de memória e sensação de inchaço [7,8,9,10,11] . Esses sintomas variam de intensidade por conta de fatores moduladores e geralmente estão ligados, pois a falta do sono piora a dor [7]. Isso contribui para a redução da prática de atividade física realizadas, entrando em um ciclo vicioso que facilita a ocorrência de depressão [12].

 

Como já dito por nós no editorial “Fibromialgia doença ou sintoma?” há uma grande dificuldade de identificar o mecanismo causador da doença fazendo com que o tratamento não seja especifico. Esse geralmente tem de ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar que pode combinar diferentes terapias medicamentosas e não medicamentosas. O tratamento medicamentoso consiste em fármacos como antidepressivos, anti-inflamatórios não esteroidais e anticonvulsivante, contudo a eficácia clinica é baixa quando comparado aos efeitos adversos produzidos [13]. Já as terapias não medicamentosas vêm mostrando bons resultados para reduzir a dor causada, sendo exemplo os exercícios aquático [14], a dança de zumba [15], a prática de yoga [16] e a acupuntura [17].

 

Assim posto, a fibromialgia é uma patologia que causa fortes sensações dolorosas que parecem andar pelo corpo e são ligadas a diversos sintomas secundários que quando não tratados podem gerar, como consequência, a piora da doença. O tratamento é individualizado podendo ter a combinação das terapias medicamentosas e não medicamentosas. Estas bastante ressaltadas pela literatura por apresentar resultados positivos para reduzir os sintomas já que são capazes de não só diminuir a dor como também de amenizar os problemas secundários [17,18,19].

 

Referências:

1. PROVENZA, José Roberto et al. Fibromialgia. Revista brasileira de reumatologia, v. 44, n. 6, p. 443-449, 2004.

2. WOLFE, Frederick et al. The American College of Rheumatology 1990 criteria for the classification of fibromyalgia. Arthritis & Rheumatism: Official Journal of the American College of Rheumatology, v. 33, n. 2, p. 160-172, 1990.

3. CAVALCANTE, Alane B. et al. A prevalência de fibromialgia: uma revisão de literatura. Rev Bras Reumatol, v. 46, n. 1, p. 40-8, 2006.

4. CHENG, Christina Wh et al. Fibromyalgia: is it a neuropathic pain?. Pain Management, [s.l.], v. 8, n. 5, p.377-388, set. 2018. Future Medicine Ltd. http://dx.doi.org/10.2217/pmt-2018-0024.

5. PALÁCIO, PAULA DANYELLE DE BARROS. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ–UECE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE MESTRADO EM CUIDADOS CLINICOS.

6. SODHI, Nipun et al. Fibromyalgia Increases the Risk of Surgical Complications Following Total Knee Arthroplasty: A Nationwide Database Study. The Journal Of Arthroplasty, [s.l.], v. 34, n. 9, p.1953-1956, set. 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.arth.2019.04.023.

7. TÜRKOğLU, Gözde; SELVI, Yavuz. The relationship between chronotype, sleep disturbance, severity of fibromyalgia, and quality of life in patients with fibromyalgia. Chronobiology International, [s.l.], p.1-14, 5 nov. 2019. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/07420528.2019.1684314.

8. ANGARITA-OSORIO, Natalia et al. Patients With Fibromyalgia Reporting Severe Pain but Low Impact of the Syndrome: Clinical and Pain-Related Cognitive Features. Pain Practice, [s.l.], 11 nov. 2019. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/papr.12847.

9. ARLETON, R. Nicholas et al. Evaluating the Efficacy of an Attention Modification Program for Patients with Fibromyalgia. Pain, [s.l.], nov. 2019. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/j.pain.0000000000001746.

10. LEE, Ho-jin et al. Prevalence of fibromyalgia in fourteen Korean tertiary care university hospital pain clinics. Journal Of Pain Research, [s.l.], v. 11, p.2417-2423, out. 2018. Dove Medical Press Ltd.. http://dx.doi.org/10.2147/jpr.s172221.

11. NATELSON, Benjamin H. et al. The effect of comorbid medical and psychiatric diagnoses on chronic fatigue syndrome. Annals Of Medicine, [s.l.], p.1-8, 7 nov. 2019. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/07853890.2019.1683601.

12. SANTOS, A. M. B. et al. Depressão e qualidade de vida em pacientes com fibromialgia. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 10, n. 3, p. 317-324, 2006.

13. HÄUSER, Winfried et al. Review of pharmacological therapies in fibromyalgia syndrome. Arthritis research & therapy, v. 16, n. 1, p. 201, 2014.

14. SALM, Daiana Cristina et al. Aquatic exercise and Far Infrared (FIR) modulates pain and blood cytokines in fibromyalgia patients: A double-blind, randomized, placebo-controlled pilot study. Journal Of Neuroimmunology, [s.l.], v. 337, dez. 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.jneuroim.2019.577077.

15. NOROUZI, Ebrahim et al. Zumba dancing and aerobic exercise can improve working memory, motor function, and depressive symptoms in female patients with Fibromyalgia. European Journal Of Sport Science, [s.l.], p.1-11, 7 nov. 2019. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/17461391.2019.1683610.

16. SCHREIBER, Kristinl et al. The impact of a daily yoga program for women with fibromyalgia. International Journal Of Yoga, [s.l.], v. 12, n. 3, p.206-217, 2019. Medknow. http://dx.doi.org/10.4103/ijoy.ijoy_72_18.

17. KIM, Jiwon et al. Comparing Verum and Sham Acupuncture in Fibromyalgia Syndrome: A Systematic Review and Meta-Analysis. Evidence-based Complementary And Alternative Medicine, [s.l.], v. 2019, p.1-13, 25 ago. 2019. Hindawi Limited. http://dx.doi.org/10.1155/2019/8757685.

18. BRAVO, Cristina et al. Effectiveness of movement and body awareness therapies in patients with fibromyalgia: a systematic review and meta-analysis. European Journal Of Physical And Rehabilitation Medicine, [s.l.], v. 55, n. 5 out. 2019. Edizioni Minerva Medica. http://dx.doi.org/10.23736/s1973-9087.19.05291-2.

19. ANDRADE, Alexandro et al. Modulation of Autonomic Function by Physical Exercise in Patients with Fibromyalgia Syndrome: A Systematic Review. Pm&r, [s.l.], v. 11, n. 10, p.1121-1131, 5 jun. 2019. Wiley. http://dx.doi.org/10.1002/pmrj.12158. Acesso em 29/11/2019 as 19:00.


(1) Editoral produzido no âmbito da disciplina "Seminários Avançados em Pesquisa em Ciências e Tecnologias em Saúde", do Programa de Pós-graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde da Faculdade de Ceilândia, UnB.