DOL - Dor On Line

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Universidade de Brasília - Campus de Ceilândia

Principal    |    Editoriais    |    Edições    |    Sobre a Dor    |    Glossário    |    Projeto DOL    |    Publicações    |    Contato

   
 

Editorial do mês

 

 

Produtos naturais derivados de plantas - fonte de substâncias bioativas para novos tratamentos da dor
Aryanne Faustino Albernaz *, Mariane Aparecida da Silva Marques ** e Mani Indiana Funez ***

 

 

O homem sempre procurou aproveitar o máximo de seu ambiente, com a flora não seria diferente. O uso de plantas vem desde o período pré-histórico para diversos propósitos, sejam elas como alimento ou para o tratamento de doenças. Sendo assim, a extração de compostos de plantas para fins medicinais é algo milenar e bastante difundido no contexto histórico da sociedade.

 

As plantas são fontes de compostos bioativos, os responsáveis pelo poder curativo, que chamava atenção mesmo em momentos em que o conhecimento era apenas empírico.

 

Nos dias de hoje, esses compostos bioativos são componentes importantes para o desenvolvimento de novas drogas para o tratamento de diversas doenças, principalmente para o manejo da dor.

 

As substâncias bioativas podem atuar de forma única ou em conjunto de forma a atuar de forma sinérgica para o tratamento. A dor é considerada um sintoma inespecífico, manifestada em diversas doenças, classificada como aguda ou crônica, com capacidade de afetar a qualidade de vida das pessoas. A inflamação aguda que é marcada pela infiltração de leucócitos e liberação de mediadores pró-inflamatórios, é capaz de atuar sensibilizando os nociceptores, diminuindo o limiar nociceptivo e até mesmo sendo capaz de atuar gerando potencial de ação, gerando a nocicepção, que no caso dos seres humanos é denominada dor.

 

Para o tratamento dor inflamatória os fármacos mais utilizadas são os anti-inflamatórios não esteroidais, como o Ibuprofeno; analgésicos não opiodes, como a Dipirona, e até mesmo o uso de opioides, como a Morfina, que são conhecidos por atuar com ações diretamente sobre o processo inflamatório, ou atuar evitando a geração de potenciais de ação que levam a informação dolorosa para o sistema nervoso central. Esses fármacos descritos são conhecidos por seus efeitos adversos sistêmicos, que em alguns casos são os responsáveis pelo abandono do tratamento.

 

Diversas plantas foram classificadas como anti-inflamatórias, analgésicas e antioxidantes, possuindo como substâncias os flavonóides e terpenos, polifenóis encontrados em quantidades suficientes, responsáveis por gerar esses efeitos.

 

Pensando nisso, o uso de plantas e o conhecimento de seus compostos bioativos para o tratamento de doenças inflamatórias, e seus possíveis efeitos analgésicos e antioxidantes, é uma alternativa que se mostra eficaz tanto quanto os fármacos tradicionalmente utilizados na medicina alopática, mostrando uma proporção de efeitos adversos menores, com um vasto potencial terapêutico.

 

Alguns mecanismos de potencial terapêutico dos produtos naturais derivados de plantas está relacionado à redução da migração de leucócitos e de mediadores pró-inflamatórios para o sítio da inflamação ou ao efeito antioxidante que as substâncias bioativas podem gerar, isso devido à capacidade do estresse oxidativo de está participando do processo inflamatório e geração de potencial de ação dos nociceptores presente na região da lesão, além de uma atuação na analgesia periférica e central diretamente dos compostos sobre os nociceptores.

 

Sendo assim, a partir do reconhecimento da importância terapêutica das plantas são necessários mais estudos aprofundados para reconhecer o complexo de propriedades terapêuticas e benefícios para o manejo adequado da dor.

 

Referências:

  • Scapinello, Jaqueline & Girardi Müller, Liz & S.Z. Schindler, Monica & Sabrina Anzolin, Gabriela & Siebel, Anna & A. Boligon, Aline & Niero, Rivaldo & E.S. Saraiva, Thalia & Pulz Maus, Nathália & Heemann Betti, Andresa & Oliveira, J & Dal Magro, Jacir & de Oliveira, Débora. (2019). Antinociceptive and anti-inflammatory activities of Philodendron bipinnatifidum Schott ex Endl (Araceae). Journal of Ethnopharmacology. 236. 10.1016/j.jep.2019.02.037

  • Sobeh, Mansour & El-Raey, Mohamed & Rezq, Samar & A.O. Abdelfattah, Mohamed & Petruk, Ganna & Osman, Samir & El Sahzly, Assem & El-Beshbishy, Hesham & Mahmoud, Mona & Wink, Michael. (2019). Chemical profiling of secondary metabolites of Eugenia uniflora and their antioxidant, anti-inflammatory, pain killing and anti-diabetic activities: A comprehensive approach. Journal of Ethnopharmacology. 240. 111939. 10.1016/j.jep.2019.111939.


* e ** Equipe de extensão da Faculdade de Ceilândia – Universidade de Brasília (FCE – UnB);

*** Professora Adjunta na área de Enfermagem e Farmacologia da Faculdade de Ceilândia - Universidade de Brasília.