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Editorial do mês

 

 

Quimiocinas na dor
Sessão VI - CCL7: uma das engrenagens para dor neuropática 

Adriele Alves Santos *

Ana Carolina Alves Melo de Moura *

Giovanna Oliveira de Brito *

 

As quimiocinas têm sido assunto nos últimos editoriais, graças ao seu papel importante na dor. Esse mês a quimiocina em destaque é a CCL7, que é da família das quimiocinas CC, também chamadas de beta-quimiocinas.

 

A CCL7, conhecida também como MCP-3 (proteína quimiotática de monócitos 3), é uma quimiocina pró-inflamatória, tendo como principal função a mobilização de monócitos. Os estudos sobre a CCL7 têm relacionado o aumento da sua expressão com a dor neuropática, sendo esse apenas um dos mecanismos da complexa maquinaria por trás dessa patologia. Porém, essa quimiocina ainda não foi muito avaliada em outros tipos de dor.

 

A relação da CCL7 com a dor neuropática foi inicialmente estabelecida a partir de um estudo que demostrou um notável aumento na sua expressão após ligadura parcial do nervo isquiático de camundongos. O aumento foi tanto mais intenso quanto também mais duradouro quando comparado a outras moléculas que sabidamente contribuem para a dor neuropática, como a MCP-1. Para que esse efeito seja observado, ocorre uma modificação epigenética, a redução na tri-metilação do resíduo de lisina 27 (Lys27) da histona H3 no promotor da CCL7 na medula espinhal de camundongos, resultando em aumento na expressão de CCL7. Essa redução na tri-metilação e aumento na expressão de CCL7 são dependentes de IL-6, o que foi observado em um estudo utilizando animais knockout para a IL-6 ou fazendo injeção intratecal de IL-6 recombinante.

 

Como reação à atuação da IL-6 na medula óssea, há ativação dos gânglios dorsais e aumento da expressão do gene CCL7 pelos astrócitos após o procedimento de ligadura. Assim há facilitação na relação astrócito-micróglia tendo forte impacto na dor neuropática, já que ao ativar a micróglia, que expressa CCR2, gera-se um efeito final dependente de CCR2/CCL7, que é a sensibilização e a facilitação na transmissão das vias ascendentes da dor. Sendo assim, a ativação de CCR2 por CCL7 é importante na indução e manutenção da dor neuropática. Estes achados foram comprovados no estudo a partir da utilização de anticorpos anti-CCL7, animais que não expressavam IL-6, e administração de CCL7 exógena. Em virtude dos fatos mencionados, se vê nestas inter-relações um forte campo de investigação para o tratamento da dor neuropática. Contudo, outros estudos indicam que a CCL7 é crítica não só para o desenvolvimento da dor neuropática, mas também para a dor crônica em geral, através da indução da proliferação dos astrócitos. Além disso, condições de dor inflamatória, como encefalite relacionada ao HIV, e processos inflamatórios prolongados, levam à produção de neurotoxinas. Estas promovem neurodegeneração decorrente da dor neuropática, que possui como uma importante característica a desregulação das quimiocinas e, como consequência, ativação da micróglia.

 

Referências:

  • Imal S, et al. Epigenetic transcriptional activation of monocyte chemotatic protein 3 contributes to long-lasting neuropathic pain. Brain. 2013. 136: 828-843;

  • Ramesh G, MacLean AG, Philipp MT. Cytokines and Chemokines at the Crossroads of Neuroinflammation, Neurodegeneration, and Neuropathic Pain. Mediators of Inflammation. Hindawi. 2013

  • Palomino DCT, Marti LC. Quimiocinas e imunidade. Einstein. 2015. 13 (3): 469-473.


* Equipe de extensão da Faculdade de Ceilândia – Universidade de Brasília (FCE – UnB).