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Editorial do mês

 

 

Ano Global da Excelência na Educação da Dor 

Paulo Gustavo Barboni Dantas Nascimento*

 

Este ano de 2018 foi eleito pela Associação Internacional de Estudo da Dor (IASP) como sendo o Ano Global da Excelência na Educação da Dor, como o tema “Fazendo a Ponte entre Conhecimento e Prática”.

 

Quatro domínios da Educação em Dor foram elencados para que o esforço do Ano Global surta efeitos. São eles: a educação pública, a educação de pacientes, a educação profissional e a pesquisa em educação da Dor [1].

 

A Associação irá desenvolver ao longo do ano de 2018 várias atividades, como a disponibilização de publicações, recursos e eventos. Existe uma seção dedicada ao material produzido por diversos especialistas da IASP que já conta com a tradução em cinco idiomas, incluindo o Português [1].

 

No aspecto da ponte entre o conhecimento e a prática, os desafios para este Ano Global são os mais variados. Existe a avaliação clara de que a formação em Dor dos curricula de profissionais de saúde é inadequada. Não é feito o desenvolvimento de competências na avaliação da Dor em pacientes, assim como o seu gerenciamento. Aspectos relacionados à segurança e eficácia do uso de opioides são deficientes na formação destes profissionais.

 

A formação profissional continuada, para além da graduação, na forma da especialização no gerenciamento da Dor é limitada. Além disso, o aporte do conhecimento atual em Dor tem sido transferido para a prática do gerenciamento em Dor de maneira inadequada, ou a passos lentos demais. A contribuição de pacientes e familiares geralmente não é considerada no planejamento do gerenciamento da Dor e no seu monitoramento.

 

Existe a intenção de fomentar o melhor entendimento da dor pelos relatos de pacientes e possibilitar a educação destes por profissionais, atividades e recursos. Existe um viés consistente da educação em Dor no conhecimento em detrimento do desenvolvimento de competências e habilidades assim como em melhores desfechos do gerenciamento para os pacientes. Este desenvolvimento tem de ser interprofissional, através do treinamento com recursos apropriados e através da integração profissional e com o fornecimento de certificados válidos e reconhecidos.

 

A saúde pública não possui clareza sobre os impactos da Dor como fator em seu planejamento. Os pacientes de dor persistente e crônica possuem falta de acesso a informação quanto a recursos e tratamento para suas condições. O fomento a discussões qualificadas na esfera da administração pública esta sendo incentivado para a definição de temas e o avanço do Ano Global.

 

O material do Ano Global é livre para download e versa sobre vários temas, como uma avaliação do estado atual da Educação em Dor, assim como os desafios para a sua implantação. Além disso, o material também aborda como devem ser os modelos de curricula em Dor e como abordar suas implantações.

 

Neste material são definidas as Competências em Dor e delineamentos do curriculum da IASP para a Educação Profissional. Atrelado a isso, existe também material referente à Avaliação da Educação em Dor, assim como estratégias de avaliação de desempenho [1].

 

A Educação em Dor não é centrada apenas no profissional de Saúde, existe também a preocupação com os pacientes com Dor, e em como integrar as suas experiências e dúvidas na Educação em Dor. Uma seção é dedicada à Educação do Gerenciamento da Dor e autocuidado.

 

Também é abordada esta Educação no contexto de países com poucos recursos, de terceiro mundo, assim como a Educação on line, com a utilização de meios de comunicação social.

 

A pesquisa na Educação da Dor também é alvo das ações deste Ano Global. A distância entre o Conhecimento e a Prática tem de ser dimensionada e os guias para uma Educação efetiva devem ser delineados. Existe a necessidade de recursos de suporte a este tipo de pesquisa em educação.

 

O Boletim Dor On Line é uma ferramenta de divulgação científica e educação da Dor. Este projeto tem contribuído para a pesquisa da Educação da Dor com dois artigos recentes, tratando do projeto de extensão universitária a ele atribuído e da educação para profissionais de Saúde nas Instituições de Ensino Superior que promovem esta ação [2,3].

 

Referências:

  • [1] Ano Global da Dor. IASP, 2018. Disponível em: https://www.iasp-pain.org/GlobalYear

  • [2] NASCIMENTO, P. G. B. D.; Funez, M.I. ; LISBOA, S. F. S.; SANTOS, I. R.; RAMON, J. W. Projeto Dor On Line. Perspectiva Educomunicativa e Uso de Tecnologias de Aprendizagem. ETD: EDUCAÇÃO TEMÁTICA DIGITAL, v. 20, p. 555-569, 2018.]

  • [3] Nascimento, Paulo G. B. D.; Funez, M.I. ; FERREIRA, S.H. Projeto Boletim Dor on Line: Projeto educacional desenvolvido dentro das atribuições de um Projeto de Extensão de Ação Continuada, Universidade de Brasília. Participação (UnB), v. 1, p. 20-29, 2016.

 


* Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas, Mestre e Doutor em Ciências, Professor Adjunto de Química na FCE-UNB.