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Editorial do Mês - Fisioterapia e a dor
Morena Brazil Martins Sant'Anna *
Tiago Alves Bozzo **
A Fisioterapia é uma ciência da Saúde que
estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos
funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas
do corpo humano, gerados por alterações
genéticas, por traumas e por doenças adquiridas.
Seu mercado de atuação é muito abrangente,
partindo de áreas clássicas como ortopedia,
neurologia e pneumologia atingindo áreas como
Dermatologia, Ginecologia, Obstetrícia e
Mastologia, entre outras.
A sua fundamentação está baseada nas ações de
mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados
pelos estudos da Biologia, das ciências
morfológicas e fisiológicas, das patologias, da
bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da
cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia
patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e
as disciplinas comportamentais e sociais. Com
esses pilares, o fisioterapeuta tem o
conhecimento e as ferramentas adequadas para a
prevenção, controle e alívio da dor.
As restrições de mobilidade no corpo, que podem
causar dor, são causadas por estresses físicos
ou emocionais como, por exemplo, má postura,
lesões do esporte para atletas profissionais,
amadores e não atletas. A fisioterapia tem como
objetivo diminuir e eliminar as sobrecargas
corporais acumuladas em nosso dia a dia,
produzir relaxamento corporal, diminuir o
stress, tratar as lesões miofasciais e
musculotendíneas, promover através de técnicas
específicas um melhor equilíbrio físico e mental
proporcionando uma melhor qualidade de vida a
todos.
Sabemos que existem vários tipos de dores, mas
podemos classificá-las em dois grandes grupos:
dor aguda e dor crônica. A fisioterapia pode
agir nos dois grupos de forma distinta.
Dor Aguda
Superficialmente temos que é uma dor que
persiste por um período de 3 dias até 21 dias. A
fisioterapia tem como um papel fundamental nesse
período estabelecer a diminuição da dor,
aumentar a absorção do edema, normalização do
pH, aumento da circulação para que assim ocorra
uma diminuição do processo inflamatório e
consequentemente um alívio da dor. Para isso
usamos como ferramentas os seguintes recursos*:
-
Ultra-Som: aparelho que emite uma onda
mecânica não audível, sendo formado por um
gerador de corrente elétrica de alta
frequência conectado a uma cerâmica
piezoelétrica, a qual deforma-se na presença
de um campo elétrico. A frequência indicada
para dores agudas e assim promover uma
analgesia é de 100Hz (estimulação de fibras
aferentes), com intensidade baixa de 0,1 a
0,3 W/cm2, de modo contínuo ou pulsado, por
um tempo que varia devido ao tamanho da
lesão;
-
Fonoforese: penetração de substâncias
(fármacos) no organismo com o auxilio do
aparelho de ultra-som;
-
Ondas Curtas: é um aparelho que utiliza-se
das radiações por meio da corrente elétrica
para obter fins terapêuticos. Trata-se de um
tipo de calor profundo que promove alivio
das dores e espasmos musculares. Com
aplicação de 5 a 10 minutos;
-
Laser de Baixa Potência: é uma luz
amplificada por emissão estimulada de
radiação, que por apresentar uma frequência
definida e os raios estarem sendo emitidos
ao mesmo tempo e na mesma direção de modo a
formar um feixe paralelo exercem efeitos
bioquímicos (analgesia), bioelétricos
(altera o potencial elétrico do potencial de
membrana) e bioenergéticos (reparação
tecidual). Essa luz é emitida através de uma
caneta que apresenta composições,
comprimento de onda, modo de emissão e
potência variáveis. Para promover uma
analgesia o indicado é o uso de uma laser de
AsGaInP, que apresenta comprimento de onda
de 830mn e potência de 30mW, com uma
intensidade de 2 a 4 J/cm2. A localização
para a aplicação está muitas vezes ligada a
pontos gatilhos;
-
Crioterapia: é a aplicação de qualquer
substância ao corpo que permite a retirada
de calor corporal, diminuindo a temperatura
do tecido. O seu efeito analgésico é obtido
pela diminuição da transmissão nervosa, do
metabolismo, da excitabilidade das
terminações nervosas livres e pelo aumento
do limiar da dor;
-
Eletroterapia: é uma técnica que
potencializa ou inibe certas correntes
elétricas do corpo (tecidos ou fibras).
Apresenta diversos efeitos biológicos (entre
eles analgesia) e estes estão relacionados a
polaridade da corrente, a sua frequência,
intensidade, largura de fase, tipo de pulso,
tempo de aplicação, modulações, tipos de
eletrodos e colocação destes no paciente. A
analgesia é atingida por meio da Teoria das
Comportas, Teoria do Mascaramento e pela
liberação de substâncias endógenas (opióides).
Dentre as diversas correntes que podemos
utilizar para obter analgesia, temos a
Estimulação Nervosa Elétrica Transcutânea
(TENS) que é uma das mais utilizadas;
-
Cinesioterapia: a cinesioterapia usa os
movimentos naturais do corpo para a
recuperação funcional das patologias
osteoarticulares e músculo-esqueléticas a
fim de restaurar o movimento natural e
homeostasia corporal. Sua ação é importante
para a melhora da dor local e para prevenção
de dor. Utiliza-se de recursos como
alongamentos, programas de exercícios tanto
para fortalecimento quanto para ganho de
amplitude de movimento, treinos de
propriocepção, reeducação postural entre
outros;
-
Manobras Miofasciais: conjunto de técnicas
que visa promover a desagregação das pontes
de colágenos do tecido conjuntivo e
consequentemente diminuir a tensão facial e
promover a nutrição celular assim gerando um
alívio da dor;
-
Osteopatia-Manipulação: técnica utilizada
para restabelecer a função de segmentos
(geralmente vertebrais) de modo a
realinhá-los e gerando um alívio da dor.
Consta de movimentos passivos de alta
velocidade, súbitos, de pequena amplitude,
curta duração indo além da amplitude normal
de movimento;
-
Massoterapia: é a prática de aplicar força
ou vibração sobre tecidos macios do corpo,
incluindo músculos, tecidos conectivos,
tendões, ligamentos e articulações para
estimular a circulação, a mobilidade, a
elasticidade ou alívio de determinadas dores
corporais;
-
Acupuntura: consiste na aplicação de
agulhas, em pontos definidos do corpo,
chamados de Pontos de Acupuntura, para obter
efeito terapêutico em diversas condições,
incluindo analgesia;
Dor Crônica
Superficialmente temos que é uma dor que
persiste por um período maior que 21 dias. A
fisioterapia pode agir nessa fase com o objetivo
de melhorar a propriedade mecânica do tecido,
promover uma melhora na elasticidade e até mesmo
agudizar o processo para que possa haver uma
recuperação direcionada (remodelamento) e de
forma correta. Entre os recursos
fisioterapêuticos utilizados temos:
-
Ultra-Som: utilizamos na frequência de 16Hz
(promove um aumento da função celular), com
intensidade alta de 0,8 a 1,2 W/cm2, de modo
pulsado, por um tempo que varia devido ao
tamanho da lesão;
-
Fonoforese;
-
Ondas Curtas;
-
Eletroterapia;
-
Cinesioterapia;
-
Manobras Miofasciais;
-
Osteopatia-Mobilização: técnica de
movimentação dos segmentos de forma passiva
de baixa velocidade, grande amplitude, longa
duração com movimentos repetitivos dentro da
amplitude normal de movimento. Essa técnica
gera a diminuição da dor devido a quebra do
ciclo dor – espasmo - dor;
-
Massoterapia;
-
Acupuntura;
Vale a pena salientar que outras diversas
técnicas fisioterapêuticas podem promover o
alívio da dor, já que esta é composta por
diversos fatores, inclusive o emocional e o
psicológico, porém ainda não tem seus mecanismos
e suas metodologias totalmente esclarecidas e
definidas.
* É importante ressaltar que cada um dos
recursos citados acima apresentam indicações e
contra-indicações específicas, assim como modo
de aplicação, podendo variar de pessoa para
pessoa, e para que haja o uso correto sem
prejuízos ao paciente é necessária a presença de
um fisioterapeuta capacitado para realizar tais
procedimentos.
Referências
-
COFFITO -
www.coffito.org.br
-
GUIRRO, R.; GUIRRO, E. Fisioterapia
Dermato-Funcional - fundamentos, recursos e
patologias. SP, Ed. Manole, 3ª edição, 2004,
560 p.
-
KITCHEN, S, BAZIN, S. Eletroterapia de
Clayton’s. SP, Ed. Manole, 1998, 350p.
-
KITCHEN, S, Eletroterapia Prática Baseada em
Evidências. SP, Ed. Manole, 2003, 348p.
-
LHEMANN, J F, LAUTER, B. J. Diatermia e
Calor Superficial, Laser e Crioterapia. In
KOTTKE, F J., LHEMANN, J.F Tratado de
Medicina física e reabilitação de Krusen. 4
ed. São Paulo, Ed. Manole , 1994, p. 277-256
-
STARKEY, C. Recursos Terapêuticos em
Fisioterapia. SP, Ed. Manole, 2001, 404p.
* Graduanda do 7º semestre do curso de
Fisioterapia da FMRP - USP. Aluna de Iniciação
Científica no Departamento de Farmacologia, área
de Dor
** Graduando do 7
semestre do curso de Fisioterapia da FMRP - USP,
Aluno de Iniciação Científica do Departamento de
Farmacologia, área de Dor Inflamatória
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